Edição Nº 35
Jul./Ago.- 99

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Ecoar avalia a educação ambiental no Brasil

O Instituto Ecoar para a Cidadania está lançando o projeto ‘Avaliando a Educação Ambiental no Brasil: Materiais Audiovisuais’, que pretende coletar e analisar vídeos, CD-rooms e DVDs produzidos em todas as regiões do País. O projeto tem como objetivos mapear as produções de audiovisuais de educação ambiental, descobrir quais materiais estão sendo mais utilizados por educadores e produzir um documento crítico de avaliação que sirva de referência para novas produções. Além disso, pretende-se construir um banco de dados sobre os audiovisuais e um website que o disponibilize e ofereça links a outros sites de educação ambiental. Pretende-se com isso, construir parâmetros que possam informar e orientar educadores e produtores na utilização e produção de materiais audiovisuais sobre educação ambiental.

     O projeto pretende estimular o debate entre os diversos segmentos que trabalham com a educação ambiental no Brasil, como organizações não-governamentais, órgãos públicos, universidades, escolas, empresas, editoras, produtoras de vídeos e CD-rooms, assim como educadores de modo geral.

     A primeira versão do projeto, voltada para materiais impressos, ocorreu entre 1995 e 1996, quando foram avaliados materiais de todo o Brasil, destinados à educação ambiental. Livros, cartilhas, periódicos, folhetos e jogos foram coletados pelo Ecoar e analisados por um grupo de consultores. Esse trabalho resultou numa publicação e na organização de um banco de dados de publicações, tornando-se uma importante referência para todos que atuam na área de educação, em especial, ambiental.

     Esse novo projeto ‘Avaliando a Educação Ambiental no Brasil: Materiais Audiovisuais’ terá duração de um ano, e seu desenvolvimento vai se dar em três etapas: coleta de materiais, realização de um seminário – previsto para Abril/2000 -, lançamento da publicação – com distribuição gratuita – e do website. O apoio é do Fundo Nacional do Meio Ambiente, do Ministério do Meio Ambiente – Governo Federal.

     Já foi iniciada a coleta de materiais audiovisuais produzidos em todo Brasil, indo até janeiro próximo. O Instituto Ecoar solicita a colaboração de todos no envio de vídeos, DVDs e CD-rooms sobre educação ambiental, meio ambiente, bem como informações e sugestões de materiais a serem analisados. O endereço é o seguinte:

Instituto Ecoar para a Cidadania 
Rua Coriolano, 28
São Paulo/SP – CEP: 05047-000.

 Maiores informações também podem ser obtidas com Sydney Cincotto Júnior, Larissa Costa ou Rachel Trajber, pelos telefones (0xx11)3871-0701, (0xx11) 3871-0370, ou pelo e.mail: eduamb@dualtec.com.br .

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Encontro Nacional da Rede Mulher de Educação

Mudando o Mundo: formação nos espaços públicos e ações para o trabalho em rede

   Com a participação de 35 pessoas, entre sócias-educadoras, representantes de Focais e convidadas/os – lideranças efetivas ou em potencial, com poder de multiplicação -, de diversas regiões brasileiras, o Encontro Anual da Rede Mulher vai acontecer no período entre 9 e 12 de outubro, em Itapecerica da Serra.

      Dentro do eixo temático da entidade para o triênio 1997/2000 – Gênero e Liderança – o Encontro visa à contribuir par o empoderamento das/os participantes no exercício estratégico da liderança transformadora-democrática em espaços públicos, na perspectiva de promoção da equidade nas relações sociais.

      Será também uma oportunidade ímpar para refletir a vivência das/os participantes em sua relação com o poder no espaço público – avanços, obstáculos, desafios etc -, discutir conceitos e contextos da ação política democrática e fornecer subsídios com instrumentos que possibilitem a construção, o amadurecimento e o enriquecimento de estratégias de ação local e em rede.

 Eixos

      O tema do Encontro irá focalizar os seguintes eixos: 

v  Valores e Posturas: a experiência com o poder, a liderança transformadora-democrática, tipos de liderança, vida pública e privada, e o  papel da ética.

v   Conceitos e contextos da ação política: cidadania, democracia, poder político, políticas públicas e mecanismos institucionais.

v  Estratégias e instrumentos: informação, formação, articulação – advocacy - , influência, comunicação, negociação e resolução de conflitos, e o trabalho em rede.

      O aprofundamento desses eixos, através da capacitação voltada par o efeito multiplicador, é de importância fundamental. Maria Tereza enfatiza que “estamos em plena crise de transformação cultural, com repercussões diretas na agenda parlamentar e na agenda social e econômica. Seguindo esse raciocínio, a vinculação democracia-igualdade-relações de gênero se apresenta como um dos eixos prioritários para a revitalização da própria democracia. É, portanto, importante que tenhamos como cenário de nossas atividades políticas, a realidade da vida das mulheres e o caráter de nossas democracias. É preciso construir uma identidade de compromissos políticos para uma agenda política e social que inclua o princípio da igualdade entre os sexos, da igualdade de todos os cidadãos e cidadãs, da parceria, com respeito radical aos direitos humanos para a consolidação da democracia”.

     Denise Carreira ressalta que “os mitos de que ‘todas somos iguais’, ‘não nos interessamos pelo poder’ ou ‘fazemos política de forma limpa, pura e ética, diferente da dos outros...’ ainda estão presentes no imaginário e discurso de grande parte do movimento de mulheres. É necessário mergulhar no questionamento desses mitos e descobrir até que ponto eles constituem obstáculos para a nossa maior entrada no campo da negociação política ao nos limitar na descoberta e percepção de quem são esses outros/as, o que eles trazem de novo, o que contribuem para a nossa luta maior por uma cidadania ampla, o que contribuímos para suas causas, quais são suas diferenças, possibilidades e limites, e até que ponto poderemos chegar em nossas alianças”.

     O Encontro está sendo viabilizado graças ao apoio financeiro das agências internacionais Desenvolvimento e Paz (Canadá) e Novib (Holanda). Tem a coordenação de Vera Vieira e Beatriz Cannabrava, com oficinas a cargo de Maria Teresa Augusti, Denise Carreira e Moema Viezzer. As dinâmicas, cuidadosamente preparadas, ficarão a cargo de Valéria Barreto e Maria José (Zéza) Lopes Souza. O apoio administrativo é de Walkíria Ferraz e Elza Siqueira.

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Mulheres em movimento

Marcha Mundial das Mulheres 2000

    No dia 16 e 17 de outubro, vai acontecer a reunião nacional da Marcha Mundial, em São Paulo, no Instituto Salesiano Pio XI, visando à articulação e formulação de propostas. Podem se inscrever mulheres de organizações de mulheres e movimentos sociais mistos no campo do Fórum Nacional de Lutas.

     A idéia de realizar uma marcha mundial de mulheres no ano 2000 surgiu a partir da Marcha das Mulheres contra a Pobreza, realizada em Quebec, Canadá, em 1995, e se desenvolveu por iniciativa da Federação de Mulheres daquela província. Hoje, já envolve mais de 2 mil organizações de 130 países.  Os temas principais serão a pobreza e a violência contra as mulheres, com as seguintes propostas: um voto em massa das mulheres, a partir de reivindicações comuns, entre os dias 8 de março e 17 de outubro de 2000; uma ação nacional pleiteando demandas específicas de cada país; uma ação mundial, que terá lugar no dia 17 de outubro de 2000.

      Para o sucesso da mobilização no Brasil, há alguns desafios, como o de “compor um pauta de reivindicações e uma agenda de luta que tenham como referência a realidade nacional; articular com as diversas manifestações e campanhas previstas para o próximo ano; formar uma coordenação nacional e comitês nos estados”, enfatiza a coordenação provisória da Marcha no Brasil.

     As inscrições para a Reunião Nacional – que ficarão sujeitas à confirmação, visando garantir a participação de todos os estados e movimento – devem ser feitas na SOF, telefax: (0xx11) 870-3876, e.mail: marcha2000@ax.apc.org

 

seta_2.gif (306 bytes) III Encontro de Mulheres Negras

Está programado para dezembro, em Bogotá, Colômbia, o III Encontro de Mulheres Negras da América Latina e do Caribe. Há uma cota de vagas para mulheres negras do Brasil. Maiores informações podem ser obtidas junto à entidade CRIOLA, através do telefax: (0xx21) 220-9819

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Masculinidade e Religião

     Este é o tema do próximo seminário temático, promovido pelas Católicas pelo Direito de Decidir, que vai acontecer no período entre 15 e 17 de outubro. O seminário será assessorado por Myriam Grossi e Maria Regina Lisboa, ambas da Universidade Federal de Santa Catarina.

     Dirigido a educadores/as populares, agentes de pastoral, lideranças de movimentos sociais e feministas, o seminário tem um número limitado de vagas. Maiores informações pelo telefax (0xx11) 3107-9038, e.mail: cddbr@ax.apc.org

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Elas por elas na política

Vai acontecer no Centro de Convenções de Salvador, Bahia, o Congresso Mundial sobre Racismo e a Feira Internacional Multicultural, de 28 de setembro a 1 de outubro, promovido por CESPEG/ÀLÉMÀSÁ.
Além de conferências, simpósios, painéis e workshops, o evento prevê os seguintes grupos de trabalho: Juventude Negra e Ação Sócio-Cultural, Meios de Comunicação, As Agências de Cooperação e os Incentivos ao Combate Anti-Racista, Religiosidade e Resistência, Racismo no Brasil – Aspectos Sócio-Econômicos, Político e Cultural, O Negro e a Violência, e Racismo na Educação.

Inscrições pelo telefone (071) 358-6600, fax (071) 353-2929, e-mail:rdeventos@e-net.com.br

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Vozes essenciais na política

   No período entre 20 e 22/09, ocorreu em São Paulo, o evento Vozes Essenciais na Política: a Participação da Mulher, numa promoção do Conselho Estadual da Condição Feminina/SP, SESC e Embaixada dos Estados Unidos. Além de um importante espaço de reflexão sobre a inserção crescente das mulheres nos espaços público-institucionais, o evento foi um movimento importante de capacitação para aquelas que pretendem concorrer a cargos eletivos ou apenas participar e contribuir com as campanhas. Participaram como conferencistas a presidenta da Nacional Women’s Political Caucus, Anita Perez Ferguson ; as jornalistas Cila Shuman e Eliane Cantanhêde; a professora Lúcia Avelar, a ex – prefeita de Salvador, Lídice da Mata; o ex – deputado Luis Gushiken e a historiadora e assessora do Cfêmea, Sonia Malheiros Miguel. Nas conferências e workshops, foram abordadas as conquistas e desafios da participação política da mulher no limiar do século XXI, a ética na política,  e aspectos práticos tais como a organização, planejamento e financiamento de campanhas e como estabelecer redes de apoio e trabalhar com a mídia. Na ocasião, foram homenageadas mulheres destacadas no mundo político brasileiro: Benedita da Silva – vice-governadora do Rio -, Emília Fernandes senadora gaúcha -, Luiza Erundina – deputada federal – e Ana Martins – vereadora.

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Dona Raimunda ganha prêmio da Suíça

 A sócia-educadora da Rede Mulher de Educação, Raimunda Gomes da Silva, 58 anos, sete filhos, foi contemplada com o Prêmio de Criatividade da Mulher no Meio Rural – 1999, oferecido pela Women’s World Summit Foundation, da Suíça, a 34 mulheres de todo o mundo, por ocasião da celebração do Dia Mundial da Mulher Rural (15/10). Todo o processo de indicação foi feito pela Rede Mulher, considerando seu brilhante trabalho junto às mulheres extrativistas do Tocantins e dos demais Estados amazônicos. Ela recebeu a importância de US$500 e uma bonita medalha. Em carta de agradecimento à Rede Mulher, Dona Raimunda diz que “vocês são minha voz onde eu não posso falar; eu sou vocês e vocês são eu” . Em correspondência à Suíça, ela enfatiza: “...logo que conheci a Rede Mulher, nos anos 80, me tornei sócia-educadora e Ponto Focal; eu faço parte dessa Rede e ela é um pedaço de mim e de muitas companheiras”. Ela começou seu trabalho de mobilização na luta pela terra. Depois passou a organizar as mulheres extrativistas para a conquista da igualdade de direitos. É coordenadora da Secretaria da Mulher (Ponto Focal da Rede Mulher), que é ligada ao Conselho Nacional dos Seringueiros. No Brasil, o prêmio também foi outorgado à Articulação Nacional de Mulheres Trabalhadoras Rurais.

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Gênero e a cooperação das instituições multilaterais

Este importante seminário, foi realizado nos dias 11 e 12/08, em Brasília, promovida pela Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais e Red Entre Mujeres, com o apoio da Articulação de Mulheres Brasileiras, CESE, FASE/SAAP e DED. A Rede Mulher de Educação esteve presente, representada por Beatriz Cannabrava. O objetivo do encontro foi o de promover a formação, informação e articulação de organizações da sociedade civil, no monitoramento da ação das Instituições Financeiras Multilaterais (IFM) no Brasil, tomando as relações de gênero como um componente importante desse processo.

     Participaram 34 pessoas, representando ONGs, entidades feministas, entidades sindicais e agências de cooperação, com atuação nas áreas de saúde, educação, meio ambiente e produção, entre outras. Também estiveram presentes representantes de Fóruns de ONGs de diversos estados, integrantes da Rede Brasil e da Articulação Brasileiras de Mulheres. Algumas dessas entidades estão envolvidas em projetos com o Banco Mundial, outras têm planos de solicitar financiamento e outras estavam interessadas em conhecer o funcionamento da dinâmica das IFMs.

     A idéia do Seminário surgiu da necessidade de aprender a lidar com o tema de financiamento de políticas públicas. A Rede Brasil está atuando nessa área há algum tempo e a Red Entre Mujeres propôs a campanha Mulheres de Olho no Banco Mundial. O interesse maior é saber como esses financiamentos funcionam e suas conseqüências para as mulheres ‘afetadas’ pelos projetos, pois a maioria não se considera ‘beneficiária’. Na ocasião, foi constituída a Iniciativa para Monitoramento dos Aspectos de Gênero nos Projetos Financiados pela IFMs no Brasil. A comissão organizadora do evento, formada por Sílvia Camurça (SOS Corpo), Wania Santana (FASE), Flávia Barros (Rede Brasil) e Mgnólia Said (ESPLAR), continuará em atividade, apoiada em representantes regionais.

seta_2.gif (306 bytes) Conferência da Carta da Terra na perspectiva da educação

A Conferência da Carta da Terra, organizada pelo Instituto Paulo Freire, teve lugar em São Paulo, no Instituto Teológico Pio XI, no período entre 22 e 26/08, com a participação de mais de cem pessoas, do Brasil, Itália, Estados Unidos, Suécia, França, Costa Rica, México, Chile, Argentina, Uruguai e Peru. O objetivo foi o de trabalhar os temas da Carta daTerra do ponto de vista das/os educadoras/es, buscando contribuir para a mesma enquanto processo de aprendizagem e movimento ético. O desenrolar da Conferência consistiu em 71 apresentações de trabalhos, divididos em quatro colóquios.

     A Rede Mulher de Educação contribuiu, na presença de Moema Viezzer, através da apresentação da Carta da Terra na Perspectiva das Mulheres, utilizando o texto publicado no Cunhary. Como coordenadora do colóquio 3, Moema levou a reflexão holística e as colocações das mulheres em relação à melhoria/equilíbrio das relações entre a humanidade e a natureza, implícitas nas relações de harmonia/ equilíbrio entre mulheres e homens na sociedade. Também realizou intervenções em plenário sobre a necessária incorporação da redação sem discriminação (das diretrizes da Unesco e outras), como parte do processo de aprofundamento da pedagogia do oprimido e da esperança.

     A Conferência incorporou o conceito de ECOPEDAGOGIA para o aprofundamento da teoria e método de Paulo Freire, na perspectiva da Carta da Terra. Foi aprovada a criação de um Movimento de Ecopedagogia, a ser iniciado como parte do seguimento da Conferência. O texto inicial, lido e avaliado, terá uma reformulação completa, conforme as sugestões que emergiram. Várias pessoas presentes, inclusive Moema, aceitaram colaborar nesta revisão que ficou aos cuidados do Instituto Paulo Freire. A sócia-educadora da Rede Mulher, Ruth Takahashi, que vem se dedicando à questão da alimentação alternativa e combate à fome, também esteve presente representando a entidade.

seta_2.gif (306 bytes) Teses
Um conceito itinerante: os usos do gênero no universo das ONGs

A defesa da tese de mestrado de Daniel Shroeter Simião – que foi aprovada com distinção e louvor – aconteceu no dia 31 de agosto, na UNICAMP, e foi assistida por representantes de diversas ONGs, tanto por terem participado da pesquisa, quanto pela importância da temática, principalmente por ter siso aprofundada por um homem. Daniel se interessa pela temática de gênero há longos anos, através de seu trabalho na ADITEPP, entidade de Curitiba/PR.

     Sob orientação de Heloísa André Pontes, a tese foi submetida à banca composta também por Mariza Corrêa e Maria Filomena Gregori.

     Eis o resumo da tese apresentada por Daniel: “É cada vez mais freqüente , no universo das organizações não-governamentais (ONGs) brasileiras, a presença do termo ‘gênero’ na definição de suas políticas de atuação. Compreender as conseqüências da adoção, por parte das ONGs, de um conceito que tem por trás de si um grande itinerário de discussões acadêmicas bastante nuançadas é a motivação inicial dessa pesquisa. Utilizando-se do conceito de campo, tomado de Bourdieu e Becker, a dissertação resgata parte significativa do debate teórico acerca das teorias de gênero e as questões que trazem para um campo de ação política. Com esse arsenal teórico, o autor delineia um campo político buscando compreender como seus atores constroem ou se apropriam de modelos explicativos para as categorias de gênero, cidadania e desenvolvimento, dentro de um determinado campo de poder e em função de sua experiência social concreta. Esta pergunta envolve a compreensão de processos de ressemantização do conceito de gênero dentro de um campo que não o acadêmico, mas em profundo contato com ele, e que exige atenção especial para a construção e o uso político dos diferentes conceitos de gênero como definidores de identidades e contrates. A partir da análise de materiais e documentos das ONGs, complementados por entrevistas e depoimentos de diferentes atores de campo, o autor aponta para a importância dos usos de uma ‘linguagem’ baseada em gênero para o investimento que muitas organizações têm feito em novas posições institucionais no campo, bem como para o estabelecimento de novos canais de interlocução entre os seus agentes, concluindo por indicar como as diferentes inserções institucionais de ONGs mistas e feministas se relacionam a distintos usos de gênero no campo.”

     A Rede Mulher foi uma das entidades pesquisadas, através da colaboração de Beatriz Cannabrava e Vera Vieira, que também estiveram presentes na defesa.

Novas tecnologias reprodutivas e genéticas, ética e feminismo: a celebração do temor

De autoria de Alejandra Ana Rotania de Pozzi (foto) – diretora do Ser Mulher, de Nova Friburgo -, essa relevante tese de doutorado foi defendida em 98, na UFRJ. Em resumo, ela destaca que “o estudo submete à apreciação o estado da arte do desenvolvimento científico e tecnológico da biologia contemporânea, especificamente das Novas Tecnologias Reprodutivas Conceptivas (NTRc) e das Tecnologias Genéticas e Moleculares (TGM), tendo em vista avaliar as implicações éticas do conhecimento e do agir e como estas, a partir das tentativas de compreensão e resolução, se organizam em vertentes diferenciadas segundo a base axiológica que as orienta.

     Realiza uma articulação entre ciência e tecnologia (bioengenharia), ética (filosofia) e feminismo à luz do pensamento de Hans Jonas (1903-1993) e do Princípio Responsabilidade, da literatura específica de análise da tecnociência e do debate bioético contemporâneo e da tradição do pensamento e da ação feministas. A partir de uma explicitada concepção onto-antropológica, que basicamente decorre da adoção dos referenciais teóricos jonasianos e da incorporação crítica da perspectiva feminista são elaboradas, organizadas e sistematizadas tendências atualmente predominantes no camo da Bio-ética em geral e do Feminismo face às NTRc e as TGM.

     O estudo organiza-se em três partes: A Ciência e a Tecnologia da Vida, A Ética da Vida e Feminismo.

     Para conhecer mais detalhes desta tese, basta acessar a home-page da Rede Mulher de Educação: www.redemulher.org.br.

     Alejandra é também representante no Brasil da Feminist Approaches of Bioethics-FAB.

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