BRASIL
RELATÓRIO FINAL
PROJETO DE MONITORAMENTO DA MÍDIA GLOBAL 2005 (GMMP)
NOTICIÁRIO DE JORNAL IMPRESSO, TV E RÁDIO.

16 DE FEVEREIRO DE 2005

Introdução, por Vera Vieira
O Relatório

Quem faz a notícia?

por Vera Vieira

Visões e vozes femininas são marginalizadas no mundo da mídia; vozes masculinas predominam nas notícias ‘pesadas’; homens predominam como porta-vozes e especialistas; mulheres são retratadas duas vezes mais como vítimas em comparação aos homens; notícias ainda são relatadas e apresentadas principalmente por homens; repórteres femininas normalmente fazem cobertura de histórias ‘leves’; assuntos femininos são mais encontrados em notícias relatadas por jornalistas mulheres; dificilmente mulheres são o foco central de uma matéria; matérias reforçam estereótipos de gênero ao invés de desafiá-los; (des)igualdade de gênero não é considerada digna de ser notícia (só 4%!). Este é o resumo dos resultados gerais do Projeto Global de Monitoramento da Mídia, de 2005, realizado com o objetivo de aprofundar o estudo da representação de mulheres e homens nas notícias dos jornais, rádio e TV, com a participação de ativistas e investigadores /as. Em 16 de fevereiro de 2005, milhares de mulheres e homens, em 76 países espalhados pelo mundo, monitoraram aproximadamente 13 mil notícias.

Primeiramente realizado em 1995, depois em 2000 e 2005, o projeto é a pesquisa mundial mais abrangente já realizada sobre gênero na mídia. Em 2005, foi coordenado pela WACC (Associação Mundial para a Comunicação Cristã), uma organização não-governamental internacional, com sede em Londres, que promove a comunicação como fator de transformação social, em colaboração com Margaret Gallagher, consultora e analista de dados do Projeto de Monitoramento dos Meios de Comunicação, da África do Sul.

Os dados foram coletados por meio de esforços voluntários de milhares de pessoas e organizações, incluindo ativistas da causa de gênero e da mídia, grupos de comunicação popular, professores/as e alunos/as na área de comunicação, profissionais da mídia, associações de jornalistas, redes alternativas e grupos eclesiásticos.

Infelizmente, os resultados nada animadores de 2005 ratificam os das pesquisas de 1995 e 2000, além de numerosos outros estudos regionais e nacionais realizados nos últimos 30 anos.

Veja, a seguir, o relatório do monitoramento realizado no Brasil, que foi coordenado por Vera Vieira, da Rede Mulher. O relatório mundial pode ser acessado, em inglês e espanhol, através do site www.whomakesthenews.org

RELATÓRIO FINAL

BRASIL
PROJETO DE MONITORAMENTO DA MÍDIA GLOBAL 2005 (GMMP)
NOTICIÁRIO DE JORNAL IMPRESSO, TV E RÁDIO.
DIA 16 DE FEVEREIRO DE 2005 

1)      Objetivo: Aprofundar o estudo da representação de mulheres e homens nas notícias dos jornais, rádio e TV, por ativistas e investigadores/as, em uma rede global extraordinária de mais de 100 países, com caráter voluntário, dedicada a documentar e mudar padrões estereotipados. 

2)      Coordenação do projeto:

  • Geral: WACC (World Association for Christian Communication)

  • Brasil: Rede Mulher de Educação – Vera Vieira

 3)      Total de monitoras/es individuais convidadas/os no Brasil: 117, abarcando mulheres e homens, das diversas regiões brasileiras, com recorte de classe, etnia-raça, geração e de orientação sexual (ver correspondência enviada). 

4)      Número de monitoras/es individuais que realizaram o trabalho: 24 (ver relação no final deste relatório). 

5)      Indicação de jornais, noticiários de TV e rádio versus número de monitoramentos realizados: 

  • JORNAIS IMPRESSOS: 07 jornais de diferentes regiões brasileiras.
     

JORNAIS INDICADOS

MONITORAMENTOS REALIZADOS

Folha de São Paulo (São Paulo)

03

O Estado de São Paulo (São Paulo)

01

O Globo (Rio de Janeiro)

02

Jornal do Brasil (Rio de Janeiro)

00

Correio Braziliense (Brasília-DF)

01

Jornal do Commércio (Recife/PE)

00

Zero Hora (Porto Alegre/RS)

02

 

  • TELEVISÃO: 6 canais abertos

EMISSORAS INDICADAS

MONITORAMENTOS REALIZADOS

Rede Globo – Jornal Nacional

04

TV Cultura – Jornal da Cultura

02

SBT – Jornal do SBT

03

TV Bandeirantes – Jornal da Band

02

TV Record – Jornal da Record

03

Rede Vida – Repórter Nacional

00

 

  • RÁDIO: 05 emissoras.

EMISSORAS INDICADAS

MONITORAMENTOS REALIZADOS

Jovem Pan

05

CBN

01

Globo

03

Tupi

00

Bandeirantes

00

 

6)      Principais manchetes do dia: 

  • Eleição do presidente da Câmara - Severino Cavalcanti, do PP-PE, derrota Luiz Eduardo Greenhalgh, do PT-SP, que era o candidato apoiado pelo Governo. Severino é do chamado “baixo clero”, além de ser católico/conservador – rejeita o aborto e os gays.
  • Conflito de Terras no Pará - Envio de tropas do exército, depois do assassinato da religiosa Dorothy Stang – americana, naturalizada brasileira -, que teve repercussão internacional. Mais três pessoas foram assassinadas no Estado em disputas pela terra. Outras testemunhas sofrem ameaças.
  • Pressão contra a Síria após atentado no Líbano – Rumores de que o governo da Síria estaria por trás do ataque que matou, no dia anterior, em Beirute, o ex-premiê libanês Rafik Hariri.

7)      Incidência detectada em notícias analisadas nos três veículos, referente ao item D. Análise do Sistema de Codificação, por todas/os participantes: (apesar da não necessidade de sistematização dos dados quantitativos pela coordenação de cada país, considerou-se importante realizar pelo menos este item) 

QUESTÃO

TV

JORNAL

RÁDIO

As mulheres são o centro da notícia?

Sim = 16

Não =  89

Não sei = 02

Sim = 10

Não = 70

Não sei = 06

Sim = 02

Não = 13

Não sei = 00

A notícia destaca claramente assuntos relacionados à igualdade ou desigualdade entre mulheres e homens?

Sim = 15

Não = 95

Não sei = 00

Sim = 06

Não =  71

Não sei = 07

Sim = 00

Não = 15

Não sei = 00

A notícia desafia ou reforça claramente estereótipos femininos e/ou masculinos?

Claramente desafia = 08

Claramente reforça =02

Não desafia, nem reforça = 99

Não sei = 01

= 03

= 09

= 72

= 03

= 00

= 00

= 13

= 02

Análise adicional (recomendação)

Sim = 13

Não = 74

Não sei = 03

Sim = 16

Não = 60

Não sei = 04

Sim = 02

Não = 13

Não sei = 00

 

  • Observa-se que há uma grande incidência apontando para a realidade de que:

  • As mulheres não são o centro das notícias.

  • As notícias não destacam claramente assuntos relacionados à igualdade ou desigualdade entre mulheres e homens.

  • As notícias não desafiam e nem reforçam os estereótipos femininos e/ou masculinos.

  • A maior parte das notícias não merece análise adicional.

 8)      Análise Qualitativa (em função do curto período de tempo para tal, está sendo cumprida a cota mínima, ou seja, a análise de uma notícia de cada veículo).
      Para se obter uma noção mais precisa do conteúdo das notícias e das mensagens nelas contidas, é necessária uma análise da qualidade da cobertura jornalística. Esta é a etapa qualitativa do estudo.
      A estrutura para a análise qualitativa, enviada pela WACC, foi formulada com o intuito de orientar na seleção de notícias que possibilitem uma análise crítica e profunda. Essas notícias ajudam a destacar algumas das complexidades e nuances      que não podem ser percebidas por meio da análise quantitativa, além de enriquecer e             ilustrar os relatórios do GMMP. A estrutura apresentada é a seguinte:

  1.  Notícia que carrega estereótipos gritantes.

  2.  Notícia que carrega estereótipos sutis.

  3.  Notícia que é uma oportunidade desperdiçada.

  4. Notícia que questiona estereótipos.

  5. Notícia que destaca os problemas referentes à igualdade ou desigualdade entre homens e mulheres.

 8.1. Jornal impresso:

País: Brasil
Nome
do jornal: Folha de S.Paulo - São Paulo, circulação diária nacional.
página E2 (caderno Ilustrada)
(notícia utilizada na etapa quantitativa)
Análise
:
Notícia
que carrega estereótipo gritante

 a)      Manchetes:

NEM OS AMIGOS QUERIDOS e
“DANIELA DEU UM TIRO NO

b)      Fontes:

  •       “amigos” de Daniella Cicarelli, modelo que se casou com o astro do futebol Ronaldo, em Paris, no castelo de Chantilly.

  •       Rodrigo Paiva, amigo e assessor de Ronaldo.

  •       Suzana Gullo, socialite.

      - Álvaro Garnero, empresário amigo de Ronaldo e namorado da modelo Caroline Bittencourt, expulsa da festa por Daniella Cicarelli (entrevista, com 5 perguntas).    
            Verifica-se a predominância de fontes masculinas. O número não equivalente de fontes femininas e masculinas pode ser justificado pelo fato de a imprensa não ter tido acesso ao evento.
            Não se verifica discriminação no tratamento das fontes; não se coloca fonte masculina como especialista e fonte feminina como leiga.
            Verifica-se que a credibilidade de uma fonte foi afetada, no caso da frase supostamente dita pela modelo Daniella Cicarelli, entre aspas, mas creditada a “amigos”. (“Eu deixei de convidar um monte de amigos queridos, como é que eu iria deixar na minha festa alguém que falou mal de mim?”).

c)      Imagens e Legendas:

  • Foto medindo 19,5cm x 12cm, na parte superior, à esquerda.

  • Foto medindo 9,5cm x 9,5cm, no centro.

            Legenda: O castelo de Chantilly iluminado (acima) para receber os 250 convidados    do casamento; a modelo Caroline Bittencourt (abaixo).

  • Foto medindo 9cm x 11,5cm, logo abaixo do centro, à direita.

d)      De que maneiras esta notícia carrega estereótipos gritantes?

      Deixou de ter relevância a notícia do casamento de Ronaldo, um jogador brasileiro considerado o maior astro do futebol pelo mundo todo, com Daniella Cicarelli, modelo brasileira famosa. O grande fato explorado foi a “baixariaentre as duas modelos, o que ganhou enorme repercussão em todos os veículos de mídia, por vários dias (Daniella expulsou a modelo Caroline Bittencourt, namorada de Álvaro Garnero, amigo de Ronaldo; ele também se retirou da festa).
      Se por um lado, a atitude de Daniella reforça os estereótipos de gênero , por outro     lado, a mídia alimentou e disseminou de forma descomunal esses estereótipos (no sentido de remeter a ‘coisas de mulher’ – emotiva, ciumenta, fofoqueira, descontrolada, vingativa, senso de rivalidade, etc.),. As manchetes também confirmam esta análise (Nem os amigos queridos; ‘Daniella deu um tiro no ).
      Mesmo considerando-se que qualquer atitude ou declaração de pessoas famosas ganhem repercussão, há que se ponderar que houve ênfase desproporcional exatamente pelabaixariaentre duas mulheres. Será que se o jogador Ronaldo     tivesse expulsado algum homem da festa, a atitude dele teria a mesma repercussão?

 8.2. TV

 País: Brasil
Nome do noticiário
: Jornal da Record – TV Record - São Paulo, nacional, TV aberta, de segunda a sábado, às 20h10.
(notícia utilizada na etapa quantitativa – 2ª. notícia do programa)
Análise
:
Notícia que é uma oportunidade desperdiçada

a)      Manchete:

      O EXÉRCITO MANDA 2 MIL MILITARES PARA A ÁREA DE CONFLITOS   DE TERRAS NO PARÁ.
      ATÉ AGORA NÃO FOI PRESO NENHUM SUSPEITO DE MATAR A FREIRA DOROTHY MAE STONG ENTERRADA ONTEM.

b)      Fontes:

  •       Eloina Araújo, trabalhadora rural: “Para mim ela foi mais do que uma mãe; uma        mulher lutadora, batalhadora”.

  •       Tenente Coronel Germer, comandante do batalhão de selva: “Essa função    específica não está definida ainda; os homens chegaram, e serão alojados aqui no batalhão, e aguardarão, então, as ordens que deverão chegar nos próximos dias, onde saberemos exatamente o que iremos fazer.”

  •       Parlamentares (fonte citada pelo âncora): “Parlamentares foram ao local de execução da freira; pedem a presença permanente do governo federal para conter a violência na região.”

  •       Comissão Pastoral da terra (fonte citada pelo âncora): “A Comissão Pastoral da Terra divulgou a lista de 161 pessoas ameaçadas desde 9 de janeiro do ano passado. Para a CPT os números indicam que o governo fracassou na área social.”

  •       Dom Tomás Balduíno, presidente da CPT: “É fracasso; pode ser assim que do lado do agronegócio, do superávit primário, da diminuição do risco Brasil, ser sucesso.”

  •       Ana Júlia, senadora do PT/PA: “Imediatamente a presença permanente do governo federal, não apenas uma força-tarefa, com a presença do INCRA, IBAMA e polícia          federal.”

  •       Comando do Exército (fonte citada pelo repórter Antônio Machado, de Brasília): “O Comando do Exército divulgou uma nota agorapouco na qual explica que o deslocamento da tropa é para garantir a lei e a ordem na região de conflito do Pará. (...)”.

       Verifica-se uma equivalência do número de pessoas que aparecem sendo       entrevistadas (2 mulheres e 2 homens), a declaração das mulheres é menor         que a dos homens. As mulheres deveriam ter tido mais tempo para falar, além de         outras serem entrevistadas, sob outros ângulos, já que o assunto envolve o      assassinato de uma mulher que era líder na região. As mulheres também são as mais    afetadas com as conseqüências dos conflitos de terra.
      Nada se falou sobre o envolvimento de latifundiários e grileiros, suspeitos do crime.

c)      Imagens:

            - Obviamente, é compreensível que a imagem da chegada das tropas do exército   mostre  homens. Entretanto, as demais imagens privilegiam a figura masculina. As mulheres são vistas, numa análise das imagens, como coadjuvantes da questão agrária. Se assim fossem, uma mulher não teria sido assassinada.

d)      De que maneira esta notícia é uma oportunidade desperdiçada?

      Esta notícia fala sobre a chegada do exército no estado do Pará, em função dos conflitos de terra que levaram ao assassinato de uma religiosa norte-americana, naturalizada brasileira, que era uma grande líder na região. Outros líderes (homens)     foram assassinados e muitos sofrem ameaças.
      Desperdiçou-se a oportunidade de entrevistar as mulheres rurais da região, tanto para demonstrar a força e o papel que exercem nessa luta, como para analisar com mais profundidade o significado da trágica perda de uma liderança feminina.
      Também desperdiçou-se a oportunidade de abordar o drama das mulheres que tiveram seus maridos assassinados e as que vivem na família a ameaça de morte. Além de essas mulheres engrossarem, ou estarem prestes a engrossar, a lista de “chefes de família”, vão continuar a luta por si.
      A notícia deixa de enfocar as diferenças das conseqüências dos conflitos de terras para mulheres e homens.

 8.3. Rádio 

País: Brasil
Nome do noticiário
: Globo Cidade – Rádio Globo - São Paulo (capital, somente), de segunda à sexta-feira, às 17h.
(notícia utilizada na etapa quantitativa – 1ª. notícia do programa)
Análise
:
Notícia com estereótipos mais sutis
 

a)      Manchete:

      PREFEITURA CORTA A MERENDA ESCOLAR DOS ALUNOS DE SUMARÉ.

b)      Fontes:

  • Mães de alunos (fonte citada pelo repórter): “Na segunda-feira, primeiro dia do ano letivo, mãe de alunos do período da manhã criticaram a decisão. As crianças          saem de casa em jejum e agora ficam apenas com a merenda do intervalo, às 9h.”

  • Maria Belintani Ferminiano, Secretária Municipal de Educação (fonte citada pelo repórter): “Segundo a Secretária, o corte da merenda foi a forma encontrada pela prefeitura para reduzir gastos diante da crise financeira enfrentada pela administração”.

  • Prefeitura de Sumaré (fonte citada pelo repórter): “A Prefeitura de Sumaré   divulgou ter adotado como critério para o corte o Programa Nacional de Alimentação Escolar, que estabelece como refeição ideal para o estudante 360 calorias e 9 gramas de proteína, o que é atendida e entendida como a refeição no caso da merenda escolar.”

      As fontes governamentais referem-se unicamente a material de imprensa pré-  distribuído. Não há nenhuma declaração ao vivo, nem mesmo das mães que “foram pegas de surpresa”.
      A Secretária de Educação é tratada pelo âncora como “dona”, numa clara tentativa    de inferiorizá-la, afetando, com isso, a competência e a credibilidade desta fonte.

c)      De que maneira esta notícia apresenta estereótipos mais sutis?

      Esta notícia fala sobre o corte da merenda escolar dos alunos da rede pública municipal de Sumaré.
      Durante a análise final do âncora, é ressaltado que, ao invés de cortar a merenda, deveria demitir gente que não faz nada. A sutileza na apresentação dos estereótipos de gênero está no fato do âncora chamar a Secretária de Educação de “dona” e           “senhora” e no fato de dizer “... não é pra chegar na frente do prefeito e dizer amém, (...) mostra que a senhora tem alguma personalidade...”. Há um reforço dos          estereótipos, ao, sutilmente, direcionar esse tipo de tratamento para uma mulher, e       não para um homem, além de reforçar o imaginário construído de que “as mulheres       sempre dizem amém aos homens” (condição de subordinação). 

9)      Avaliação do GMMP 2005 pelas/os participantes:

 9.1. Deixe seus comentários a respeito da codificação (etapa quantitativa do projeto). As instruções para o monitoramento forma claras? O sistema de codificação foi simples? Você encontrou alguma dificuldade? Gostaria de dar alguma susgestão?

  • Estava tudo muito claro; lendo com muita atenção, não há como ter dúvidas.

  • Instruções muito claras, simplificando a codificação.

  • Instruções claras; sistema simples; exemplos foram de grande utilidade; dificuldade em identificar a idade das pessoas (seria melhor utilizar uma tabela por décadas: de 20 a 30); dificuldade em determinar se uma notícia, em sua totalidade, reforça ou não os estereótipos, ou contribui para a desigualdade/ igualdade entre homens e mulheres.

  • Bom sistema de monitoramento, mas falta incluir o recorte racial, tanto de quem monitorou, como do conteúdo pesquisado.

  • Sistema claro, porém, é necessário um prazo maior.

  • Sistema claro e simples, mas que exige muita concentração; faltou informação sobre como codificar quando o âncora dá a notícia completa.

  • Sistema simples; sem dificuldades.

  • Sistema simples, mas poderia ser mais resumido para não parecer cansativo de fazer.

  • Sistema simples, porém, são muitas as instruções e os passos a serem dados.

  • Sistema simples, bastando acompanhar rigorosamente as instruções.

9.2. Deixe seus comentários a respeito da relevância das questões abordadas pelo GMMP 2005, com relação à desigualdade entre os sexos retratada pela mídia. As questões foram relevantes? Que outros problemas você acha que deveriam ser abordados?

  • Realmente, a desigualdade entre os sexos ainda é muito grande; percebi que mesmo a reportagem sendo sobre uma mulher, quem ganha destaque é o homem.

  • Em alguns temas abordados pela mídia, a presença da mulher é totalmente insignificante; a desigualdade é bem retratada.

  • De um modo geral, achei as questões relevantes. Talvez fosse interessante, mas é só um palpite, avaliarmos a aparência das mulheres e homens que aparecem ao longo do jornal de televisão. A minha impressão é que a mulher está sempre mais arrumada, de saia, etc., enquanto os homens não necessariamente. Digo isso quanto aos entrevistados, não sobre os repórteres (embora talvez também se aplique).

  • Seria importante abordar as condições socioeconômicas onde for possível (jornal e televisão, principalmente). O recorte racial também é importante nesses registros.

  • Dá visibilidade às mulheres repórteres e jornalistas. Mostra a ausência das mulheres em questões relevantes, dedicando um pouco mais quando envolve escândalo ou violência.

  • Não tenho outros a acrescentar.

  • que a codificação ajuda a perceber o quanto as mulheres são pouco ou em quase nada destacadas no noticiário, somente aparecendo como protagonistas da matéria quando são vítimas.

  • Foram boas, mas poderiam ser mais completas para que não houvesse dúvidas de qual seria a questão abordada em cada uma. Deveriam abordar também a discriminação racial que é um problema muito grave enfrentado hoje em dia.

  • Gostei bastante do questionário bem completo e se, perguntas fúteis, acho também que poderiam ser abordados não só com mulheres, mas, sim, a todo tipo de discriminação.

  • Creio que o monitoramento poderia ser feito de duas maneiras. Algumas parceiras deveriam monitorar a mídia com programação nacional; outras, a mídia com conteúdo regional. Ao regionalizar o monitoramento, é possível diagnosticar melhor a participação ou não da mulher no conteúdo da mídia.

 9.3. Deixe seus comentários a respeito da análise qualitativa. As instruções foram claras? Você encontrou alguma dificuldade? Gostaria de dar alguma sugestão? (resposta da Rede Mulher, responsável pela análise qualitativa).

  • As instruções foram muito claras, tanto em termos dos tópicos a serem abordados, como em termos dos exemplos fornecidos.

  • A escassez de tempo não permitiu uma maior e uma melhor análise qualitativa.

 9.4. Como a sua Organização pretende utilizar os resultados do GMMP 2005 na defesa de suas causas?

  • Minha organização não trabalha diretamente com causas de gênero, mas o monitoramento me deixou pensando sobre a questão da mídia e do quanto se reforça o papel social/cultural da mulher. Quem sabe, podemos desenhar um projeto neste sentido.

  • De posse do resultado geral, seria fundamental estimular o debate junto a outros órgãos de mídia, e em setores internos à Seppir (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), estimulando a transversalidade na política de comunicação.

  • Divulgando na mídia local. Em trabalhos com outras entidades parceiras e instituições públicas e privadas (UFMT, outras universidades, escolas, assembléia legislativa, etc.).

  • Penso que os resultados poderão ser fonte de pesquisa e argumentação para definição dos nossos programas sociais.

  • Na conscientização dos profissionais da mídia, para darem maior foco à mulher enquanto protagonista/promotora de processos centrais na vida do país, mesmo que estejam em minoria no cenário nacional.

  • Mostrando para o povo e para todos o mal que isso causa a uma sociedade e o atraso do desenvolvimento causado por uma discriminação.

  • Mostrando a evolução que a mulher teve no mercado e na mídia, com o passar dos anos, em vários países, comparando assim seu desenvolvimento.

  • ·O Núcleo de Estudos, Pesquisas e Organização da Mulher (NUEPOM) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) poderá usar os dados do monitoramento como suporte nas pesquisas das alunas e alunos do curso de Serviço Social. Também, nas oficinas realizadas com instituições parceiras em Cuiabá, em Mato Grosso e no Brasil. Ainda, em divulgações da própria mídia regional ou em publicações independentes do NUEPOM, como de seus membros.

 9.5. Algum outro comentário?

  • Ao participar do Projeto de Monitoramento, pude avaliar que aumentou o meu senso de observação, concentração e, conseqüentemente, melhor avaliação das notícias abordadas.

  • Adorei participar deste esforço conjunto mundial. Só tive problemas com a gravação do jornal de TV por mim monitorado. Embora tenha testado o aparelho uma semana antes, no dia não consegui gravá-lo... Foi a maior dor de cabeça conseguir a gravação do programa, além de ter um custo alto. Talvez como esse esforço só acontece de cinco em cinco anos, e os programas de televisão não são muitos, a própria organização responsável pela coordenação poderia gravar e mandar para cada pessoa fazer o monitoramento.

  • Acho fundamental divulgar o trabalho da pesquisa para órgãos de governo, instituições não-governamentais e de pesquisa em geral. Fundamental também ter no resultado uma chance de aproveitar o debate do papel do poder público em relação à mídia.

  •  Não pude revisar o que fiz, em função do acúmulo de trabalho e do curto tempo.

  • Obrigada por ter sido escolhida. Até 2010!

10)  Relação das/os participantes do Brasil:

      (com um agradecimento especial pelo excelente trabalho) 

PARTICIPANTE

VEÍCULO MONITORADO

Angelita Garcia – Brasília/DF  (SEPPIR)

Rádio CBN

Antonio Carlos de Oliveira – Rio (NOVA Pesquisa)

Jornal O Globo

Beatriz Cannabrava – SP (Rede Mulher)

Jornal O Estado de São Paulo

Cláudio E.G. Dutra – Santa Maria/RS (pesquisador)

Jornal Zero Hora

Edna Santana e Walkíria Ferraz - SP (Rede Mulher)

Jornal Nacional – Rede Globo

Eloy Teckemeier – S.Leopoldo/RS (Editora Sinodal)

Jornal Zero Hora

Gonçalo Guimarães – Rio (ITCP Coppe)

Jornal O Globo

Inês Meneguelli – SP (Instituto Consulado da Mulher)

Jornal Nacional – Rede Globo

Irad R.Eghrari – Brasília/DF (Comunidade Baha’i)

Jornal Correio Braziliense

Laura D.Mattar – SP (ILANUD)

Jornal da Band – TV Bandeirantes

Lúcia Felipe – Londrina/PR (pesquisadora)

Jornal da Cultura – TV Cultura

Lucilene Cruz e Maria Ap. Oliveira – Sumaré/SP (Rede Mulher)

Rádio Jovem Pan

Madalena R. Santos – Cuiabá/MT (Rede Mulher)

Jornal Folha de São Paulo

Márcio A.Kowalski, Mariana Neves e Rafael Carrara

São Bernardo do Campo/SP (Universidade Metodista)

Rádio Jovem Pan e Rádio Globo

Jornal do SBT e da TV Record

Maria Angélica Lemos – SP (COMULHER)

Jornal da Cultura – TV Cultura

Maria Aparecida Cotti Silva – Cuiabá/MT (NUEPOM/UFMT)

Jornal da Band – TV Bandeirantes

Sandra Regina Monteiro – São Miguel/TO (Rede Mulher)

Jornal Folha de São Paulo

Sylvia Cavasin – SP (ECOS)

Jornal Folha de São Paulo

Vera Vieira – SP (Rede Mulher)

Todos + análise qualitativa

São Paulo/Brasil, 16 de março de 2005.
Vera Vieira
Rede Mulher de Educação
Coordenação
Brasil do Projeto GMMP 2005