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Cunhary Informa nº 28
Uma publicação da Rede Mulher de educação
Editora: Vera Vieira
Colaboração: Beatriz Cannabrava, Maria José Lopes Souza, Madalena Rodrigues dos Santos,
Valéria Barreto, Jacy Vanz Perin, Nina Magalhães, Maria Ruth Freitas Takahashi e
Madalena Guilhon
Tiragem: 3.000 exemplares
Apoio: Novib/Holanda
A Rede de Mulheres no Rádio vai promover o VI Encontro Nacional
Oficina sobre Estratégias Financeiras promovida pela Novib
Bella Abzug: o mundo lamenta sua morte
Em nome da irmã de Bella, Helena, suas filhas, Eve e Liz, e da família WEDO, gostaríamos de agradecer pelas suas condolências e comovente mensagem de apoio. Foi com profundo pesar que nós velamos a morte de Bella, nossa fundadora e presidenta. Bella deixou um legado. Nós continuaremos seguindo inspiradas pela sua paixão política, luta pelos direitos da mulher, justiça social, paz e meio-ambiente.
Para homenageá-la, estamos organizando uma coleção de anedotas e histórias para um livro que se intitulará "Bella and Friends". Às colegas que tenham tido a oportunidade de trabalhar com ela, gostaríamos que nos enviassem contribuições. Alguns parágrafos ou algumas páginas descrevendo experiências com Bella, assim como fotografias, serão muito bem-vindas.
Em resposta a inúmeras solicitações sobre contribuições para a homenagem à Bella, suas filhas informam que doações podem ser encaminhadas para "Bella S. Abzug Memorial Fund".
Mim Kelber e Susan Davis
WEDO - Women's Environment and Development
Organization - Nova Iorque USA
Cunhary só com homens
A Edição Especial comemorativa ao 8 de março da Rede Mulher de Educação causou-me surpresa não apenas pelo fato de ser toda preenchida por entrevistas com homens, mas pelo que eles dizem, pelo que advogam. Perceber o ambiente doméstico como espaço de reprodução das desigualdades de gênero, perceber as relações desiguais nas estruturas da sociedade, perceber a influência dos elementos que conformam o processo de formação individual: a religião, a mídia, a política, a educação formal. Todas essas percepções e descobertas tiveram um agente impulsionador: as mulheres presentes em suas vidas, mulheres que com o seu testemunho revolucionaram, cada uma a seu modo, os valores e as verdades estabelecidas para cada um deles.
O equilíbrio como a chave para relações harmoniosas. Suas falas oscilam entre dois movimentos: a crença na capacidade que as mulheres têm de potencializar transformações, de influenciar mudanças de comportamento; a descrença num olhar para o mundo baseado no princípio feminino. Que questões os homens estão trazendo quando são chamados a se pronunciar sobre a identidade feminina, as representações sociais de gênero, o papel da mulher na sociedade, o "fazer gênero" com a questão de gênero...?
Como será que chega para tantos que leram os textos do Cunhary, o fato de que existem homens de diferentes trajetórias e inserções nos movimentos sociais que afirmam a importância da intervenção coletiva das mulheres para romper a densa teia de um universo marcadamente masculino; que dão um sentido altamente valorativo à ação das mulheres na reversão dos valores estabelecidos na sociedade; que têm consciência do árduo caminho que as mulheres enfrentam para romper com os conflitos gerados pela afirmação da Identidade Feminina?
De todo modo, o Cunhary cumpre uma função e presta um grande serviço: ele mexe e remexe com o dito e o não dito; com o lado feminino e o masculino; com o que pensa-mos que sabemos, com o que temos e não vemos porque no mais das vezes dialogamos com nosso eu interior, com a nossa fantasia e esquecemos que o diálogo se efetiva de dentro para fora, entre nós e o mundo.
Magnólia Said - Esplar Fortaleza/CE
Não há casa abrigo em João Pessoa
O "Centro da Mulher 8 de Março" tem grande prazer em receber, arquivar e divulgar os boletins Cunhary, assim como colaborar com as informações que forem possíveis. Desta forma, quebre-mos alertar para a informação citada no Cunhary no.22, na matéria "Casa-abrigo: mais uma conquista", escrita pela jornalista Amália Maranhão, que diz no parágrafo 5, que na cidade de João Pessoa tem casa-abrigo. Nossa entidade é filiada à Rede Feminista Latino-americana e do Caribe Contra a Violência Doméstica e Sexual, e nós levantamos a bandeira de luta pela casa-abrigo desde 1993, mas ainda não foi implantada em nenhum município do nosso estado tal órgão tão necessário à defesa e proteção da vida das mulheres. Desde já, agradecemos a retificação no próximo Cunhary.
Valquíria Alencar Sousa
Centro da Mulher 8 de Março - João Pessoa/PB.
Mulher rumo ao ano 2000
A Secretaria Social e demais parceiros que promoveram a programação da Semana da Mulher no município de Toledo, vem agradecer a inestimável colaboração de Moema L. Viezzer, da RME, para a concretização do Projeto "Mulher rumo ao ano 2000".
Mareli A.Vanzzo Donin
Secretária da Assistência Social Toledo/PR.
Grupo de Mulheres da Terra (MST) é
novo
Ponto Focal da Rede Mulher de educação
O dia 14 de março tornou-se uma data histórica: foi oficializado, como Ponto Focal da RME, o Grupo de Mulheres da Terra, integrante do Movimento dos Sem Terra (MST), no assentamento de Sumaré-SP. O romance entre ambas as partes é antigo. A sócia-educadora da RME, Maria José Lopes Souza, vem realizando um trabalho de empoderamento das mulheres desde 1985, quando elas ainda estavam acampadas em uma área pertencente à Fepasa, no bairro de Padre Anchieta, em Campinas, aguardando o resultado das negociações com o governo do Estado de São Paulo, para ocupação das terras no Horto de Sumaré.
Foi com muito entusiasmo que a coordenadora-executiva da RME, Vera Vieira, e a integrante do Conselho de Administração, Beatriz Cannabrava, estiveram pressentes à oficialização do Ponto Focal no assentamento, com participação de vinte mulheres do Grupo.
Mulheres assentadas vão à luta
A união das mulheres começou já na fase de acampamento. Nas reuniões, os problemas domésticos passaram a fazer parte da pauta e as mulheres começaram a conquistar seu espaço político.
Nos onze anos de assentamento, as Mulheres da Terra já conquistaram muitas melhorias para as famílias, entre elas, a construção de uma unidade escolar de primeira a quarta séries, que conta com o apoio de professores da rede pública de ensino.
Outra conquista se traduz no fato de que uma de suas líderes, Maria Aparecida Renovato de Oliveira, ocupa a vice-presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Sumaré.
Entre os principais objetivos do Grupo estão a manutenção das mulheres - principalmente as adolescentes - no trabalho do campo; discussão da questão das relações de gênero na comunidade rural, contribuindo assim para o processo de mudança de valores culturais e patriarcais predominantes em nossa sociedade; e o incentivo da participação masculina no processo de construção do conhecimento sobre a questão de gênero.
Educação e Geração de Renda
Um projeto educativo sobre gênero e direitos humanos passou a ser implementado desde 97, sob coordenação da sócia-educadora Maria José (Zéza) e da psicóloga Flávia Costa.
Recentemente, iniciou-se a implementação de um projeto de geração de renda através da horta medicinal, que recebeu um importante apoio financeiro da FASE/SAAP.
A horta medicinal será fundamental para se perseguir os objetivos traçados pelo Grupo. "Iremos envolver vinte mulheres, trazendo retorno econômico para suas famílias, evitando, assim, que busquem empregos fora, como domésticas, faxineiras ou bóia-frias", ressalta Maria Aparecida. As ervas medicinais - alternativas aos remédios químicos - serão utilizadas na fabricação de pomadas na Pastoral da Saúde e da Criança, além de laboratórios homeopáticos da região. O excedente será comercializado em feiras orgânicas.
Ao se tornar um Ponto Focal da RME, o Grupo vê fortalecida sua ação no sentido de trabalhar a importância do papel social das mulheres e sua legitimação nas esferas políticas.
Aula da Saudade
Como parte integrante das solenidades de formatura do Curso de Serviço Social da Universidade Federal do Mato Grosso, as formandas programaram a aula da saudade, que contou com a presença de diversas pessoas convidadas. A professora homenageada, Madalena R. dos Santos, coordenadora do NUEPOM-Núcleo de Estudos, Pesquisas e Organização da Mulher e conselheira/sócia-educadora da Rede Mulher, foi quem ministrou a aula, com muita dinâmica e com os seguintes conteúdos: o que são relações de gênero, as desigualdades de gênero no Brasil, educar sem discriminar, linguagem não-sexista e as relações de gênero e a atuação da assistente social. Na ocasião, também foi lida a poesia "Um Mundo sem Divisões", da nicaragüense Gioconda Belli, e que consta da Agenda Rede Mulher 1998.
A mulher no poder municipal
Em abril aconteceu em Campo Grande-MS o seminário "A Participação Igualitária da Mulher nas Instâncias Decisórias dos Municípios Brasileiros", realizado pelo IBAM em parceria com o Conselho Estadual dos Direitos da Mulher de Mato Grosso do Sul. Participaram prefeitas e vereadoras da região Centro-Oeste (Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul). O NUEPOM, ponto focal da RME, participou do evento através de suas integrantes Vera Lúcia Bertoline - que também é presidenta do CEDM e fez parte da coordenação do seminário- e Madalena Santos, que proferiu a palestra "A Sub-Representação Feminina e a Construção da Democracia", e divulgou o trabalho da RME.
Minas enfoca Economia Solidária
A Associação Mãos Mineiras - ponto focal da RME, através de nossa sócia-educadora Valéria Barreto - realizou no final de abril oficinas sobre Economia Solidária e Produção e Geração de Renda, com a participação de quarenta pessoas de cinco municípios (Aiuruoca, Bom Jardim de Minas, Ressaquinha, Juiz de Fora e Lima Duarte). Houve a participação de mulheres e homens, professores/as, artesãs/aos, produtoras/es rurais, líderes da Pastoral da Criança, Associação Comunitária, entre outros. A oficina de Economia Solidária foi criada em função da crescente demanda dos grupos que buscam a experiência bem sucedida do trabalho da Associação Mãos Mineiras. Foram repassados temas fundamentais, como: o que é a economia solidária; o retorno da pessoa como centro do processo de produção e geração de renda, em contraponto ao movimento capitalista; o respeito a aspectos ligados à educação, cultura, meio-ambiente; a produção a partir do desenvolvimento sustentável. Foi enfocado também o crescimento das redes de comércio solidário, o contato da Associação com as parcerias da CTM (Cooperazone Terzo Mondo), que cooperativamente atua com 200 lojas na Itália e repassou o grupo para a Cooperativa Chico Mendes na Itália, com quatro lojas, todas voltadas para o consumo de produtos que preconizam a produção ecológica e social, ou seja, que incentivam o empoderamento das pessoas, dos grupos e da sustentabilidade para a manutenção dessas pessoas em seus espaços de origem.
A oficina de "Produção e Geração de Renda" foi ministrada por quatro associadas: Vicentina ensinou como produzir o pó de casca de ovo (rico em cálcio); Sônia, o pó de folha de mandioca (rico em ferro, vitaminas A e C); Victória, o farelo de arroz torrado (rico em vitaminas do complexo B, zinco, fibras etc); e Margarida, o pó da semente de urucum (que é rico em vitamina E, sendo um corante natural que substitui a massa de tomate industrializada).
Como confeccionar as lindas bonecas de palha de milho foi ensinado por Márcia Almeida; cestaria em jornal, por Valéria Marques; colares de sementes, por Lúcia Almeida; e papel reciclado por Fernanda Delgado.
Um dos pontos mais interessantes foi o da participação das associadas na facilitação das oficinas, demonstrando a maturidade desses dez anos de existência da Associação Mãos Mineiras, na troca de experiências com outros grupos e a ação comum traçada na criação de uma rede regional de comércio solidário, onde cada grupo se responsabilizou em manter uma relação de troca de subsídios, comercialização e informações acerca dos trabalhos realizados por todas/os participantes das oficinas.
Rompendo o Teto de Cristal na "Fala Preta"
Em 25 de abril, na capital de S. Paulo , foi realizada, em parceria com a Organização de Mulheres Negras Fala Preta, a oficina "Rompendo o Teto de Cristal", coordenada por Beatriz Cannabrava, sócia-educadora da Rede Mulher de Educação.
Trabalhando os temas de auto-estima, gênero, poder e liderança, conflitos e negociação, a oficina direcionou seu enfoque para a questão étnica e racial. Participaram quinze mulheres, integrantes da Fala Preta e participantes de seus projetos sociais.
A avaliação final considerou que a oficina atendeu às expectativas e que se constituiu em um ponto de partida para abordar as questões ligadas à liderança no movimento de mulheres, especificamente, no movimento de mulheres negras.
"Liderança é algo que se adquire, então, vou precisar ser preparada para direcionar um grupo, sabendo delegar, negociar, ouvir e aceitar idéias novas. Não ser só a melhor. De repente qualquer pessoa bem preparada pode ser líder, independente de ser homem, mulher, branco ou negro, índio ou outra etnia", avaliou uma das participantes.
Rede Mulher assessora em Planejamento Estratégico
O Serviço à Mulher Marginalizada, com sede na Praia Grande, recebeu assessoria da RME na área de Planejamento Estratégico, ocasião em que foram traçadas as propostas de ação para o Plano Trienal 1999-2001. A oficina foi coordenada por Beatriz Cannabrava. Participaram membros da diretoria, da coordenação executiva e da equipe técnica do SMM, entidade que assessora e articula as Pastorais da Mulher Marginalizada em todo o país, capacitando agentes para o trabalho com prostitutas e adolescentes em situação de risco.
Mulheres conquistam cargos na executiva da CONTAG
A participação das mulheres no 7o. Congresso Nacional de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, realizado em Brasília, de 30 de março a 3 de abril, foi histórica. O Congresso reuniu cerca de 2 mil líderes sindicais de todo o Brasil, representando aproximadamente 10 milhões de trabalhadores rurais.
As mulheres representaram cerca de 40% dos credenciamentos. Na nova diretoria, elas conquistaram cargos na executiva da entidade. Dos dez membros eleitos, três são mulheres. A companheira Maria da Graça Amorim, do Maranhão, assume a Secretaria de Políticas Sociais, e a companheira Maria de Fátima Rodrigues da Silva, do Piauí, a de Formação Sindical. A nova coordenadora da Comissão Nacional de Mulheres é Raimunda Celestina de Mascena, do Ceará, que, a partir de agora, terá os mesmos direitos dos da executiva.
Segundo Jacy Vanz Perin, coordenadora da Comissão Estadual de Mulheres Trabalhadoras Rurais (que é ponto focal da RME), da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná-FETAEP, "foi uma longa luta, pois há mais de trinta anos que a Contag existe e só agora foi possível a participação das mulheres na executiva". Jacy também enfatizou que "no ano passado, as mulheres trabalhadoras rurais de todo o país, ligadas ao movimento sindical, trabalharam para que a cota mínima de 30% de participação das mulheres como delegadas no 7o.Congresso fosse aprovada no regimento interno. Por isso, elas fizeram um trabalho de conscientização com os dirigentes sindicais sobre a importância da participação da mulher no movimento sindical".
Ainda durante o congresso, foi trabalhada a reforma estatutária, conseguindo-se que a cota mínima de 30% fosse aprovada em todas as instâncias do Movimento Sindical.
A Rede de Mulheres no Rádio surgiu em 1995, a partir dos laboratórios de capacitação no uso do rádio para mulheres, realizados pelo CEMINA - Centro de Projetos da Mulher, uma organização não-governa-mental com sede no Rio de Janeiro e que se dedica a projetos de comunicação e gênero, principalmente no veículo rádio. As mulheres que participaram destes laboratórios sentiram necessidade de dar uma continuidade a essa troca de experiências, discutir a linguagem de programas com a preocupação de gênero e fortalecer a posição das mulheres dentro das rádios, sejam comerciais ou comunitárias.
E assim surgiu a Rede de Mulheres no Rádio. As participantes são na sua maioria comunicadoras à frente de programas dedicados às mulheres, mas também participam aquelas que não têm programa próprio, mas estão inseridas na gestão das rádios ou que no seu trabalho político consideram que o rádio é um espaço que deve ser ocupado pelas mulheres.
O CEMINA, que faz a coordenação da Rede, oferece assessoria a todas as mulheres comunicadoras filiadas, envia material gravado, o boletim "Sintonia Fina" com notícias das atividades que as comunicadoras de rádio andam fazendo por este Brasil afora, e organiza anualmente um Encontro Nacional. Neste ano, o VI Encontro acontecerá no período entre 21 e 24 de julho, em São Luiz do Maranhão, homenageando pela primeira vez as comunicadoras de rádio do Nordeste. O Encontro terá início com um Laboratório de Capacitação em Comunicação e Gênero no Rádio.
A Rede já adquiriu visibilidade própria, sendo convidada a participar de eventos locais, nacionais e até latino-americanos. No momento, para auxiliar o trabalho dessas comunicadoras, o CEMINA está preparando novos materiais e cursos de capacitação em gênero, que estarão prontos por ocasião do IV Encontro Nacional.
Quem estiver interessada em cair nesta Rede, é só entrar em contato: Rua Álvaro Alvim, 21, 16o.andar, CEP 20031-010, Rio de Janeiro-RJ, telefone (021) 262-1704, fax (021) 262-6454, e.mail:
Rádio Comunidade de Friburgo comemora aniversário
A Rádio Comunidade, 106,1FM - "A rádio que ouve você" - comemorou oficialmente seu primeiro aniversário, dia 23 de maio, com uma grande festa na principal praça da cidade. Houve apresentação de bandas, grupos regionais de música, teatro, coral, artes plásticas, escolas e outros.
Segundo Nina Magalhães, sócia-educadora da Rede Mulher de Educação e uma das coordenadoras da emissora, "a Comunidade é uma das rádios mais conhecidas do estado do Rio, por ser uma rádio com perfil bastante comunitário e com uma energia bem feminina. Na emissora, têm vez e voz as associações de moradores, sindicatos, grupos de jovens, aposentados, mulheres, grupos religiosos, entre outros."
Está no ar das 7h às 19h, com trinta programas envolvendo mais de 70 pessoas da comunidade. Pela manhã, fala-se muito na Rádio e à tarde a boa música levanta o astral da cidade.
A Rádio se auto-sustenta através de apoios culturais, patrocínios, venda de horários, permutas, parcerias e contribuição de sócios. Nasceu em 94, dentro de uma ONG chamada PREÁ-Programa Rural de Educação Ambiental, e, em 1997, constituiu-se como Associação Civil com representantes de várias entidades friburguenses. Valeu a resistência: é o que pensa a atual diretoria.
Contatos com a Rádio Comunidade podem ser feitos através do telefone (024) 522-3444, Caixa Postal 97488, CEP 28601-970, Nova Friburgo-RJ, e.mail:
Experiência Brasileira de combate à desnutrição é modelo para a Bolívia
A equipe do Ministério da Saúde do Brasil realizou um trabalho de assessoria e apresentação da experiência brasileira com alimentação alternativa para combater a desnutrição infantil, no período entre 2 e 11 de março, em La Paz. O trabalho foi proposto e coordenado pelo assessor do Ministério da Saúde da Bolívia, Tito Chacon. Entre as atividades desenvolvidas, destacam-se discussões da proposta de assessoria para a implementação de programas de combate à desnutrição, com técnicos do Ministério, serviços de saúde regionais e locais, PAN, OPAS e Pastoral da Criança da Igreja Católica, que estão diretamente envolvidas no trabalho de combate à desnutrição infantil. Também ocorreu um seminário sobre o tema e visitas a locais onde se cultiva quinua. Como resultados práticos, o açúcar distribuído em programas da Bolívia será enriquecido com uma multimistura e será introduzida a farinha de multimistura no programa de gestante.
Rede Mulher lança cursos para o segundo semestre
A Rede Mulher de Educação vai oferecer diversos e interessantes cursos no segundo semestre deste ano, procurando atender tanto a uma demanda específica, quanto generalizada. Ente eles, estarão: Dinâmicas de Grupo para Processos Educativos; Ecofeminismo; Gênero e Liderança (voltado para mulheres e homens no exercício da liderança); Tecelagem e Tapeçaria em Tear Manual (trabalhando-se a auto-estima e a geração de renda); Alimentação Viva e Enriquecida (o segredo de vitalidade para o final de milênio).
Os cursos serão ministrados na sede da RME, pelas diversas sócias-educadoras da entidade. Maiores informações podem ser obtidas através do telefone (011) 3873-2803, fax (011)3862-7050, email:
Participe você também do 2o.concurso da Ashoka
Anote bem: o prazo vai até 31/07/98, para sua organização social enviar projeto para o "2o. Concurso de Idéias Inovadoras em Captação de Recursos - 1998", promovido pela Ashoka Empreendedores Sociais.
As organizações sem fins lucrativos e entidades filantrópicas podem atuar em diferentes áreas sociais (educação, saúde, meio-ambiente, infância, deficiência, mulheres, negros etc), em âmbito municipal, estadual ou nacional. Trata-se de um concurso que visa estimular idéias inovadoras em mobilização de recursos nacionais.
Serão premiadas as cinco idéias mais criativas, que apresentem elementos, métodos ou estratégias inovadoras de mobilização de recursos dentro do país. O prêmio será de R$5.000,00 para cada uma das cinco organizações premiadas, para investimento no desenvolvimento da idéia. As dez idéias finalistas receberão treinamento em captação de recursos e estratégias de comunicação.
Será aceita apenas uma inscrição por organização. Existe uma ficha própria a ser preenchida e que deve ser enviada juntamente com a idéia concorrente, por correio ou fax (011)5189-1700.
Maiores informações pelo telefone (011) 5189-1461.
Cunhary é premiado
O Informativo Cunhary foi eleito um dos dez melhores jornais culturais do ano de 1997. O prêmio foi outorgado pela Sociedade de Cultura Latina do Brasil, a quem agradecemos.
Mais prêmios: quebradeiras de coco do Bico do Papagaio e Coopa-Roca
O Concurso Latino-americano de Empreendimentos Econômicos Liderados por Mulheres, promovido pela REPEM, premiou, no Brasil, a experiência da ASMUBIP-Associação Regional das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Bico do Papagaio e da Coopa-Roca - Cooperativa de Trabalho Artesanal e de Costura da Rocinha.
A ASMUBIP foi criada a partir da luta das mulheres pelas suas terras e contra a grilagem, tendo como objetivo articular as quebradeiras de coco babaçu do Bico do Papagaio (Tocantins). Emília Alvez da Silva (comadre Emília) é uma das coordenadoras. A Rede Mulher de Educação mantém um trabalho junto a elas, há vários anos, visando o empoderamento dessas heroínas.
A Coopa-Roca surgiu do interesse das mulheres da Rua Um (parte mais alta da favela da Rocinha), em desenvolver e comercializar produtos artesanais feitos com retalhos de tecidos, introduzidos na região pela arte-educadora e socióloga Maria Teresa Leal.
No Brasil, o concurso ficou sob responsabilidade de Hil-dezia Medeiros (Caces), coordenadora regional da Repem. A coordenadora geral é Celia Eccher, de Montevidéu/Uruguai,
As experiências latino-americanas premiadas serão sistematizadas e publicadas pela Repem, em um Manual Propositivo de Lobby, como ferramenta capaz de influenciar normas, procedimentos e políticas que gerem condições favoráveis ao exercício dos direitos cidadãos das mulheres e alívio da pobreza.
Geração de renda via parceria
Contextualizando o panorama econômico nacional e mundial, Miriam Duailib, consultora independente e especialista no tema, iniciou sua palestra enaltecendo a importância das pequenas experiências como geradoras de trabalho e renda. O evento ocorreu no dia 30 de abril, promovido por Matéria Livre Eventos, sob coordenação de Marlene Nascimento. Os demais palestrantes eram representantes do Sebrae.
Miriam falou sobre as principais dificuldades, entre elas, os mecanismos de divulgação que são caros, a pouca possibilidade de financiamento e a dificuldade de acesso ao crédito consistente (longo prazo, baixo custo) especialmente para capital de giro. Como estratégias de enfrentamento da situação, ela sugeriu as compras solidárias (associações com lojistas e/ou pequenos produtores para compras no atacado; divulgação conjunta para barateamento de custos em eventos de comercialização (feiras); associação com empresas para exportação ao Mercosul; preços convidativos (promoções) para formação rápida de capital de giro; formação de cooperativa de crédito para o setor e apresentação de propostas de crédito solidário (aval conjunto) para os órgãos de financiamento estatais (BNDES, BB, CEF).
A Rede Mulher teve um stand de divulgação de seu trabalho, sob coordenação de Walkíria Ferraz.
Novib discute indicadores e capacita
em estratégias financeiras
Com a presença de representantes de cerca de quarenta contrapartes brasileiras, a Plataforma NOVIB 98 aconteceu em Salvador-BA, nos dias 1 e 2 abril, com outros dois dias dedicados à oficina sobre Estratégias Financeiras. A NOVIB esteve representada por Anneke Jansen (responsável por projetos da América do Sul), Rosa Borges (projetos das regiões Norte e Nordeste brasileiras), Adolfo Lopez (projetos das demais regiões brasileiras).
Anneke salientou a importância de se atentar aos indicadores de impacto das atividades, "pois o futuro da cooperação depende de se mostrar resultados práticos e positivos". Isto implica na identificação dos tipos de resultados que se tem produzido na construção da sociedade civil, sustentabilidade democrática, construção de novos valores, combate à pobreza e exclusão, entre outros.
Depois da exposição da Novib sobre a conjuntura européia, quatro contraparentes forneceram um panorama brasileiro. Houve um consenso em torno da afirmação de que a luta no Brasil deve ser contra as causas estruturais da pobreza, e não voltada para o assistencialismo. É com a promoção da cidadania que se combate as causas da pobreza. Também destacou-se a existência de uma grande variedade de movimentos sociais no Brasil, mas com forte fragmentação, exigindo uma inter-relação dos movimentos e das políticas.
Durante o debate de indicadores, ficou clara a dificuldade da maioria das contrapartes de realizar uma análise em termos quantitativos, muito maior do que qualitativos. Foi criado um Grupo de Trabalho que vai atuar no avanço do tema.
Durante a apresentação e discussão do Fundo Novib de Pequenos Projetos, que é administrado pela Fase, optou-se pela formação de um comitê de avaliação composto por representantes de diferentes regiões brasileiras.
Lisbeth - responsável pelo Programa de Gênero da Novib - falou sobre as dificuldades internas com o trabalho, os compromissos e encaminhamentos. Todas as contrapartes Novib devem perpassar a questão de gênero em seus projetos. Depois, juntamente com Silvia Camurça - da SOS Corpo - coordenou uma pequena oficina sobre o tema.
Estratégias Financeiras: tímido avanço é caracterizado pela falta de estrutura e risco da perda de identidade
A oficina sobre Estratégias Financeiras, coordenada por Ricardo Wilson-Grau - assessor da Novib - e facilitada por Sebastião Soares - da Desenvolvimento / Consultoria e Planejamento, caracterizou-se por um intercâmbio de experiências, exercícios didáticos, discussão e trabalho em grupo. Os principais obstáculos apontados para a conquista de novas fontes de financiamento foram: dificuldade de se montar uma estrutura voltada para a captação de recursos; risco da perda de identidade; dependência externa e momento de transição; redução drástica dos recursos institucionais; falta de incentivo governamental e o descompasso entre as exigências das agências financiadoras e a escala das organizações. Como oportunidades efetivas foram citadas, pela maioria, a diversificação de parcerias, a exploração de novos canais e novas tecnologias, a venda de serviços a governo local e acesso a verbas públicas, além do aproveitamento do know-how das Ongs.
A oficina foi encerrada com a análise de Sebastião Soares, que frisou o desafio para grandes questões políticas. O "Marco Legal", que vem sendo discutido em várias instâncias, é decisivo para o futuro das Ongs e pode acontecer à revelia. Em sua avaliação, "não há conflitos entre captar recursos governamentais ou empresariais, mas há riscos, e cabe a nós não nos enclausurarmos, mas enfrentarmos a situação". Também ressaltou a necessidade de articulação, criação de uma rede entre as contrapartes, como uma instância intermediária para o relacionamento com grandes organismos.
O encontro em Salvador ficou a cargo do grupo facilitador formado por representantes da AATR e CEAS (da Bahia), e SOS Corpo e Caatinga (Recife). A próxima plataforma estará sendo organizada por contrapartes cariocas.
Rede Mulher vai publicar experiência nacional em gênero e liderança
Depois de quase três anos de formação de multiplicadoras em gênero e liderança pelo Brasil, tanto em áreas urbanas, quanto rurais, está em fase de preparação uma rica publicação sobre o tema, em português e espanhol. Os Pontos Focais da RME, espalhados por dez Estados brasileiros, foram os grandes agentes deste processo, formando lideranças pelas mais longínquas regiões.
A publicação será dirigida a lideranças efetivas ou potenciais, fornecendo subsídios práticos e teóricos em gênero e liderança. A RME busca alguns patrocinadores para a fase final de editoração, impressão e lançamento. Quem estiver interessado, deve entrar em contato com Denise Carreira, coordenadora técnica do projeto, através do telefone (011) 3872-2803, fax (011) 3862-7050, e-mail: rdmulher@novasociedade.com.br.