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Agosto/Setembro 1998

Cunhary Informa nº 30
Uma publicação da Rede Mulher de educação
Editora: Vera Vieira
Colaboração: Beatriz Cannabrava, Denise Carreira, Maria José L.Souza, Moema Viezzer e Ruth Takahashi.
Tiragem: 3.000 exemplares
Apoio: Novib/Holanda

Distribuição: filiadas/os, ONGs nacionais e internacionais, entidades públicas e privadas.

CARTAS

Fala de homens

Chegou-me às mãos o número 27 do Cunhary.

Seus artigos despertaram meu interesse porque trazem a fala de homens sobre a questão de gênero.

Sou autora do projeto Mulher em Movimento, que pretende realizar o I Fórum de Debates sobre a Mulher e o I Encontro de Profissionais e Entidades a Serviço da Mulher Joinvilense, que será realizado de 06 a 09 de março de 1999.

Gostaria de contatar os autores dos artigos do Cunhary 27, Marcelo Grondin, Marcos Sorrentino, Antônio Zarantonello, Hamilton Faria, Flávio Carranca e Sérgio Haddad, para participar do evento, como debatedores. Será um Fórum sobre a Mulher e não um Fórum da Mulher, que é Mulher em Movimento e não um movimento de mulheres. Penso que as medidas coletivas devam ser produzidas a partir da reflexão, da discursão e da tomada de posições coletivas.

Maria Aparecida de Freitas Romais Projeto "Mulher em Movimento"
Fone: (047) 425-4699
e.mail: romais@cbj.g12.br
Joinvile/SC

"Fala Mulher" em Rondônia

Iniciou esta no intuito de partilhar minha nova experiência e contar com a cooperação de todas, pois iniciei a produção e apresentação do nosso "Fala Mulher – Rádio Clip FM – Costa Marques/RO, com a intenção de informar, principalmente, às mulheres de nosso município, porém, falta-me material para a elaboração do mesmo. Assim, venho solicitar o apoio da Rede Mulher e de todas as entidades que puderem contribuir para o enriquecimento do nosso "Fala Mulher".

Desde já, agradeço a atenção e colaboração de todas as pessoas.

Berenice Azevedo
Travessa 38, nº 1482
78971-000 – Costa Marques/Rondônia

Temas com impacto na Bolívia

Sempre recebemos o Informativo Cunhary, e gostaríamos de salientar o excelente conteúdo dos mesmos. No número 24, foi feito um editorial magnífico, por seu conteúdo e valentia, criticando o Ministro da Saúde ("E se a filha do Ministro da Saúde fosse estuprada?"). Além disso, é um tema que se repete em todos os nossos países cotidianamente e que Brecht expressou muito bem: "...luego me toco a mi... y ya no habia remédio...".

No número 25, o tema da segurança alimentar teve um grande impacto, particularmente para mim que atuo com trabalhadores/as rurais de Santa Cruz, Cochabamba e La Paz, e tenho acompanhado essa problemática. Em nosso programa de rádio "Palavra de Mulher", reproduzimos o material sobre o tema, e estamos tentando que se publique em um jornal de circulação nacional, com o objetivo de comemorar a Semana da Segurança Alimentar, de 3 a 7 de agosto.

Para todas nós, é muito importante continuar recebendo o Informativo Cunhary. Agradecemos profundamente e enviamos um abraço a todas.

Maria Eugênia Canedo
Colectivo Rebeldia
Santa Cruz/Bolívia

Sexualidade Masculina e Paternidade

O GESMAP/ECOS – Grupo de Estudos sobre Sexualidade Masculina e Paternidade – funciona na ECOS – Estudos e Comunicação em Sexualidade e Reprodução Humana – e reúne profissionais, homens e mulheres, que têm em comum o interesse pelo estudo das questões relativas às masculinidades, buscando incentivar a implementação de propostas de investigação e/ou intervenção com e sobre homens, a partir de perspectivas, temas e campos de formação e atuação variados.

Através do "Boletim GESMAP", eletrônico/mensal pretendemos estar atualizando os interessados com um breve resumo da reunião mensal do nosso grupo, publicações sobre o tema, principalmente as mais recentes, além da agenda de eventos relacionados aos estudos, pesquisas e intervenções envolvendo os homens e as masculinidades.

Caso você se interesse em receber este boletim, favor nos enviar um e.mail, simplesmente escrevendo no subject "Quero receber o Boletim GESMAP". Teremos prazer em enviá-lo.

GESMAP/ECOS

e.mail: beneditomedrado@uol.com.br

BOAS NOVAS

Marcha Mundial das Mulheres em 2000

A idéia de realizar uma marcha mundial de mulheres no ano 2000 surgiu a partir da Marcha das Mulheres contra a Pobreza, realizada em Quebec, Canadá, em 1995, e se desenvolveu por iniciativa da Federação das Mulheres daquela província. Segundo a Federação, a Marcha Mundial das Mulheres é um projeto de ações concretas do qual podem participar organizações não-governamentais de mulheres, comitês de mulheres em grupos misto e organizações mistas, nas quais as mulheres assumam a liderança dessa proposta. Os temas principais serão a pobreza e a violência contra as mulheres, com as seguintes propostas: um voto em massa das mulheres, a partir de reivindicações comuns entre os dias 8 de março e 17 de outubro de 2000; uma ação nacional pleiteando demandas específicas de cada país; uma ação mundial, que terá lugar no dia 17 de outubro de 2000.

Segundo suas organizadoras, o conjunto do projeto deve integrar uma campanha de educação popular destinada a sensibilizar o mundo todo no que se refere às realidades vividas pelas mulheres e angariar apoio às alternativas propostas pelo movimento de mulheres.

Em julho de 1998, já haviam aderido à proposta 617 grupos de 86 países, sendo 53% só de mulheres e 47% grupos mistos. A maior parte trabalha no nível local e nacional, 16% atuam no nível regional e outros 16% têm atuação internacional.

A Rede Mulher de Educação integra uma comissão formada em São Paulo, com a participação de representantes de ONGs de mulheres e das três centrais sin-dicais – CUT, CGT e Força Sindical, que assumiu o compromisso de divulgar a pró-posta e estimular a formação de comitês locais e estaduais, articulados com vistas à realização de um encontro nacional em 1999, para definir as formas de partici-pação das mulheres brasileiras.

Material informativo pode ser solicitado diretamente à Federação de Mulheres do Quebec, no seguinte endereço: 110, rue Ste. Thereze, 307 – Montreal/Quebec/Canadá – H2Y1E6, ou pelo e.mail: marche2000@ffq.qc.ca

Concurso de dotações para pesquisa

"Homens, Masculinidades"

Até o dia 30/10/98 (data da postagem), estarão sendo aceitos projetos para um concurso temático, focalizando homens, sexualidade e reprodução, acolhendo estudos abrangentes que, incorporando a perspectiva de gênero, contribuam para o aprofundamento do tema. O programa de dotações para pesquisa sobre direitos reprodutivos na América Latina é uma iniciativa da Fundação Carlos Chagas, com recursos da John D. and Catherine T. MacArthur Foundation. As pesquisas deverão ser desenvolvidas durante doze meses e o limite máximo para cada projeto aprovado será de US$14,000.00, liberados em quatro parcelas.

Qualquer pessoa ou grupo de pessoas residentes em país da América Latina ou Caribe podem concorrer, com projetos a serem desenvolvidos no país de sua residência.

Não serão aceitas propostas enviadas por fax ou e.mail. Os resultados serão comunicados até o final de março de 1999. Para maiores informações sobre a abrangência das linhas de pesquisa e a forma de apresentação dos projetos, contatar: Fundação Carlos Chagas – PRODIR III – Av. Prof.Francisco Morato, 1565 – CEP: 05513-900 – São Paulo, fone: (011)813-4511, fax: (011)813-1059, e.mail: prodir@fcc.org.br. (home-page:http://www.fcc.org.br).

Fundo de Capacitação e Desenvolvimento de Projetos

O FCDP, da Fundação MacArthur, oferece bolsas para um período de um a dois anos, no valor de US$24,000.00 anuais, para o desenvolvimento de projetos apresentados por pessoas interessadas em ampliar conhecimentos e propor soluções para problemas relacionados à saúde reprodutiva e aos direitos reprodutivos. A abordagem deve demonstrar sensibilidade à equidade das relações de gênero, raça e classe social. Podem concorrer mulheres e homens brasileiros ou com residência permanente no Brasil.

Incentiva-se candidatos/as das àreas do Direito, Comunicação e Mídia, institucionalmente inseridos ou não. No entanto, o Fundo permanece aberto a candidatos/as ligados aos diferentes movimentos sociais, organizações não-governamentais, programas de ação comunitária, instituições de pesquisa e ensino, políticas públicas e profissionais liberais. O Fundo não se destina a projetos acadêmicos e nem a trabalhos para fins de titulação.

O prazo para envio do formulário de pré-proposta é 10/11/98 (data da postagem). Para obtê-lo, contratar: Fundação MacArthur – Área de População – Fundo de Capacitação e desenvolvimento de Projetos – Al.Min.Rocha Azevedo, 1077-cj.42 – CEP 01410-003 – São Paulo/SP, fone (011) 3061-1316, fax: (011) 280-0548.

"A crua realidade é que a subordinação econômica e sexual das mulheres é um combustível para a disseminação da AIDS"

A conclusão é da OMS (Organização Mundial de Saúde), diante das estatísticas comprovando o crescimento assustador de mulheres com AIDS: no início da década de 80 – quando a epidemia veio à tona – existiam 40 doentes com AIDS para cada mulher. Hoje, a proporção é de dois casos masculinos para um feminino.

"Podemos considerar a AIDS como a tinta que desenhou, em contraste, as principais fragilidades da humanidade atual. E que colocou um grito no silêncio das mulheres. O mundo acorda para o interrogante: porque um vírus que contamina tanto homens quanto mulheres, está crescentemente afetando às mulheres de maneira desproporcionada?". É assim que a Dra. Carmen Felicitas Lent finaliza a publicação intitulada "AIDS – A Vulnerabilidade das Mulheres", divulgada em agosto último pelo CNDM (Conselho Nacional dos Direitos da Mulher).

As estatísticas apontam que existem no mundo 18 milhões de adultos e 1.5 de crianças com a doença. A cifra para as mulheres contaminadas é de 7 a 8 milhões, devendo chegar a 14 milhões no ano 2000, das quais 4 milhões terão falecido. A previsão para a virada do milênio tem um dado alarmante: cerca de 80% das infecções pelo HIV ocorrerão de relações sexuais entre homem e mulher, aumentando o índice entre mulheres em idade fértil e, consequentemente, em crianças.

Tanto em homens, quanto em mulheres, o grupo mais atingido está na faixa etária entre 15 e 24 anos.

"Meninas boazinhas" sabem e falam pouco sobre sexo

"O empoderamento político, social, econômico e legal das mulheres é essencial para exercer escolhas sexuais e reprodutivas e para tomar precauções preventivas da contaminação". Este é um dos mais importantes princípios defendidos pelo Plano Nacional de DST/ AIDS do Ministério da Saúde.

Partindo da constatação de que a transmissão sexual é responsável pela maioria das infecções pelo HIV nas mulheres, a OMS (Organização Mundial de Saúde) ressalta o preocupantes resultados obtidos por investigadores em quase todos os países:

As "boas mulheres" sabem pouco e não falam de temas relativos ao sexo.

Taticamente, é aceitável a multiplicidade de parcerias sexuais para homens.

Preservativos são considerados apropriados apenas em relações sexuais clandestinas.

"Aparentemente, estas mulheres têm escassos conhecimentos sobre reprodução e desconhecem os sintomas de doenças sexualmente transmitidas. Devido aos papéis tradicionalmente atribuídos ao gênero, a maior parte das mulheres fica sob o controle do seu parceiro durante a relação sexual."

Os dados recolhidos e a visão a respeito da realidade das mulheres deram origem a dez recomendações complementárias de políticas e programas, entre elas: ministrar a meninas e mulheres jovens a educação básica sobre o próprio corpo e a sexualidade humana, e proporcionar informação específica a respeito da infecção por HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis; educar as mulheres no uso do preservativo e na negociação com o parceiro; apoiar as campanhas da mídia que eliminam o estigma do uso do preservativo, enfraquecendo sua associação com as práticas sexuais ilícitas; promover a responsabilidade sexual e familiar em programas destinados a homens e adolescentes masculinos; melhorar a situação econômica das mulheres mediante créditos, adestramento para adquirir aptidões, possibilidadede emprego e acesso à educação primária e secundária.

Em nome da vida, sexo só com camisinha!

A realidade nua e crua está escancarada. Não adianta tapar o sol com a peneira. Sexo sem proteção leva ao alto risco de contaminação pelo HIV, vírus da AIDS, que leva à morte, pois não há cura para a doença.

Outra realidade que não dá mais para negar: todo mundo pertence a um único grupo risco. A trágica evolução da epidemia nos força a rever, urgentemente, uma posição muito bem definida pela Dra. Carmen Felicitas Lent: "Quem se considerava ‘normal’, isto é, sem contato direto com uma destas ‘agrupações’ (homossexuais, usuários de drogas e hemofílicos), descansou na sua ‘impunidade’. Isto é, a AIDS foi – e ainda é para uma expressiva maioria – considerada o ‘castigo’dos que agem fora das convenções. Quem não se considera ‘punível’, olha de longe o muro por trás do qual situa-se o desvio."

O "refazer cultural"

Já está constatado que as infecções pelo HIV nas mulheres ocorrem por transmissão sexual.

Culturalmente, as relações sociais entre homens e mulheres estão marcadas pelo binômio dominação/subordinação? Por isso, as mulheres "esperam" o homem decidir se vai ou não usar camisinha? Quem tem parceiro fixo não consegue falar sobre o assunto? Tem gente que acha chato e incômodo usar camisinha?

Não há tempo para muito questionamento. Sexo, só com camisinha, a única maneira segura de se evitar a contaminação da doença. O recente lançamento da camisinha feminina veio a facilitar a decisão da utilização por parte da mulher.

É em nome da vida que se deve quebrar com os preconceitos e revisar a questão cultural. O "refazer cultural" faz-se urgente em nome da própria existência. A epidemia se alastra e este assunto tem relação direta com cada uma/um de nós.

Cobrar políticas públicas

O governo brasileiro tem em mãos dados estatísticos e analíticos da trágica situação da epidemia e do assustador aumento da doença entre as mulheres. O aumento é ainda mais progressivo em mulheres com pouca ou nenhuma instrução, aquelas que já têm a saúde mais ameaçada devido a sua condição sócia-econômica.

Teoricamente, as políticas públicas comtemplam atacar a questão nas áreas de saúde, de educação e economia.

Cabe a cada uma de nós a cobrança pela concretização dessas políticas, como o Plano Nacional de DST/AIDS do Ministério da Saúde, programas de crédito e formação, acesso à educação e currículo com diretrizes voltadas à educação sexual com perspectiva de gênero. A nova LDB (Lei de Diretrizes Básicas) e os Parâmetros Curriculares para os ensinos Fundamental e Médio trazem um rico conteúdo nesse sentido, e o MEC estipula um prazo máximo de oito anos para a completa adoção. Mas, estariam as professoras/es preparadas/os para esta tarefa? Não seria o caso do governo utilizar o incontestável know-how das ONGs brasileiras em programas de formação?

O monitoramento e a pressão sobre a mídia também é uma tarefa importante que nos cabe. Com o avanço tecnológico e a globalização, os meios de comunicação de massa tornaram-se, mais do que nunca, um espaço de formação com poder incalculável, repleto de estereótipos e preconceitos sexistas, que retardam o equilíbrio das relações de gênero.

Para o próximo milênio, as previsões estatísticas – de um número ainda maior de mulheres do que de homens com AIDS – só cairão por terra, com a igualdade das relações, em todos os aspectos.

MULHERES EM MOVIMENTO

"Pensar globalmente, comer localmente"

"Mulheres Alimentam o Mundo" é o título do Dia Internacional da Alimentação que se celebra anualmente em 16 de outubro. No mundo inteiro as mulheres estarão comunicando o que entendem por nutrição e buscando formas de reverter o processo de destruição do ser humano em função da alimentação deteriorada pelos padrões de produção e consumo globalizados.

"Pensar globalmente, comer localmente" é um dos lemas levantados pelo movimento de mulheres na última conferência sobre a alimentação promovida pela FAO, em 1996. Diversos Pontos Focais da Rede Mulher de Educação, espalhados pelo Brasil, marcam presença nas reflexões e propostas que esta data sugere.

"Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável" é o tema de um Encontro Nacional promovido por um grupo de ONGs que vem trabalhando sobre o tema desde a Conferência Mundial da Alimentação. A Rede Mulher de Educação, em parceria com ORIGEM (Pernambuco), participará do evento com a contribuição sobre a análise das relações de gênero nas questões relativas à alimentação. O encontro será realizado em São Paulo, nos dias 3,4,5 de novembro. Maiores informações com Moema L. Viezzer, através do telefax: (045)252-7873 e do e.mail: moema@certto.com.br

Trabalhadoras rurais lançam memória de encontro internacional

Uma rica publicação foi lançada para registrar o denso conteúdo do 1º . Encontro Latino-Americano e do Caribe da Mulher Trabalhadora Rural, sediado no Brasil, na cidade de Fortaleza, Ceará, realizado no período entre 15 e 19/09/96, com um total de 237 participantes.

O material resgata o trabalho das mulheres rurais de 21 países, durante o encontro, refletindo a vida cotidiana, a organização, as aspirações e os compromissos de todas elas. "Somos conscientes de que não é possível registrar só nesta memória, toda a riqueza, dificuldades e experiências vividas. Esta memória está dedicada a todas nós que participamos deste evento para que lembremos e tentemos cumprir os compromissos assumidos. Este Encontro foi possível graças ao esforço coletivo, principalmente das trabalhadoras rurais", ressaltam as organizadoras na apresentação da publicação.

Entre os temas abordados estão: auto-valoração e corpo, identidade, violência, desenvolvimento e preservação do meio ambiente, globalização: políticas agrícolas e agrárias, práticas organizativas e principais, comunicação/autonomia/poder, Beijing.

Valéria Barreto, sócia-educadora da Rede Mulher de Educação e responsável pelo Ponto Focal "Mãos Mineiras", de Lima Duarte-MG, foi a responsável pelas oficianas de relaxamento e harmonização.

Quem se interessar por esta publicação deve contatar a entidade brasileira responsável pelo Encontro, MMTR/NE (Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste, fone: (081)831-2051, para verificar possibilidade de envio.

Jovens do mundo formam aliança

A brilhante idéia surgiu durante o Encontro Internacional "Aliança XXI", promovido pela "Aliança por um Mundo Responsável e Solidário", uma rede coordenada pela FPH-Fundação para o Progresso da Humanidade, e realizado em Bertioga-SP, no período entre 1 e 7/12/97, com a presença de lideranças sociais e empresariais de mais de 80 países. Os/as jovens presentes decidiram se unir e promover uma aliança mundial. A responsável brasileira é Soraia Mello, que esteve, no final de maio, na Índia, para participar do Youth Workshop da Aliança, com mais de 14 representantes de outros países. "O encontro foi o primeiro contato da recente equipe jovem internacional. Agora estamos trabalhando via internet. O objetivo é formarmos uma rede mundial sobre juventude, ligando redes, grupos e movimentos já existentes ao redor do mundo, fortalecendo e dando visibilidade a todos", diz ela. Além disso, será importante divulgar iniciativas já existentes, como é o caso do Encontro Mundial de projetos da Juventude, promovido pela ONU, com a participação de jovens com menos de 18 anos que, conjuntamente, irão promover soluções para a paz mundial. O encontro irá ocorrer em Londres, em 07/99, e na Austrália, em 2000. Em breve, pretende-se realizar no Brasil um encontro sobre desemprego, entre os diversos grupos juvenis do país. Para participar de todas as iniciativas, basta contatar Soraia Mello, telefone: (011)3871-0701, e-mail: iaia@uol.com.br.

AME: muito além de "guardar crianças"

A AME (Associação das Mulheres pela Educação), de Osasco, Ponto Focal da Rede Mulher de Educação, realizou recentemente a I Exposição de Arte na Creche, no Plaza Shopping. A mostra, intitulada "Pequenos Artistas, Grandes Valores" contou com desenhos e pinturas feitos por crianças de 1 a 6 anos, que estudam em sete das dez creches mantidas pela AME.

Com a imaginação à solta, a criançada pintou o sete, produzindo trabalhos que encantaram o grande público que prestigiou a exposição.

A AME desenvolve uma proposta diferenciada, que não se restringe a "guardar crianças". Volta-se para projetos culturais, de saúde, geração de renda etc.

Em parceria com a Rede Mulher de Educação desenvolve o projeto "Educar para a Vida", que prepara as pessoas que nela trabalham para desempenhar um papel renovador, que contribua para a construção de uma sociedade mais justa, rompendo com as subordinações de gênero, raça e classe.

A AME tem suas raízes fincadas na iniciativa de algumas mulheres de Osasco, no início dos anos 80. As atividades da entidade nunca pararam de crescer, beneficiando toda a comunidade local. Entre agosto e outubro deste ano, foram realizados cursos profissionalizantes gratuitos nas áreas de costura industrial, tecelagem em tear manual e culinária. As alunas de costura industrial aprenderam a confeccionar lingerie, peças em malha e moletom; o manejo do tear permitiu a criação de bolsas, xales, tapetes e outros utilitários. O grupo de culinária aprendeu a preparar pratos para congelar, salgadinhos, bolos e doces para festas.

No dia 17 de outubro, será realizado, na sede da AME, um bazar onde serão expostos e estarão à venda os artigos produzidos pelas participantes dos cursos. Para 1999, a proposta é, além da continuidade dos cursos, a formação de grupos de produção nas três áreas.

Para isso, já estão sendo encaminhados projetos solicitando apoio para a capacitação das mulheres nas áreas de organização, gerenciamento e comercialização.

RME realiza Encontro Nacional: geração de renda e educação

Nos dias 31/10 e 01/11, a Rede Mulher de Educaçao vai realizar seu Encontro Nacional, enfocando dois temas de grande relevância: "Gênero e Liderança nos Projetos de Geração de Renda" e "Gênero, Educação e Cidadania – Influência em Políticas Públicas". A oficina sobre geração de renda será administrada por Miriam Duailib, uma das maiores especialistas brasileiras no assunto, e por Beatriz Cannabrava, que é especializada em gênero. A oficina sobre educação será coordenada por Maria Clara Di Pierro, que trabalha na Ação Educativa e é profunda conhecedora do assunto, e vai contar com o apoio de Maria José Lopes Souza e Vera Vieira, ambas da RME. Irão participar cerca de 30 lideranças efetivas ou potenciais, de diferentes localidades brasileiras, com poder de multiplicação dos temas em suas regiões de atuação.

Este Encontro está sendo viabilizado com o apoio institucional das agências internacionais de cooperação "Desenvolvimento e Paz" (Canadá) e "Novib" (Holanda). Também conta com o apoio específico da FASE/SAAP e da REPEM (Rede de Educação Popular Entre Mulheres da América Latina e Caribe).

Só seis mulheres garantem vaga no Senado

Com as eleições brasileiras realizdas no último dia 04/10, o Senado terá apenas seis mulheres com mandato, de um total de 81 senadores. Foram reeleitas Marina Silva (PT-Acre), Benedita da Silva (PT-Rio), Emília Fernandes (PDT-Rio Grande do Sul) e Marluce Pinto (PMDB-Roraima). As duas novas senadoras são Heloísa Helena de Carvalho (PT-Alagoas) e Maria do Carmo Alves (PFL-Sergipe). Junia Marise (PDT-MG) foi a única que não conseguiu se reeleger. A candidata do Pará, pelo PT, Ana Júnia Carepa, perdeu a eleição por uma porcentagem mínima. Concorreram ao cargo, apenas 22 candidatas em todo o país, entretanto, duas delas ficaram em segundo lugar, seis em terceiro, três em quarto ou quinto lugares, numa forte demonstração da competência das mesmas. Na Câmara dos Deputados, caíu de 36 para 29 o número da bancada feminina. Na Assembleía de São Paulo, a queda foi de 11 para 7 deputadas. A candidatura feminina mais emocionante foi a de Marta Suplicy, para o governo do estado de São Paulo. Por uma porcentagem inferior a 1% ela deixou de concorrer ao segundo turno.

A Rede Mulher de Educação, dentro do eixo temático "Gênero e Liderança", definido para o período entre 1997/2000, pretende formar lideranças com vistas às eleições municipais do ano 2000, já tendo apresentado projeto de financiamento para tal.

A alimentação alternativa no combate à desnutrição e à fome

Através de técnicas alternativas e sustentáveis, a Sócia-educadora da Rede Mulher de Educação, Ruth Takahashi vem ministrando cursos de reeducação alimentar para populações carentes, junto a entidades de base, com o apoio financeiro da FASE/SAAP.

No período entre 12 e 20 de setembro – através de proposta do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Taboão da Serra e outros municípios da Grande São Paulo, junto com entidades locais -, mulheres e homens discutiram cozinharam e partilharam saborosas refeições, na sedde da Sociedade Alternativa (foto ao lado). Além de facilitar o acesso à informação sobre valor nutricional e formas de prepará-los, o trabalho enfocou a articulação destes grupos e a participação em rede que possibilite a troca de experiências. O processo de continuidade está previsto para dois núcleos de Osasco, na Sociedade Alternativa – que deve acompanhar o trabalho das/os multiplicadoras/es nos núcleos populacionais da Vila da Paz, Estrada dos Mirandas e na Fundação Julita. Um encontro para a troca das experiências já está previsto para novembro próximo.

Projeto similar, também com financiamento da FASE/SAAP, começa a ser desenvolvido no município de Caieiras, com coordenação local da Casa de Solidariedade do grupo de Mulheres Negras de Caieiras.

Grupo de Mulheres da Terra (MST) inclui homens na discussão de gênero

A sócia-educadora da RME e responsável pelo Ponto Focal, Maria José L. Souza (Zéza), junto com a psicóloga Flávia Costa, ao ministrarem o curso "Quem sou eu?", em 20/09, foram contagiadas com a emoção das/os participantes, no assentamento II (Horto de Sumaré). O objetivo do curso foi trabalhar a relação de gênero, a partir da identidade masculina e feminina, com técnicas de relaxamento, jogos, filme e discussões. "Foi a coisa mais emocionante ter presenciado as lágrimas de um homem", declararam Zéza e Flávia, que pretendem dar continuidade à oficina.

A líder do Grupo, Maria Aparecida de Jesus Segura, recentemente, foi uma das representantes do MST em negociações com o governo do Estado de São Paulo, resultando na conquista da titularidade da terra também para os filhos, que hoje são os líderes que estão produzindo. Os pais foram assentados há 12 anos, em área pertencente à Fepasa, que agora está privatizada. Assim, o governo passa a gerenciar os doze hortos florestais com assentamentos, num total de 1314 famílias, em todo o Estado.

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