Edição Nº 38
Jan./Fev.- 2000

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Encontro Brasileiro de Cultura e Socioeconomia Solidárias
Fortalecendo a luta pela solidariedade

 No período de 11 a 18 de junho, no Rio de Janeiro, vai acontecer o Encontro Brasileiro de Cultura e Socioeconomia Solidárias, com a participação de cem pessoas, entre representantes de ONGs, cooperativas de produção, governo e outras entidades da sociedade civil.

Unindo a reflexão e a ação, o Encontro terá como principais objetivos, o seguinte:

  • Grupos de estudo que gerem propostas concretas;

  • Envolver o poder público;

  • Avaliar coletivamente o cooperativismo autogestionário no contexto do Brasil e do mun-do;

  • Definir conceitos próprios, em nível nacional, a partir das experiências em curso. Construção de um campo próprio de articulação e possível representação política;

  • Concretizar redes de comercialização para os produtos das organizações econômicas populares;

  • Propor um plano nacional de formação, educação cooperativa e comunitária na perspectiva da autogestão e do desenvolvimento;

  • Plano de desenvolvimento e crédito: discussão sobre finanças, crédito, cooperativismo, moeda comunitária etc.;

  • Distinguir ‘3a.via’ (FHC) e sócioeconomia solidária - construção de um documento de síntese/discussão para criar estratégias - oficinas de ações concretas;

  • Incluir temas do Polo de Socioeconomia Solidária;

  • Discutir Aliança como marco mais abrangente - mesa redonda sobre as Alianças;

  • Fortalecer/construir rede nacional, latino-americana, internacional, de socioeconomia solidária;

  • Mapear público - incubadoras, MST, cooperativas tradicionais de produtores rurais, indígenas etc.;

  • Oficinas de educação, trabalho, mulher/gênero - debates e metodo-logias;

  • Avaliar o processo de organização;

  • Ampliar a participação no Brasil.

Segundo a comissão organiza-dora - que é formada por FCP-Fórum de Coperativismo Popular do Rio e Janeiro (PACS, CEDAC, COOPE, CAPINA, Shangri-la), Rede Mulher de Educação, Mãos Mineiras, CASA (Coletivo Autônomo de Solidariedade Autogestionária/Poá) e Central de Cooperativas Autogestionárias de Economia Solidária/RS - "foi adotado um espectro temático semelhante ao Encontro Latino de Cultura e Socioeconomia Solidárias, realizado em Porto Alegre/RS, em agosto de 98, incluindo o desafio da cultura, que implica a responsabilidade por ocupar um papel ativo e transformador no que toca a valores, atitudes, comportamentos, aspirações e modos de relação em ambas as esferas, seja pessoal/comunitária e social/genética. Utilizamos o termo socioeconomia pretendendo passar duas idéias: por um lado, que a sociedade se torne cidadã ativa, consciente e organizada em uma diversidade de formas cooperativistas e associativas de produzir, comercializar, consumir, financiar, em torno dos valores da coresponsabilidade e da solidariedade, para desempenhar o papel de sujeito principal da economia local, regional, nacional e global; por outro lado, que a economia seja convertida em apenas um meio de busca do bem-estar e felicidade de cada cidadã/ão e do conjunto da socie-ade/humanidade.

No que se refere à cultura, te-mos convicção de sua importância para uma ação socioeconômica inovadora, que se reflete nos eixos temáticos incluídos. Por fim, cabe também buscar a representatividade, dentro das políticas públicas, na proposta de somar esforços e fortalecer as relações para continuidade de exitosas experiências que este segmento apresenta. A coparticipação de todos os atores imbuídos no movimento é imprescindível para o processo de construção coletiva."

As incrições devem ser feitas junto ao PACS, com Sandra ou Ruth, telefones: (21)252-0366/252-9601, e-mail: sandraq@ax.apc.org

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 Marcha Mundial das Mulheres 2000
 lançamento no dia 8 de março

Para o Dia Internacional da Mulher, foi programado o lançamento da Marcha, com reivindicações voltadas para uma vida sem pobreza e sem violência. Cerca de 3500 grupos, em 146 países já aderiram à Marcha.

No Brasil, além da celebração do dia 8 de março em torno dessas reivindicações, grupos espalhados por todas as regiões já estão programando atividades para o transcorrer do ano. No próximo número do Cunhary, estaremos divulgando fotos e informações sobre essa mobilização.

Como bem explica o site brasileiro (www.geocities.com/marcha_ 2000_br), a Marcha Mundial das Mulheres 2000 é uma campanha que vai de 8 de março a 17 de outubro deste ano. Com esta campanha, quer se criar uma grande mobilização das mulheres a partir dos setores populares, combinando ações nos níveis local, regional, nacional e internacional. Vão acontecer oficinas, debates, ações de rua, com o objetivo de que milhares de mulheres reflitam sobre os temas macroeconômicos e as conseqüencias no seu cotidiano.

A ação centralizada mundialmente é um abaixo assinado, dirigido à ONU e seus Estados membros, exigindo a justa distribuição da riqueza mundial entre pobres e ricos, entre homens e mulheres; o fim da violência e igual-dade entre homens e mulheres. Este abaixo assinado será entregue ao Secretário Geral da ONU, Kofi Annan, no dia 17 de outubro, em Nova Iorque, por uma comissão composta por mulheres representantes de todos os países envolvidos na Marcha. Entre 01 e 17 de outubro, estarão ocorrendo manifestações de rua em todos os países envolvidos. No dia 15 de outubro, uma passeata em frente às sedes do FMI e Banco Mundial mostrarão o desacordo das mulheres com as políticas desenvolvidas por estas instituições.

No Brasil, um encontro nacional, com mulheres representantes de quinze estados de todas as regiões, aconteceu em São Paulo, para definir os eixos das reivindicações brasileiras, que se manifestam em três itens: terra, trabalho e autodeterminação das mulheres. Entendemos que eles se desdobram na exigência de reforma agrária, reforma urbana, educação, saúde, políticas de emprego e renda, e desenvolvimento sustentável quanto ao meio ambiente. Somos contra o tratamento que o atual governo tem dado à dívida externa, subordinando-se ao FMI. Iremos combater a discriminação racial e étnica, a violência sexista. Queremos o direito de decidir sobre nosso corpo, pela maternidade como opção e pela livre orientação sexual.

A CONTAG (Confederação dos Trabalhadores na Agricultura) está organizando um ato das trabalhadoras rurais no contexto da Marcha, no dia 10/08, em Brasília. A meta é levar 20 mil mulheres à Brasília, com paradas estratégicas em Barreira/BA, Goiânia e São Paulo.

Os eixos a serem trabalhados serão a Reforma Agrária, o fortalecimento da agricultura familiar e a valorização da mulher agricultora, e o combate à violência no campo e contra as mulheres. Lembramos que o assassinato de Margarida Alves continua impune e que a partir deste caso exemplar podemos cobrar a responsabilidade do governo e do poder judiciário na manutenção da violência.

A proposta é compor uma pauta de negociações em um processo de discussão nos estados, de março até junho, e entregar esta pauta ao presidente Fernando Henrique e ao mi-nistro da Justiça. O ato de 10/08 tam-bém deve se dirigir ao Banco Mundial, denunciando sua responsabilidade na criação do Programa Banco da Terra, um sério ataque à proposta de Reforma Agrária como medida de redistribuição de renda e de poder em nosso País.

Todo o material original sobre a Marcha - elaborado pela organização mundial, em Quebec/Canadá) está disponível pela Internet, em inglês, francês e espanhol (www.ffq.qc.ca)

No site brasileiro, você pode encontrar muita informação e a lista dos grupos que já aderiram à Marcha. Entre em contato com a secretaria da Marcha, no Brasil, que está a cargo da SOF, para adquirir camisetas e botons, e solicitar o abaixo-assinado, cartazes e outros materiais de divulgação. O telefone é (11)870-3876 e o endereço eletrônico é: marcha2000@ax.apc.org

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500 anos de mulheres maravilhosas

Você ouviu falar destas mulheres?
Você sabe quem são, por exemplo, Ana Pimentel, Adelina - a charuteira -, Anastácia - a
escrava -, Bertha Luz, Deolinda de Figueiredo Daltro, Gilka Machado, Clarice Lispector, Tarsila do Amaral, Olga Benário, Ana Néri, Anita Garibaldi, Luciana Teixeira, Lourença Coutinho, Maria José Rebelo, Maria Augusto Generoso Estrella, Maria Tereza Camargo, Maria Tereza Nogueira de Azevedo, Carlota Pereira de Queiroz, Maria Quitéria, Lucília Guimarães Villas Lobos, Anésia Machado, Olívia Penteado, Chica Silva, Cecília Meirelles, Raquel de Queiroz, Patrícia Galvão, Tia Ciata, Chiquinha Gonzaga, Margarida Alves...
(citando somente algumas das que já não habitam este planeta)

por Moema Viezzer (*)

Você conhece o refrão: "Por trás de um grande homem, há sempre uma grande mulher"? Hoje em dia, cada vez fica mais visível que não é assim que se constrói e se deve contar a his-tória. É importante saber o nome próprio desta "Grande Mulher": o que ela faz, o significado e valor do que ela faz, os benefícios que ela recebe ou não pelo que faz e os benefícios que outras mulheres e homens recebem graças aos feitos desta "Grande Mulher".

A história nunca foi linear, como se tudo o que se vive hoje nunca houves-se antes ocorrido no universo feminino. Nestes 500 anos de história do Brasil, após a chegada dos europeus, as mulheres estiveram sempre presentes, de maneiras as mais diversas, em todas as circunstâncias impor-tantes que marcaram a construção deste País.

Você sabia que algumas mulheres governaram capitanias, outras fundaram cidades, muitas participaram do Movimento Abolicionista, lutaram pela independência do País, sofreram torturas por parte da Igreja inquisidora, fundaram partidos políticos, tornaram-se educadoras, poetisas...ao mesmo tempo que milhares delas e de outras bordavam bandeiras, escondiam foragidos, davam alimentos a feridos e perseguidos, cuidavam das crianças, dos doentes e das pessoas idosas , enquanto os homens cuidavam de negócios ou faziam política?

Felizmente, como um dos sinais de uma nova cultura, começa-se a desvendar também esta face da história do Brasil.

Dê um salto em sua história pessoal. Revise tudo o que aprendeu nos bancos da escola e na escola da vida acerca das mulheres e homens que fizeram este País. Não importa o seu nível de instrução e formação, ou a posição que ocupa na família e na sociedade. Os livros de ensino, do pré-escolar à universidade, ainda estão incompletos. Falta aprender a História Real da metade da população, "mãe da outra metade", que a História Oficial omitiu.

Felizmente os registros históricos -escritos e não escritos – e a força da história guardada no consciente coletivo - permitem trazer à luz esta face oculta do universo feminino brasileiro. Mulheres brancas, pretas, índias, de classes e setores sociais diversos, ao longo dos anos foram abrindo caminhos para conquistas das quais hoje usufruí-mos e que nos dão ânimo para continuar a caminhada, neste momento da his-tória.

E como um dos frutos saborosos de anos do Movimento de Mulheres e particularmente do Movimento Feminista no Brasil - que tanta influência teve na abertura dos espaços públicos, das universidades, da mídia e outros para o universo feminino -, a vida de famosas e anônimas brasileiras estará disponível numa enciclopédia que recolherá 500 biografias de mulheres (Projeto 500 anos de trás dos panos - Redeh).

Há muito que aprender delas. E há muito que aprender também sobre as novas formas de ler nossa história imediata, do Brasil todo, ou da região e do município onde vivemos. Por isso, abrindo sua mente para esta "outra história" , abra também seus olhos e sua alma para perceber o significado da atuação das mulheres no pedaço em que você vive, quando já comemoramos 500 anos de Brasil.

 

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Tese: 

 A Promessa do Terceiro Setor
Um estudo sobre a construção do papel das organizaçoes 
sem fins lucrativos e do seu campo de gestão

Tese de Mestrado - USP/FEA-Depto.Administração - 1999
Autor
: Andres Pablo Falconer
(e.mail para contatos: afalconer@dedalus.net)
Orientadora
: Profa. Dra. Rosa Maria Fischer

 Ver texto integral  no Fórum de Debates

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