cunha41.jpg (43809 bytes) Edição Nº 41
Jul./Set. - 2000


Boas
Novas
pombo.gif (6450 bytes)
Comunique-se
Conosco
 

Cartas

Teses:

seta1.gif (306 bytes) Buscando renovar e inovar

No período de 7 a 9 de setembro, em Itapecerica da Serra, aconteceu um grande evento da Rede Mulher de Educação, que conciliou a realização da Assembléia Geral, com o Encontro Nacional sobre Socioeconômica Solidária.

A Assembléia teve um caráter especial, por coincidir com a finalização do processo de avaliação pelo qual vinha passando a entidade, com o apoio da Novib/Holanda. Com a assessoria do avaliador externo Klaus Schubert e da avaliadora Heloísa Nogueira (foto acima), o processo foi vivenciado de forma intensa, durante vários meses, clarificando as mudanças necessárias nesta fase de alavancagem.

Moema Viezzer, então presidente do Conselho, iniciou o dia com uma retrospectiva das atividades da entidade, assinalando os pontos fortes do recente crescimento, fruto de um trabalho de equipe. Vera Vieira, coordenadora-executiva, fez um detalhamento dos projetos dos últimos três anos e da evolução financeira, que levou à triplicação dos recursos em 2000. Ambas também expuseram as reais perspectivas futuras.

Heloísa e Klaus, através de dinâmicas especiais, relataram os principais aspectos da avaliação, cuja "proposta metodológica baseou-se na concepção de um processo participativo de reflexão sobre os avanços e dificuldades do passado, para iluminar o futuro, combinando o processo de avaliação com o início de um processo de desenvolvimento institucional." Foi focado o período de 1997/2000, por ser considerada a etapa de reconstrução e consolidação da Rede Mulher - que se segue ao período 94-96 marcado por uma forte crise institucional, pela revisão de sua institucionalidade e desenho de um novo modis operanti. Entre os pontos fortes foram assinalados: a marca do trabalho de educação popular feminista e a configuração de uma Escola de Formação em Gênero e Liderança, trajetória inovadora e pioneira, diversidade do perfil das sócias-educadoras e Pontos Focais, missão clara e partilhada, sólido acúmulo conceitual e metodológico, as interconexões, a incursão em políticas públicas, o impacto produzido pelas oficinas multiplicadoras, a visibilidade institucional. A principal fragilidade está no âmbito do desenvolvimento institucional, em particular, a gestão institucional e o perfil de financia-mento, insuficientes para dar conta deste novo momento de ampliação.

seta1.gif (306 bytes) Modelo alternativo une mulheres

O Encontro é parte das atividades de dois projetos sobre Gênero e Geração de Renda, que vêm sendo realizados pela Rede Mulher de Educação, junto com Pontos Focais. O financiamento é da agência canadense Desenvolvimento e Paz e da americana The Global Fund for Women. Esses projetos contam com a coordenação de Beatriz Cannabrava e serão alvo de matéria detalhada no próximo número do Cunhary. Os trabalhos sobre socioeconômica solidária ficaram a cargo de Ruth Takahashi e Valéria Barreto, que vêm participando ativamente das articulações nacionais e latino-americanas. "É a educação popular trabalhando estrategicamente com geração de renda, para chegar a um novo modelo com a socioeconômica solidária", enfatiza Ruth. "O conceito de socioeconômica solidária está voltado para a troca e não a competição entre as pessoas; o mais importante é quem caminha junto comigo, e é por isso que os grupos vêm se solidificando em todo o mundo", acrescenta Valéria.

Os trabalhos em grupos trouxeram resultados que determinaram a importância e as formas de participação efetivas junto à Rede de Socioeconômica Solidária, condição fundamental para o avanço dos projetos de gênero e geração de renda.Os temas trabalhados foram: princípios, sustentabilidade e articulação, formação e educação, e comunicação. "A socioeconômica solidária é um processo em construção, que depende muito da entrada das pessoas nesse movimento", friza Valéria.

É uma alternativa criativa para o desafio do crescimento econômico globalizado, que se apresenta como uma nova ordem política mundial. Mais uma vez, as mulheres atuam de forma diferenciada, no sentido da sustentabilidade e responsabilidade ecossocial, no que diz respeito à produção de bens e serviços. Além disso, elas continuam fazendo parte de grupos que não têm seus direitos elementares garantidos, agravado pelo modelo econômico excludente, adotado pelo atual governo brasileiro, no bojo do processo de dominação imposto pelo sistema neoliberal.

Os projetos de geração de renda só têm sucesso quando envolvem um processo de capacitação, não apenas técnico ou operacional, mas de exercício da cidadania, o que, no caso das mulheres, significa uma tomada de consciência de sua condição de mulher e sua inserção em um sistema de gênero.Representam a possibilidade de atingir direta e indiretamente a muitas mulheres de várias regiões do país, que enfrentam a necessidade de gerar renda. Constitui-se em um espaço de aglutinação das experiências em relação à socioeconômica solidária com perspectiva de gênero.

 

seta1.gif (306 bytes)

Mais 120 mulheres do Amapá recebem capacitação em gênero e geração de renda

A Rede Mulher de Educação realizou, no mês de setembro, mais um rodada de capacitação, agora envolvendo 120 mulheres desempregadas, residentes em trinta bairros de Macapá. A faixa etária variava entre 15 e 65 anos, sendo a maioria na faixa dos 18 aos 25 anos. Os cursos foram ministrados por Miriam Duailib e Maria José Lopes Souza, numa promoção do Governo do Estado do Amapá (AGEMP) e do SEBRAE. Com uma carga horária de 20 horas, cada uma das cinco turmas participou intensamente de todos os conteúdos dos módulos: perspectiva de gênero, o empoderamento das mulheres, contextualização socioeconômica, pesquisa de mercado, capacitação técnica e gerencial, divulgação/marketing, negócios ambiental-mente corretos e trabalho em rede. "As participantes apresentam grande interesse em ter seu próprio negócio. Com o curso, passam a ter uma grande expectativa de conseguir dar um novo rumo as suas vidas", avaliam Míriam e Zéza, emocionadas com os resultados obtidos em mais esta etapa.

 

seta1.gif (306 bytes)

Buscando o avanço na pluralidade do debate e da prática

Com 62 representantes dos países da América Latina e Caribe, o Encontro, ao contrário do anterior, realizado há três anos, foi marcado por um sentimento de construção coletiva para, a partir dos novos desafios, fazer com que o CEAAL recupere a incidência e importância do passado.

A introdução das discussões sobre o projeto do CEAAL foi feita por Maria Clara Di Pierro e Rocío Lombera, enfocando a orientação conceitual e política, a definição de projetos comuns continentais e regionais, e idéias para a operacionalização dos mesmos. Em seguida, o então presidente, Jorge Osório, fez uma apresentação sobre os dilemas e tensões que atravessam a ação do CEAAL.

Os trabalhos em grupos foram realizados em três formatos: inter-regionais, regionais e por redes/grupos temáticos.

Como resultado, houve um consenso em torno de alguns compromissos para os próximos quatro anos, que foram sistematizados por Pedro Pontual, o novo presidente, em recente mensagem a todos os membros:

Ö a determinação de continuar buscando incidir nos processos marcados pelo final de século e mudança de milênio, a partir da perspectiva latino-americana e de um olhar sobre a contribuição do educativo na superação das distintas formas de exclusão e discriminação, no fortalecimento dos mecanismos da democracia participativa e da constituição de uma cidadania ativa;

  • que o programa de ação do CEAAL reflita um equilíbrio entre os distintos temas, atores e níveis de incidência que marca a atuação de todos os membros;

  • continuar a buscar oportunidades para articular e desenvolver distintas formas de cooperação com outras áreas, instituições e pessoas inspiradas pelos mesmos ideais;

  • resgatar a vitalidade do CEAAL, mantendo-o como um espaço plural, capaz de impulsionar um processo de permanente debate, diálogo e reflexão crítica. A identificação do marco conceitual da educação popular na América Latina foi assinalada como um eixo temático comum, em torno do qual o CEAAL tem acúmulo histórico e a responsabilidade de atualizar este conhecimento;

  • fortalecer as regiões (e coletivos nacionais), bem como as redes e os grupos temáticos, visando a descentralização;

  •  impulsionar a comunicação interna e externa.

 

seta1.gif (306 bytes)

Tese:
A mulher operária: artesã da história,
na "cidade sem lei"...

Monografia apresentada ao Departamento de História - ano 1999

Universidade de Sergipe
Autora: Ana Maria Santos (*)
Orientadora: Profa. Mestra Neilza Barreto
Ver texto integral no Fórum de Debates