| Conferência
Mundia contra o racismo e o exercício da diversidade Mulheres negras fazem a diferença no Fórum Preparatório Cerca de 1500 pessoas, vindas de todos os países da América Latina e Caribe, estiveram reunidas nos dias 3 e 4 de dezembro, em Santiago do Chile, participando do Fórum de Ongs Preparatório para a III Conferencia Mundial contra o Racismo, que acontecerá de 30 de agosto a 7 de setembro em Durban, na África do Sul. A maior delegação estrangeira foi a do Brasil, com 177 participantes, incluindo organizações do movimento negro, sindical, de mulheres negras e outros movimentos sociais que atuam contra o racismo, o preconceito, a discriminação racial e todas as formas de intolerância. O maior contingente da delegação brasileira era formado por mulheres negras, que atuaram de maneira eficiente e organizada em todos os espaços do Fórum, e, segundo Mary Robinson, alta comissariada das Nações Unidas para os Direitos Humanos, "fizeram toda a diferença". Mas não por acaso: essa delegação, composta por mulheres negras de Norte a Sul do país, vem se preparando há seis meses, incluindo dois encontros nacionais, estratégias próprias de comunicação, elaboração de um documento com pontos a serem negociados na Declaração da Conferência e na sua Plataforma de Ação. Um ônibus, organizado pelo Geledés, saiu de São Paulo, com 22 militantes negros, dos quais 18 mulheres. Essa delegação era composta na sua maioria de jovens, mas também de mulheres negras de movimento de base (de Santos, da Cidade Tiradentes, de Campo Limpo), numa verdadeira alquimia. Apesar do cansaço de uma viagem de 54 horas e do desconhecimento desse espaço de conferências da ONU, atuaram de maneira articulada, ocupando as plenárias, intervindo, trocando informações. Tiveram dois dias para entender de declarações, planos de ação, caucus, e segundo avaliação, voltaram fortalecidas e, acima de tudo, se sentindo incluídas como protagonistas de um processo que sempre se fala delas, mas nunca por elas mesmas. Durante o período do Fórum, também chamado de Conferencia Ciudadana, o que prevalesceu foi um grande exercício de diversidade: sentados na mesma mesa, estiveram afrodescendentes, indígenas, judeus, homossexuais, mulheres, runs-gitanos, elaborando um documento onde fossem incluídas especificidades de cada grupo, sem perder a visão holística do problema principal de cada participante, que é a eliminação do racismo, da discriminação, e na construção de uma sociedade planetária, onde nenhum diferente seja tratado como desigual. A ausência do Movimento Feministas O Movimento Feminista brasileiro e de outros países da América Latina - com exceção da REPEM e da Articulação de Mulheres Negras Brasileiras, representada pela sua coorde-nadora - foi o grande ausente nessa Conferência, numa demonstração evidente de que ainda não fomos capazes de encontrar uma forma de resolver a difícil equação: a conjugação de sexismo e racismo são iguais à exclusão, no caso de mais de 50% das população feminina do país, e, portanto, não há como falar em democracia e liberdade sem resolver esse problema. Embora reconhecendo o protagonismo das mulheres negras nesse processo, esse Movimento deveria, a exemplo do que construiu nas Conferências anteriores da ONU, expressar de maneira inequívoca, seu compromisso com o fim do racismo, um crime que lesa a humanidade, e que, no Brasil, opera de maneira perversa, através do mito da democracia racial. Nos dias 5 a 7, também em Santiago, aconteceu a Pré-Conferência das América, Preparatória para a III Conferência Mundial contra o Racismo a conferência dos governos, que reuniu dezenas de chefes de Estados da América Latina e Caribe, dos Estados Unidos e Canadá. Dessa Pré-Conferência, participaram organizações não-governamentais e entidades de movimentos sociais que se credenciaram como observadoras nesse evento de governos. A delegação oficial do Brasil, como sempre acontece nos espaços internacionais, se posicionou de maneira bastante progressista em todas as questões de gênero, inclusive em temas polêmicos, como os que tratam das reparações para os afrodescendentes, numa distância evidente para nós, dos movimentos sociais, sobre o lugar de onde falava a distância entre o discurso e a prática nos levava, às vezes, a querer vir morar no país mostrado pela delegação oficial brasileira. Tanto no Fórum de Ongs como na Conferência Oficial, prevaleceu um grande espetáculo de diversidade, num amplo debate de idéias e utopias: a solidariedade entre os diferentes. Foi dado um grande passo, mas temos grandes desafios até a Conferência na África do Sul. Para isso, vamos necessitar de todas as pessoas, na cons-trução de uma sociedade digna desse Novo Milênio. |
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| Desenvolvimento e Paz discute reprogramação de apoio ao Brasil
No período de 13 a 15 de novembro, a Organização Católica Canadense pelo Desenvolvimento e Paz realizou, em São Paulo, um seminário de reprogramação das atividades no Brasil até 2005, com a participação de quarenta pessoas, entre representan-tes de entidades por ela financiadas, observador@s (Sérgio Haddad e Genoveva Campos), além de representantes da D&P - Charmain Levy, encarregada de programas da América Latina; Paul Cliche, encarregado geral; e Denis Labelle, membro do Conselho. Foi uma ocasião ímpar para criar uma relação mais próxima e solidária, que se soma ao objetivo de corrigir falhas e reforçar os sucessos da atuação da D&P no Brasil. O consultor Domingos Armani - responsável pela recente avaliação da agência - apresentou os resultados de todo o processo. O painel O papel das Ongs e dos Movimentos Populares na Conjuntura Política Nacional contou com a apresentação de Jorge Eduardo Durão, da FASE; Francisco Mesquita, da EQUIP; Madalena Dias, do Movimento Nacional de Luta pela Moradia e Tonico, do MST, tendo sido coordenado por Vera Vieira, da Rede Mulher. Foram realizadas discussões em grupos enfocando, entre outros, os temas prioritários e os apoios pontuais. O apoio logistício do encontro ficou a cargo da Rede Mulher de Educação, com a participação de Vera Vieira e Walkíria Ferraz. Comunicação: da confrontação à reconciliação A WACC (Associação Mundial para a Comuni-cação Cristã), Subregião Brasil, realizou o seminário temático Da Confrontação à Reconciliação - 500 anos: é hora de mudar, em São Leopoldo/RS, no período de 17 a 19 de novembro, organizado por Raquel Figur e Eloy Tackemeyer. As quinze pessoas participantes, membros da WACC, tiveram a oportunidade de vivenciar e discutir a trama das relações comunicacionais, seguida das palestras de Marcos Rolim, deputado federal/PT-RS e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, em Brasília, e de Oneide Bobsin, professor na Escola Superior de Teologia da IECLB. Marcos Rolim destacou o processo de luta pelos direitos humanos, dividindo-o em quatro gerações: direitos civis e políticos; direitos sociais e culturais (mais amplos); direitos dos povos ou das nações (paz); e direitos tecnológicos e científicos (que vêm produzindo novos conflitos e problemas). "No Brasil, há um conjunto de dificuldades, pois vivemos no país com a maior desigualdade social do mundo. Há um enorme abismo social, com duas realidades apartadas. Este é um problema estrutural. Não é a pobreza, pois há países muito pobres como Gana, em que a taxa de homicídios possui um índice de Primeiro Mundo. O problema da violência é a mais grave conseqüência da situação brasileira", enfatizou ele. Oneide Bobsin, que procura entender o Brasil a partir da religião, abordou aspectos de seu livro A morte morena do protestantismo branco, a ser lançado brevemente. E como ele vê a questão política a partir da religião?: a troca da oferenda pelo benefício - negociação com a divindade; a vítima do sacrifício é substituída pelo dinheiro. PROJETOS WACC: O prazo para apresentação de projeto vai até 15/01, podendo apresentar solicitações tanto as entidades filiadas como as não filiadas. Para maiores informações, consultar o site: www.wacc.org.uk. CONGRESSO WACC: Comunicação - da confrontação à reconciliação é o tema do Congresso Mundial da WACC, que será realizado na Holanda, no período entre 3 e 7 de julho de 2001. Para inscrições e mais informações, consultar o site www.wacc.org.uk ou enviar e.mail para Congress@wacc.org.uk. |
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Inauguração do Centro de Educação e Cultura Paulo Freire: jovens como solução No dia 20 de novembro, a Associação das Mulheres pela Educação (AME), de Osasco/SP - em parceria com o Instituto C&A para o Desenvolvimento Social e a Cooperativa do Rochdale -, inaugurou o Centro de Educação e Cultura Paulo Freire - um amplo e equipado espaço destinado a atividades de educação e cultura, prioritariamente para jovens. É mais um espaço em que a AME vai desenvolver sua metodologia de educação voltada para a cidadania plena, encarando @s jovens como solução e não como problema. Dentre as atividades, destacam-se:
O Centro já tem parceria efetivada com a E.E. Júlia Lopes e com o Instituto Paulo Freire, estando aberto para outras parcerias com entidades da comunidade. A inauguração contou com a presença de inúmeras pessoas da comunidade e convidadas, além do Dr. Marrei presidente da Cooperativa do Rochdale, Pedro Lins - presidente do Instituto C&A, Vera Vieira e Beatriz Canabrava respectivamente, coordenadora-executiva e sócia-fundadora da Rede Mulher de Educação, Terezinha Maria dos Santos Presidente da AME, Helena Maria Ferrari coordenadora da AME e membro do Conselho de Administração da Rede Mulher de Educação. Também compareceram representantes do governo municipal, como Guaçu Pitelli, Secretário da Educação, além do diretor e de professor@s e da E.E. Júlia Lopes. |
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Disque: SOS - Serviço de Orientação à Saúde da mulher A WEDO (Womens Environment & Development Organization) lançou a campanha 50%-homens/50%-mulheres em 2005 - Mulheres no Poder - Conquiste o Equilíbrio!, em nível mundial. Mais da metade da população do planeta é de mulheres, entretanto, elas ocupam apenas 12,7% dos assentos parlamentares. Nenhum governo pode considerar-se democrático até que seja garantida repre-sentação igualitária às mulheres. Na IV Conferência Inter-nacional da Mulher-Beijing, em 1995, representantes gover-namentais de 189 países comprometeram-se a avançar no cumprimento deste item da Plataforma. Até o momento, houve um aumento de apenas 5%. Caso continue nesse ritmo, vai levar 75 anos para alcançar o equilíbrio. Você pode aderir à campanha através do site www.wedo.org , e-mail: wedo@igc.org , fone: (1 212) 973-0325, fax: 973-0335. O endereço da WEDO é: 355 Lexington Avenue, Third Floor, New York, NY 10017, USA. Trata-se de um imprescindível serviço para que a mu-lher quebre o silêncio, dividindo suas angústias, dúvidas e sofrimentos. Basta ligar para (11) 3034-2321, de segunda a sexta-feira, das 8h as 12h e das 13h as 17h. O disque SOS Mulher foi criado pelo Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde para ajudar às mulheres de todas as idades que necessitem de informação, orientação, acon-selhamento e encaminhamento a serviços especializados, no âmbito da saúde da mulher: anticoncepção e concepção, gravidez e parto, menopausa, violência sexual e doméstica, prevenção de DSTs/AIDS. |
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A presença das mulheres no Fórum Social Mundial A cidade de Porto Alegre vai sediar, no período de 25 a 30 de janeiro, o Fórum Social Mundial, que acontece simultaneamente ao Fórum Econômico Mundial, a realizar-se em Davos, Suiça. O Fórum Social Mundial será um novo espaço internacional para a reflexão e a organização de quem se contrapõe às políticas neoliberais e está construindo alternativas para priorizar o desenvolvimento humano e a superação da dominação dos mercados em cada país e nas relações internacionais. O resultado que se espera é a identi-ficação de caminhos e propostas mobilizadoras para mani-festações e ações concretas da sociedade civil, com a articu-lação entre Ongs, movimentos sociais, sindicatos, associa-ções e entidades religiosas em cada país. Já está garantida transversalidade às temáticas de gênero e a participação de feministas em painéis. A proposta foi apresentada pela Articulação de Mulheres Brasileiras, Rede Nacional Feminista de Direitos Reprodutivos, Cladem-Brasil (Comitê Latino-Americano e do Caribe de Defesa dos Direitos da Mulher), Observatório da Cidadania-Brasil, Repem (Rede de Educação Popular entre Mulheres da América Latina) e Rede Dawn-Global. Para mais informações e inscrições, basta acessar o site www.forumsocialmundial.org.br . |
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O projeto, desenvolvido neste ano, dá continuidade ao trabalho realizado através do Seminário Superando Obstáculos na Prevenção e Combate à Violência contra a Mulher", ocorrido em Campinas, em novembro de 1998. A segunda fase teve como objetivo desenvolver, a partir das recomendações resultantes do referido seminário, uma estratégia de prevenção e combate à violência contra a mulher voltada, especificamente, à prática cotidiana dos municípios. Para o desenvolvimento desta etapa, a Rede Mulher de Educação contou com a parceria do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Porto Alegre (COMDIM/POA) e da Casa de Apoio Viva Maria de Porto Alegre (CAVM/POA), com o patrocínio da GTZ-Cooperação Técnica Alemã e apoio institucional do UNIFEM. O projeto consistiu na preparação e realização de um seminário aberto e uma oficina com vinte especialistas da área de gênero e violência intitulados Tecendo a Rede de Serviços na Prevenção e Combate à Violência contra a Mulher nos Municípios Desafios e Propostas, realizados no período de 25 a 27 de outubro de 2000, na Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre. Diversos estudos e documentos nacionais e interna-cionais apontam para o fato de que a violência contra a mulher exige ações integradas para a sua prevenção e com-bate mais efetivos. Nesse desafio está a construção de redes de serviços públicos que articulem a atuação governamental e não-governamental em áreas como segurança pública, saúde, educação, assistência psicossocial, trabalho, habitação, entre outras. A proposta teve como objetivo geral identificar elementos que possam subsidiar a construção de redes de serviços públicos de prevenção e combate à violência contra a mulher em outras localidades do país, a partir da experiência institucional de Porto Alegre e outras. O município de Porto Alegre foi escolhido como parceria para esse projeto piloto, em grande parte, por apresentar um certo nível de trabalho em rede de serviços. "Apesar de seu grau de institucionalidade abaixo do ideal, destaca-se no cenário brasileiro", reconhece Télia Negrão, presidente do COMDIM/POA. O seminário contou com a participação de Moema Viezzer (RME), enquanto coordenadora geral do Projeto, Télia Negrão (presidente do COMDIM/POA) e Ana Lúcia Dagord (coordenadora da CAVM/POA) discutindo a problemática a partir da realidade local de Porto Alegre e do nível de informalidade e institucionalidade da questão no município, em especial do trabalho do Conselho e da Casa de Apoio Viva Maria. Denise Carreira (presidente do Conselho de Administração da RME) compartilhou a experiência de um projeto específico de capacitação para policiais sobre violência contra a mulher (QSL: Quebrando Silêncios e Lendas). A moderação da mesa esteve a cargo de Astrid Kuchemann (consultora do Projeto) e, nos debates, de Valéria Pandjiarjian (coordenadora técnica do Projeto). O público alvo foi composto por representantes de instituições governamentais e não-governamentais que lidam diretamente com o enfrentamento da problemática da violência contra a mulher e, em especial, aquelas envolvidas na elaboração, implementação, monitoramento e avaliação de políticas públicas em Porto Alegre. A oficina atividade central do Projeto - contou com um número limitado de participantes, mas que estão profundamente envolvidas com a problemática. A moderação foi compartilhada entre as integrantes da equipe de trabalho já citada. O projeto de produção, publicação e divulgação de um guia - a ser distribuído a todos os municípios brasileiros -está sendo desenvolvido com o apoio financeiro do UNIFEM e busca de parceria junto ao CNDM - Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. O atual processo de desenvolvimento do guia - conceitual, metodológico, estrutural e de conteúdo - está alicerçado na riqueza e no alto nível dos trabalhos de preparação, na produção de instrumentos para diagnóstico institucional da problemática, bem como na metodologia e nos conteúdos aplicados na oficina. |