Edição Nº 40
Mai./Jun. - 2000

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Cartas

Mulheres em Movimento

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PROLID-BID avalia apoio à América Latina e Caribe

 Entre os dias 22 e 24 de maio aconteceu em Buenos Aires, Argentina, o Seminário de 
Avaliação de Meio Termo do Programa de Lideranças - Prolid, do Banco Interamericano 
de Desenvolvimento. A coordenadora do Projeto Mudando o Mundo com as Mulheres da 
Terra, Moema Viezzer, esteve lá e contra como foi o encontro
.

Cunhary: O que foi este seminário?
Moema:
A coordenadora do Prolid, Ana Maria Brasileiro, convocou todas as entidades participantes para uma "avaliação de meio termo", que durou três dias. Participaram pessoas vindas de 19 países da América Latina e Caribe. Representavam organizações indígenas, sindicais, de direitos humanos. Havia líderes de organizações não-governamentais locais, regionais e nacionais, e também algumas consultoras. Era um grupo muito diversificado, formado por pessoas com experiências muito diferentes umas das outras. O Encontro foi organizado pelo Foro de Mujeres del Mercosul.

Cunhary: A formação de mulheres líderes é um programa permanente do BID?
Moema:
Ainda não é uma linha de trabalho do BID. Trata-se de um programa especial, com recursos para três anos e que completa sua existência, nesta primeira fase, em março de 2001. Os 28 projetos aprovados em anos anteriores tiveram como público-alvo grupos locais ou temas específicos: mulheres indígenas no Peru e Bolívia, mulheres jovens no Brasil, mulheres envolvidas em políticas públicas sobre direitos humanos etc. Os dois projetos apoiados neste ano, o nosso e o que é desenvolvido na Argentina por Glória Bonder, têm o mesmo caráter: são projetos multiplicadores, que repassam conteúdo, metodologia e recursos financeiros para outras entidades.

Cunhary: O que mais lhe impressionou na avaliação de Buenos Aires?
Moema:
A principal intervenção da coordenadora do encontro mexeu com a platéia. Ana Maria Brasileiro enfatizou: "o que acontece com os relatórios dos projetos? Recebemos informação detalhada sobre tantas oficinas e cursos realizados, com tais participantes, produzimos tantos vídeos, editamos um manual, gastamos tanto em tal e tal item. Tudo bonito, bem apresentado, contas certas. E daí? Pode ocorrer que o manual ficou na estante, que as participantes não fizeram nada com o que aprenderam nos cursos, que o vídeo não é usado porque quase ninguém gosta dele. Então, como se avalia um projeto? Levando em conta todos os fatores e a interligação entre eles. Pois são fatores que influem na sustentabilidade ou insustentabilidade de um projeto. E é isto que estamos aprendendo e gostaríamos de aprender mais aqui nesta avaliação".

Marcha Mundial das Mulheres 2000:
Rede Mulher marcha com as Margaridas

No dia 10 de agosto, acontece nas ruas de Brasília, a Marcha das Margaridas - nome que homenageia Margarida Alves, líder rural assassinada em 12/08/83, na Paraíba -, reunindo cerca de 20 mil trabalhadoras rurais de todo o País. A manifestação integra a etapa nacional das atividades da Marcha Mundial das Mulheres 2000 contra a Pobreza e a Violência, iniciativa do Canadá que conta com a adesão de mais de 146 países.

Além das inúmeras atividades que vêm sendo promovidas pela Rede Mulher - através dos Pontos Focais, sede e sócias-educadoras-, a entidade agendou, estrategicamente, para Brasília, no período da Marcha das Margaridas, uma das fases do projeto Capacitação de Lideranças Femininas Rurais, apoiado pelo BID-PROLID. Também dentro do projeto, foram produzidos dois programas de rádio, com dez minutos cada, que vão servir para divulgar a Marcha das Margaridas antes e durante o evento. A distribuição ficou a cargo da Rede Mulher e da Coordenação Nacional de Mulheres da CONTAG.

A Marcha das Margaridas prioriza as seguintes reivindicações:

  • a valorização e o fortalecimento da mulher na reforma agrária e na agricultura familiar;

  • garantia e ampliação de direitos trabalhistas e sociais;

  • o combate à violência e impunidade no campo e a todas as formas de discriminação social e de gênero.

No mundo todo, as atividades vão até 17/10, quando será entregue à ONU, as listas com os abaixo-assinados. Atenção: envie as folhas assinadas para a Secretaria Nacional da Marcha, até 10/10 (SOF - Rua Ministro Costa e Silva, 36 - CEP 05417-São Paulo/SP). Lá também você se inteira das outras atividades programadas, além de adquirir cartilhas, jornais, cartazes, camisetas e broches: telefax: (11)870-3876, e-mail: marcha2000@sof.org.br  e site: http://www.sof.org.br/marcha2000

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Mulheres em Movimento
AME promove desfile e bazar de roupas importadas
 

Visando angariar fundos, a AME-Associação de Mães pela Educação - Ponto Focal da RME -, de Osasco/SP, realizou um desfile com roupas doadas do exterior. Foi um jeito muito criativo de atrair a comunidade para o bazar que ainda continua funcionando, com lindas roupas de inverno e verão. A renda está sendo revertida para os trabalhos educativos que realiza, com 930 crianças e adolescentes, de seis meses a catorze anos, em oito creches comunitárias e um centro cultural esportivo. Participe e contribua para um projeto educativo transformador e sem discriminação. A AME fica localizada à rua Frei Gaspar, 39, Jardim Piratininga, Osasco e o telefone é (11) 7087-8599.

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Direitos da Mulher na estação República

Com o objetivo de informar à população sobre temas relacionados aos direitos da mulher, foi organizada uma exposição na estação de metrô República, durante o mês de maio, que contou com painéis da Rede Mulher, organizados por Walkíria Ferraz, além da participação de outras entidades. A iniciativa - que atraiu milhares de transeuntes - é da Estande e Lenisa, sob coordenação de Mônica S. Coutinho e José Luiz P.Coutinho, a quem agradecemos pela brilhante idéia, contribuindo para a divulgação de nossa luta. "A repercussão foi gratificante, com inúmeros telefonemas e visitas à sede", destacou Walkíria.

seta_2.gif (306 bytes) Alta Comissária da ONU recebe denúncias de OSCs
A Rede Mulher de Educação participou, em 17 de maio,
da Reunião das Organizações da Sociedade Civil com a Alta Comissionária de Direitos Humanos das Nações Unidas, Mary Robinson, promovida pelo Núcleo de Estudos da Violência (NEV/USP) e pela Comissão Teotônio Vilela de Direitos Humanos.

Representantes de diversas OSCs - como a Associação de Mães dos Internos da Febem, a Casa Vida, a União de Mulheres, o Movimento dos Sem Terra, Orgulho Gay -, além da Promotoria Pública, da Ouvidoria de Polícia do Estado de São Paulo e da Procuradoria do Estado da Vara da Infância e Juventude, apresentaram à comissária o outro ‘lado da moeda’ dos direitos humanos no Brasil, um quadro bem mais calamitoso do que as versões oficiais prestadas em âmbito governamental. Estiveram presentes, também, o secretário de Estado de Justiça e Defesa da Cidadania de São Paulo e o arcepispo emérito de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, a quem foi outorgado o Prêmio Severo Gomes.

As denúncias apontaram para algumas das ocorrências que infringem radicalmente os direitos humanos no Brasil, entre elas, a violência praticada contra crianças e adolescentes da Febem, sem-terra e sem-teto; as diversas formas de discriminação aos negros, homossexuais e mulheres; a precariedade do sistema educacional e do trabalho, e as péssimas condições de vida de presidiários. Foi dada ênfase à falta de colaboração do poder público e à falta de cumprimento e implementação da ampla legislação já vigente. Mary Robinson recebeu, em complemento, relatórios e vídeos de OSCs de diversas áreas sociais.

Ao final do encontro, ela ressaltou sobre a importância de "receber um retrato real da realidade", ou seja, de ouvir grupos que representam todas as áreas e que conhecem e trabalham diretamente com essas camadas da população. "Vi raiva e dor, me falaram de problemas profundos contra jovens e presos, da violência contra negros, mulheres e as diferenças sexuais... Mas, apesar dos problemas, considero que vocês têm dois pontos fortes: são parte de uma sociedade civil organizada honestamente e formando uma rede para resolver esses problemas... e estão aprendendo a se conectar aos Direitos Internacionais", enfatizou Mary Robinson.
A comissária, cuja presença no País teve visibilidade
nacional, afirmou que todos os relatórios alternativos serão devidamente considerados. Solicitou, também, que todas as outras OSCs que não tiveram oportunidade de entregar suas denúncias, que lhe enviassem posteriormente seus relatos. "Foi muito bom que seu governo tenha aceitado minha sugestão de convidar o relator especial do Comitê contra Tortura da ONU (Nigel Rodley) para uma visita oficial ao País", finalizou.

seta_2.gif (306 bytes) Estreitando o diálogo com universidades

 Dando continuidade à premissa de estreitar o diálogo com universidades e outros setores, visando o avanço de nossa luta, a Rede Mulher esteve presente na USP/Faculdade de Saúde Pública, representada pela sócia-educadora Maria José (Zéza) Lopes Souza, que proferiu palestra e realizou debate no Curso de Especialização sobre Participação Popular, para 28 alun@s, em 31 de maio.

O funcionamento da Rede Mulher e sua dinâmica foram exemplificadas com a experiência do Ponto Focal Grupo de Mulheres da Terra (Sumaré II/MST), do qual Zéza é coordenadora. Também foi repassado material para subsídio, como textos sobre a metodologia de educação popular feminista, a experiência em rede, entre outros.

seta_2.gif (306 bytes) Discutindo gênero, raça e classe em pré-vestibular 

 Uma aula interativa, para 40 alun@s do Educafro-Educação e Cidadania de Afrodescentes e Carentes (pré-vestibular para mulheres e afrodescendentes), abordou a construção social e seus estereótipos, perpassando a questão de gênero, raça e classe. No final, foi discutida a importância do projeto Educafro para o exercício de uma cidadania plena. Maria José (Zéza) Lopes Souza, que ministrou a aula, enfatizou: "Enquanto sócia-educadora da Rede Mulher, senti muito prazer em contribuir com este projeto. Ficou um pedido d@s alun@s e o meu desejo de retornar, desta vez, para abordar o tema da violência de gênero." O projeto Educafro funciona em São Paulo (fone: 11 9933-1560) e no Rio (fone: 21 756-0804).

seta_2.gif (306 bytes) Assentamento Sumaré II/MST completa 15 anos de luta

No dia 17 de maio de 1985, se deu a segunda ocupação de terras no município de Sumaré. "Hoje, passados 15 anos, vamos nos reunir mais uma vez para comemorar com toda sociedade organizada, os frutos da vitória e continuar mostrando que a Reforma Agrária dá certo." Foi com esse espírito que aconteceram diversas atividades no assentamento, entre elas, a do Grupo de Mulheres da Terra (Ponto Focal da RME), com atendimento a cerca de cem pessoas, pelos alunos do terceiro ano de Medicina/Unicamp, que contou com o apoio de uma médica. Foram realizados exames de prevenção de câncer, pressão, diabetes e vista. A celebração também contou com diversas atividades culturais e esportivas.

seta_2.gif (306 bytes) Mortalidade Materna

Por ocasião do Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher - 28 de maio - a Rede Saúde publicou o dossiê Mortalidade Materna, enfatizando que ‘a morte materna é um dos mais sensíveis indicadores das condições de vida de uma população’. O índice de mortalidade materna no Brasil se equipara ao dos países mais pobres da América Latina: 110 mortes por cem mil nascidos vivos. Para obtenção deste dossiê, contatar a Rede Saúde pelos telefones (0xx11) 813-9767 / 814-4970, fax (0xx11) 813-8578, e-mail: redesaude@uol.com.br .

seta_2.gif (306 bytes) Bahia aprova moção contra a violência

A Assembléia Legislativa da Bahia aprovou moção de solidariedade contra a violência, de autoria da deputada Alice Portugal. É destacada a situação alarmante dos índices de violência contra a mulher e solicitada a adoção de políticas públicas para prevenção e punição dos agressores. A moção nos foi encaminhada por Alvaíza Cerqueira, do MOC/Equipe de Gênero, Ponto Focal da RME.

seta_2.gif (306 bytes) Mídia ignora Beijing+5

Pode-se dizer que foi praticamente nula a cobertura brasileira sobre este importante processo de revisão, que aconteceu em Nova Iorque, no início de junho, visando avaliar o cumprimento da Plataforma de Ação Mundial - PAM, da Quarta Conferência Mundial da Mulher (Beijing/95). Para Jacira Melo, da Rede Saúde, "Beijing+5 não esteve na mídia do mundo todo, por causa do esvaziamento político da agenda social".

Ao avaliar o evento, Menchu Ajamil, consultora espanhola, enfatiza o seguinte: "Foi decisiva a participação das ONGs no sentido de barrar o processo de retrocesso. Os países islâmicos, a Polônia e a Nicarágua fizeram uma forte ponte com o Vaticano, adotando posições extremamente conservadoras". Acrescentou que "nesses cinco anos, o processo de articulação das mulheres é muito mais forte."

A AMB-Articulação de Mulheres Brasileiras lançou a publicação Balanço Nacional - Políticas Públicas para as Mulheres no Brasil - 5 anos após Beijing, que pode ser solicitada pelo telefone (0xx61) 328-1664, e-mail: articulação@cefemea.org.br .

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Tese: 
 O assalto à infância no mundo amargo da cana-de-açúcar
Onde está o lazer/lúdico? O gato comeu?

Tese de Doutorado na Área de Ciências Sociais aplicadas à Educação - ano 2000 
UNICAMP - Faculdade de Educação
Autor: Maurício Roberto da Silva (*)
Orientadora: Profa. Dra. Zeita de Brito F. Demartini

 Ver texto integral no Fórum de Debates

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