Edição Nº 47
Jan./mar. - 2002

 

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8 de março - Dia Internacional da mulher:

Conferência Nacional de Mulheres Brasileiras

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Mensagens

Meu lado mulher

Meu lado mulher incomoda-se de receber homenagens num dia do ano - 8 de março - enquanto meu lado homem se farta com 364 dias. Talvez se faça necessária esta efeméride , dor recente de uma cicatriz antiga. Porque vive-se numa sociedade machista: matrimônio - o cuidado do lar; patrimônio - o domínio dos bens. O marido possui a casa, o carro e a mulher, que incorpora ao nome o da família dele.

A casa, ele exige que se limpe todo dia. O carro, envia à oficina ao menor defeito. À mulher, ser multifacetado, cabe o dever de cuidar da casa, dos filhos das compras e do bom-humor do marido, que nem sempre se lembra de cuidar dela.

Meu lado mulher nunca viu o marido gritar com o carro, ameaça-lo ou agredi-lo. Nem sempre, entretanto, ela é tratada com tanto respeito. Na Igreja católica, os homens têm acesso aos sete sacramentos. Podem até ser ordenados padres e mais tarde, obter dispensa do ministério e contrair matrimônio.

As mulheres, consideradas pela teologia vaticana um ser naturalmente inferior, só têm acesso a seis sacramentos. Não podem receber a ordenação sacerdotal, embora merecido de Jesus o útero que o gerou; o seguimento de Joana, de Susana e da mãe dos filhos de Zebedeu; a defesa da mulher adúltera; o perdão à samaritana; a amizade de Madalena, primeira testemunha de sua ressurreição.

Meu lado mulher tem pavor da violência doméstica; do pai que assedia a filha, jogando-a nas garras da prostituição; do patrão que exige préstimos sexuais da funcionária; do marido que ergue a mão para profanar o ser que deu à luz seus filhos.

Diante da TV ou de uma banca de revistas, meu lado mulher estremece: cala a boca, Magda! Ela é a burra, a imbecil que rebola no fundo do palco, mergulha na banheira do Gugu, expõe-se na casa do brother, associa-se à publicidade de cervejas e carros como um adereço a mais de consumo.

Meu lado mulher tenta resistir ao implacável jogo da desconstrução do feminino: tortura do corpo em academias de ginástica; anorexia para manter-se esbelta; vergonha das gorduras, das rugas e da velhice; entrega ao bisturi que amolda a carne segundo o gosto da clientela do açougue virtual; o silicone a estufar protuberâncias. E manter a boca fechada até que haja no mercado um chip transmissor automático de cultura e inteligência a ser enxertado no cérebro. E engolir antidepressivos para tentar encobrir o buraco no espírito, vazio de sentido, ideais e utopia.

Meu lado mulher esforça-se por livrar-se do modelo emancipatório que adota, como paradigma, meu lado homem. Serei ela se ousar não querer ser como ele. Sereia em mares nunca dantes navegados, rumo ao continente feminino, onde as relações de gênero serão de eqüidade, porque o diferente não se fará divergente. Aquilo que é, só alcançará plenitude em interação com o seu contrário.

Como ocorre em todo verdadeiro amor.

Amigas e amigos,
Encaminho a vocês essa linda e reflexiva mensagem enviada pela Mariza F. de Paula, mulher de fibra, liderança e poder amoroso com quem temos a grande honra de conviver aqui nas Minas Gerais. Que não descansemos até que os 365 dias de direitos humanos sejam para todos e todas. Parabéns pelas nossas conquistas! Com desejos de justiça , paz e amor para nós. Carinho da Valéria , do Gil e da Flora ... geração futura, por quem atuamos no presente.

(N.E.: Valéria Barreto é sócia-educadora da Rede Mulher de Educação, membro do Conselho de Administração e uma das coordenadoras do ponto focal Associação Mãos Mineiras, Lima Duarte/MG).

 

 

 

8 de março - Dia Internacional da Mulher

Mulheres conquistam a avenida Paulista

Com reivindicações prioritárias de igualdade, soberania e autodeterminação e sob uma chuva torrencial, cerca de 8 mil participantes estiveram presentes na passeata do 8 de Março em São Paulo que, pela primeira vez, não teve como marco a tradicional Praça Ramos, no centro da cidade: a avenida Paulista foi o novo espaço eleito e conquistado pelas mulheres de diversas organizações e movimentos do Estado de São Paulo.

A prefeita paulistana, Marta Suplicy, discursou para a ampla concentração que antecedeu à marcha, realizada na Praça Oswaldo Cruz. Por outro lado, alguns homens aderiram ao ato, entre eles o candidato à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

O crescente interesse da mídia pela data parece mostrar a conscientização, ainda limitada, de uma antiga necessidade: a de abordar mais profundamente temas até então pratica-mente restritos às discussões dos movimentos feminista e de mulheres, a institutos especializados, a alguns núcleos universitários, entre eles os das desigualdades nas relações de gênero no mundo do trabalho e doméstico, o da violência contra mulheres, etc. A imprensa foi presença notória no evento paulistano, que também pode ser explicada pelo fato de, pela primeira vez, existir uma pré-candidata à presidência da República.

A Rede Mulher, por meio de sua coordenadora executiva e de suas sócias-educadoras, foi chamada durante o mês de março para conceder entrevistas para TV, rádios e jornais. Grupos mistos e de jovens também estão cada vez mais interessados em conversar com especialistas sobre as problemáticas nas relações entre mulheres e homens. O objetivo é claro: uma sociedade mais justa não é possível com machismo, preconceitos e discriminações. A Rede Mulher ministrou várias palestras e também foram vários os eventos que aconteceram em diversas localidades do país no mês de março.

 

Contra Roseana

Foi também na avenida Paulista que a Rede Mulher de Educação divulgou sua rejeição à possibilidade de ter Roseana Sarney como presidenta do Brasil. A faixa com os dizeres "Fora Roseana! Não basta ser mulher!" foi destaque em jornais paulistanos como Folha de São Paulo (no caderno A, o principal) e Jornal da Tarde. Apesar de considerar válida a sua candidatura - como a de qualquer candidato ou candidata que não tenha manchas em seu currículo -, a Rede achou imprescindível lembrar às pessoas as origens políticas e a trajetória da maranhense: apoiada por conhecidos "coronéis" da política nacional, tem promovido um falso discurso em favor dos direitos da mulher, pelos quais nunca lutou. Um exemplo deste fato é que o seu Estado sequer possui um Conselho dos Direitos da Mulher. Estiveram presentes na passeata, representando a Rede Mulher, Beatriz Cannabrava, Denise Carreira, Denise Gomide, Hilda Fadiga, Ruth Takahashi e Vera Vieira.

Cerca de 8 mil mulheres participaram da passeata na avenida Paulista, coração econômico do país, mesmo sob chuva torrencial.

De uma forma geral, o Comitê Estadual da Marcha Mundial de Mulheres, do qual a Rede Mulher de Educação é integrante, representada por Denise Gomide, avaliou que a passeata e sua repercussão foram um sucesso. Apontou, também, para o acerto da escolha do local, significativo neste momento conjuntural, por ser a avenida Paulista um centro de poder.

No dia seguinte, a faixa da Rede Mulher de Educação foi destaque no primeiro caderno, o principal, do jornal Folha de São Paulo.

 

 

Você sabia?

  • Somos mais de 86 milhões de brasileiras e representamos 41% da PEA, mas cerca de 40% das mulheres exercem atividades econômicas consideradas precárias: emprego doméstico, atividades não-remuneradas e auto-consumo.

  • As brasileiras ganham, em média, 64% dos salários pagos a homens nas mesmas funções. No entanto, a escolaridade feminina é maior, as mulheres estão inseridas em todos os setores econômicos, além de cumprirem dupla ou tripla jornada de trabalho.

  • O trabalho doméstico não-remunerado, ou seja, o das donas de casa, não é considerado pelos censos (FIBGE, por exemplo) como atividade econômica.

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    Aconteceu em São Paulo

    A comemoração do Dia Internacional da Mulher em São Paulo motivou as autoridades govenamentais a tomarem medidas há muito necessárias, entre elas:

  • Assinatura do convênio entre a Co-missão da Mulher Advogada da OAB/SP, a Procuradoria Geral do Estado e a Secretaria de Estado da Segurança Pública. O objetivo do convênio é prestar assistência jurídica gratuita para as mulheres vítimas de violência nas 125 Delegacias de Defesa da Mulher do estado  de São Paulo. As(os) advogadas(os) inscritas(os) para o Atendimento passarão por um curso  acerca da Violência de Gênero e farão plantões, em duplas, nas delegacias. Informações: fones (11) 3105-0465 e 239-5122, ramal 224.

  • Inauguração da Casa de Isabel, Centro de Apoio à Mulher, Criança e Adolescente vítimas de violência doméstica, rua Cachoeira Alta, 181 - Itaim Paulista, pela PMSP.

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    CNDM conquista status de Secretaria de Estado

    A partir de 8 de março, o CNDM (Conselho Nacional dos Direitos da Mulher) passou a estar vinculado diretamente ao gabinete do ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira. O anúncio foi feito pela presidenta do Conselho, Solange Bentes Jurema, nesse mesmo dia, por ocasião do lançamento do selo da EBCT, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher.

    A solenidade aconteceu em Brasília, onde também estiveram presentes os ministros das Comunicações, Pimenta da Veiga, e da Integração Nacional, Ney Suassuna. Ambos "assinaram protocolo para a implementação de ações que garantam igualdade de oportunidade no mercado de trabalho, principalmente em regiões mais pobres, como áreas de fronteira. Para isso, serão realizados programas de capacitação de mulheres e de orientação sobre a formação de cooperativas", informa artigo divulgado no site do CNDM. Para Aloysio Nunes, a assinatura do protocolo demonstra "que as ações do Ministério da Integração Nacional não se referem apenas à dimensão regional, mas têm o sentido de integração dos brasileiros em torno da idéia do desenvolvimento".

    O artigo prossegue informando que "o ministro assinou também protocolo com o Conselho Nacional dos Seringueiros com o objetivo de despertar consciência da trabalhadora rural para seus direitos, além de estimular a implantação de representações do Conselho de Seringueiros. Aloysio Nunes garantiu que ‘não será apenas um protocolo de intenções. Vamos passar das intenções para os atos, para a realidade’." A Secretaria da Mulher, do Conselho Nacional dos Seringueiros, é um importante ponto focal da Rede Mulher de Educação.

    Até o fechamento deste Cunhary não conseguimos localizar Solange B.Jurema, por se encontrar viajando a trabalho. Na próxima edição estaremos publicando matéria sobre as expectativas concretas de avanço do CNDM neste novo momento.

     

     

    Conferência Nacional de Mulheres Brasileiras
    A construção de uma Plataforma Político-Feminista

    Com base no debate e na mobilização de movimentos, organizações e redes de mulheres, ocorrerá em Brasília, nos dias 6 e 7 de junho, a Conferência Nacional de Mulheres Brasileiras, cujo principal objetivo é construir uma Plataforma Político-Feminista dirigida à sociedade brasileira, visando ao fortalecimento da democracia e a superação das desigualdades econômicas, sociais, de gênero, raça e etnia. A Conferência Nacional e o lançamento da Plataforma Política Feminista vão acontecer no Congresso Nacional, centro simbólico dos principais debates políticos. Durante o encontro, será realizada em Brasília uma grande manifestação feminista.

    As organizadoras consideram que, desde o processo Constituinte de 1988, o movimento feminista não atualiza, de forma conjunta, sua pauta de luta por meio do debate de valores e princípios feministas. Diante disso, a proposta da CNMB é a de discutir problemas como: a saúde e os direitos reprodutivos; as questões relacionadas ao racismo e à violência, à luta das trabalhadoras rurais, urbanas e domésticas, às prioridades das mulheres indígenas entre outras questões, no âmbito da democracia, solidariedade, cidadania e justiça social, considerando o contexto macroeconômico.

    Para participar da Conferência, é preciso concordar com a Carta de Princípios, cujos pontos enfatizam a necessidade de comprometimento, entre vários outros aspectos, com as lutas contra todas as formas de discriminação de gênero, de raça/etnia, contra lésbicas e gays.

     

    Conferências Estaduais

    Para aprofundar o debate político e para a redação final da Plataforma Política Feminista da CNMB, foram formados vários Comitês Estaduais, pelas Regionais da Rede-Saúde, Fóruns da Articulação de Mulheres Brasileiras, Articulação e Fórum de Mulheres Negras, Articulação de Mulheres Trabalhadoras Rurais, grupos feministas, mulheres feministas organizadas nos movimentos populares, sindicatos, partidos e núcleos de estudos e pesquisa, que estão realizando Conferências Estaduais e Regionais.

    Até o início de abril, 17 Estados já tinham suas Conferências programadas. Em São Paulo, a Conferência Estadual ocorrerá durante o dia 4 de maio. Na ocasião, será debatida a primeira versão da Plataforma Política Feminista. Para tal, serão formados dez grupos de trabalho que contarão com o apoio de especialistas convidadas para formular as contribuições feministas de São Paulo para a CNMB.

    A primeira versão da Plataforma, que deve orientar os debates das Conferências Estaduais, está organizada com base em cinco principais tópicos: 1. Da democracia política; 2. Do Estado democrático e justiça social; 3. Da inserção do Brasil no cenário internacional; 4. Da democratização da vida social; 5. Da liberdade sexual e reprodutiva.

       
    Organizações que convocam a Conferência

    A Comissão Organizadora Nacional da CBMB é constituída por diferentes articulações, redes e instâncias nacionais dos movimentos de mulheres: Articulação de Mulheres Brasileiras / Articulação Nacional de Mulheres Trabalhadoras Rurais / Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras para a III Conferência Mundial contra o Racismo / Comissão Nacional sobre a Mulher Trabalhadora da Central Única dos Trabalhadores / Fórum Nacional de Mulheres Negras / Rede de Mulheres no Rádio / Rede Nacional Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos / Rede Nacional de Parteiras Tradicionais / Secretaria Nacional de Mulheres do Partido dos Trabalhadores / União Brasileira de Mulheres

    Comitê de Parcerias: É formado por organizações - inclusive mistas - que subscrevam a Carta de Princípios e apóiem e potencializem politicamente a proposta da CNMB. Até o momento compõem este Comitê: Rede Mulher de Educação / ABONG / IBASE / FASE / Articulação Aids de Pernambuco: Amhor / Grupo Turma da Prevenção / Rede de pessoas + / Casa Abrigo Sempre Viva /

    Centro de Prevenção às Dependência / Gestos / Papai / GMM - Grupo Mulher Maravilha.

    Leia as íntegras da Plataforma Política Feminista e da Carta de Princípios estão disponíveis em:

    www.articulacaodemulheres.org.br

       
    Questão de Vida
    Balanço regional e desafios sobre o direito das mulheres a uma vida livre de violência

    O coquetel de lançamento da excelente publicação ocorreu em dezembro último, numa parceria entre o Cladem-Brasil (Seção Nacional do Comitê Latino Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher), que é coordenado por Sílvia Pimentel, e a Rede Mulher, com o apoio da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo. Para a concretização deste trabalho, "o Cladem convocou, em 1999, suas articulações e enlaces nacionais em dezessete países da região e, em parceria com o Escritório Regional Andino da Oxfam/BG, integrou ao processo sete organizações não-governamentais da área, com trajetória na problemática da violência contra a mulher." O relatório brasileiro foi elaborado por Sílvia Pimentel, Daniela Muscari, Isabella Mucci e Neli Gamboa. A tradução da publicação, do espanhol para o português, foi elaborada por Beatriz Cannabrava.

    Para solicitação de exemplares, contatar o Cladem-Brasil, através do e-mail cladem@osite.com.br ou a Rede Mulher de Educação, e-mail rdmulher@redemulher.org.br.

       
    Publicações
    Gener(and)o na UFMT

    O Nuepom (Núcleo de Estudos, Pesquisa e Organização da Mulher) - que é ponto focal da Rede Mulher de Educação e é coordenado pela sócia-educadora Madalena Rodrigues -, foi criado, em 8 de março de 1991. Ao completar mais um aniversário, o Nuepom lança esta importante publicação, através da Adufmat (Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso), organizada por Marluce Souza e Silva. Os trabalhos que compõem o livro foram apresentandos em dois seminários realizados em 1999, e resultam de dissertações e teses, pesquisas e conferências: Educar sem discriminar: um desafio, uma conquista (Madalena Rodrigues); Gênero, educação e consciência política (Elizeu Riscarolli); Gênero e educação: tecendo fios, trançando histórias (Jane Paiva); De primeira professora à ancestral mítica (Marlene Gonçalves); Mulher, magistério e o ensino de ciências naturais (Tânia M.L.Beraldol); Nossas vidas, nosso trabalho, a transformação que queremos (Maria Tereza Augusti); O lugar do saber na atual ordem social (Marcia de Mello M.Kuyumijan); São Gonçalo Beira-Rio: espaço de reprodução da vida e do trabalho das mulheres ceramistas (Marinete Covezzi); Liderança compartilhada: discussão preliminar sobre a problemática de gênero e liderança nos movimentos sociais (Leana Freitas e Erivã Velasco); A participação feminina no esporte brasileiro: as relações de poder nas práticas esportivas (Alexandra L.Silva); Os profissionais de saúde e a sexualidade feminina (Janete T.T.Nakagawal); Preconceito de Gênero na política pública de segurança para as mulheres - reflexões iniciais (Vera Lúcia Bertoline).

       

    A luta que me fez crescer depoimento de Lenira Carvalho

    A emocionante publicação, fruto de entrevista realizada por Cornelia Parisius à Lenira Carvalho - presidenta do Sindicato dos Empregados Domésticos na Área Metropolitana da Cidade do Recife -, "transcende sua autora. É o diário de luta da mais explorada categoria trabalhadora do Brasil - a empregada doméstica, de quem se exige, não apenas o talento para multitarefas (cozinhar, lavar, passar, varrer, comprar, etc.), mas também afeto no cuidado e na atenção às crianças e aos idosos", ressalta Frei Betto, no prefácio. Foi publicada pela DED (Deutscher Entwicklungsdienst) e Edições Bagaço, que enfatizam: "Este livro é o depoimento emocionado e emocionante de uma mulher que nasceu nessa estrada da história e procurou caminhá-la com muita consciência, coragem e dignidade. Dedicou a sua vida à organização das trabalhadoras domésticas e à luta de sua categoria profissional pela legalização dos seus direitos. Tem sido agente e testemunha de conquistas históricas feitas por sua categoria. Mas, apesar delas, Lenira entende que muita coisa ainda precisa mudar." Para adquirir esta belíssima obra, contate Edições Bagaço, pelo telefone (81) 3441-0132, e-mail: bagaco@elogica.com.br .

       

    Política Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional

       

    PÓLIS

    A excelente publicação Diretrizes para uma Política Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional foi organizada por Renato S.Maluf e Christiane Costa, contendo textos de Flávio L.S.Valente: Direitos humanos à segurança alimentar e nutricional no Brasil; Francisco Menezes: Segurança Alimentar e Mobilização Social no Brasil; Chistiane Costa e Renato S.Maluf: Ações Públicas Municipais de Segurança Alimentar e Nutricional, além de Experiências em segurança alimentar e de prefácio de D.Mauro Morelli, bispo diocesano em Duque de Caxias e presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Alimentar e Nutricional.

    Gênero e Raça nas Políticas Públicas é uma publicação de fundamental importância para a incorporação dessa perspectiva, organizada por Maria do Carmo A.A.Carvalho e Matilde Ribeiro, com textos de Jurema Plycarpo, Maria Aparecida Silva Bento, Maria Lúcia da Silveira e Vera Soares. (Pólis: (11)3085-6877 - polis@polis.org.br).

       

    Gênero e Raça nas Políticas Públicas

       
    Direito ao Aborto em Debate no Parlamento

    Guacira Cesar de Oliveira - REDE SAÚDE e CFEMEA

    A publicação traduz-se numa rica contribuição para a luta pelos direitos sexuais e reprodutivos no Brasil. "O objetivo é democratizar o saber fazer político, construído pelas feministas brasileiras, (...) a partir do mapeamento de alguns percursos realizados nos anos 90, notadamente aqueles que passaram ou tiveram como alvo o Poder Legislativo", frisa a autora, Guacira Cesar Oliveira, na introdução. A apresentação é feita por Liège Rocha, secretária executiva adjunta da Rede Saúde, ressaltando, entre outros aspectos, que "observam-se constantes tentativas de retrocesso no campo legislativo, impulsionadas principalmente por setores da Igreja Católica e por grupos pró-vida. Essas forças conservadoras vêm buscando, entre outras estratégias, instaurar reformas constitucionais que visam impedir a realização do aborto em qualquer circunstância. Dessa forma, as ações do movimento feminista têm sido fundamentais para impedir retrocessos legislativos e para pautar, junto à sociedade, o debate sobre o aborto sob uma perspectiva de direito de escolha, direito à saúde e direito de cidadania". Solicitações de exemplares podem ser feitas pelos e-mails: redesaude@uol.com.br ou cfemea@org.br .

       
    Saúde da Mulher e Direitos Reprodutivos

    REDE SAÚDE

    Composta por importantes dossiês, a publicação é lançada por ocasião do 10o. aniversário da Rede Saúde, que celebra "uma década de atuação política e temática sobre os direitos das mulheres na área de saúde", enfatizam, no prefácio, Maria Isabel Baltar da Rocha, Maria José de Oliveira Araújo e Maria Betânia Ávila. Reúne dossiês, agora atualizados, que foram originalmente publicados entre 1998 e 2001: Mortalidade Materna (Ana Cristina d’Andretta Tanaka), Aborto Inseguro (Sara Sorrentino), Mulher e Aids (Wilza Villela), Violência contra a Mulher (Mônica Fontana e Simone Ferreira dos Santos), Menopausa (Rina Nissim e Maria José de Oliveira Araújo), Bioética e as Mulheres (Fátima Oliveira e Joaquim Antônio César Mota). Solicitações pelo telefone (11)3813-9767, e-mail: redesaude@uol.com.br .

       

    ONGs no Brasil

    Perfil e Catálogo das Associadas à ABONG

    Além de catalogar as Ongs filiadas à Abong, a publicação apresenta um rico material que é fruto de uma ampla pesquisa realizada entre as associadas, mostrando, entre outros aspectos, o perfil, áreas temáticas e modos de atuação, beneficiários e dificuldades. Das 248 associadas, 196 responderam à pesquisa, que foi realizada no período de agosto a novembro de 2001. O lançamento foi feito em 20 de março último, por ocasião das comemorações do 10o. aniversário da Abong, que também incluíu o novo site - www.abong.org.br -, "com mais informações, mais bonito, amigável e com novas seções, e onde grande parte dos dados da pesquisa estará disponível para consulta através de um banco de dados", observa Sérgio Haddad, presidente da Abong. No resultado da pesquisa, alguns dados chamam a atenção: 68,37% das associadas têm o trabalho orientado no sentido de "desenvolver a consciência crítica/cidadania" (na pesquisa anterior, o percentual era de 11,11%); o percentual de mulheres que atuam nas Ongs é de 65,69% (enquanto as mulheres ocupam funções de direção em 48,47% das associadas, e os homens 47,96%...).

       

    SITES COM INFORMAÇÕES IMPORTANTES

    www.mulher500.org.br - Projeto Mulher 500 anos atrás dos panos: disponibiliza uma minibiografia das mulheres contempladas na publicação Dicionário Mulheres do Brasil, que podem ser encontradas pelo nome, pela etnia, por séculos, por atividades profissionais e inserção política. A Redeh informa, também, que numa outra ‘entrada’ você encontrará artigos, informes, curiosidades e informações recentes sobre a atuação das mulheres da nossa história.

    www.amigasdoparto.com.br - Trata-se de um "novo site informativo sobre gestação e parto, dirigido ao público feminino, especialmente gestantes e mães. Pretende resgatar o parto como um processo fisiológico normal, já que o assunto hoje tornou-se exclusivamente médico-hospitalar. A conscientização do público consumidor (no caso, nós mulheres, mães), aliada à divulgação das evidências científicas e das recomendações da Organização Mundial da Saúde são fundamentais para que haja uma real mudança no quadro do atendimento ao parto no Brasil."

       
    Tese

    VIVER É AFINAR O INSTRUMENTO

    Processos de Formação Feminista no Brasil

    Autora: Denise Carreira (*)
    Mestrado - 2002
    Universidade de São Paulo - Faculdade de Educação
    Orientador:
    Prof.Dr. Pedro Jacobi
    Banca: Profas.Dras. Regina Festa e Marília Carvalho

    Esta dissertação tem como foco os processos de formação desenvolvidos pelo movimento feminista brasileiro a partir de meados da década de 70. Aborda as influências de origem, características, temas e manifestações junto aos diferentes públicos: o próprio movimento de mulheres, outros atores da sociedade civil e agentes do Estado. Resgata o debate internacional ligado ao campo do gender training, presente na Europa e nos Estados Unidos, que visa à incorporação da perspectiva da eqüidade de gênero nas instituições públicas e agências de desenvolvimento. A pesquisa teve como base depoimentos de integrantes do movimento feminista brasileiro que realizam e/ou organizam processos formativos e a experiência da pesquisadora no campo da formação. As perguntas que mobilizam o trabalho são: quais os significados e os objetivos da formação feminista para as feministas brasileiras? Como o movimento feminista brasileiro desenvolve seus processos de formação? Quais as características desta formação? Quais os avanços, possibilidades, dificuldades desses processos a serem enfrentadas para a sua maior efetividade? O que eles vêm contribuindo para o desenvolvimento de culturas, valores e institucionalidades democráticas? A pesquisa parte da compreensão que o movimento feminista brasileiro, visando transformar uma realidade social marcada por desigualdades entre homens e mulheres, e coerente com o princípio "o pessoal é político", desenvolveu metodologias educativas que privilegiam a abordagem integral do ser humano, a valorização de aspectos subjetivos na aprendizagem e a promoção da alteridade, o que a sintonizam com o debate contemporâneo sobre novas perspectivas da educação. Por outro lado, o conteúdo de gênero, "coração" da formação feminista, ao ser intrinsecamente relacionado à questão da sexualidade, identidade individual, afetividade, coloca desafios específicos para esta formação, caracterizando-se muitas vezes como algo "perturbador", principalmente para aqueles(as) participantes que não fazem parte do movimento. O trabalho discute os desafios metodológicos, conceituais e políticos da formação feminista atual, tendo como referência os horizontes político-estratégicos do movimento feminista brasileiro.       Diversas questões abordadas nesta dissertação são comuns a processos formativos desenvolvidos por outros movimentos sociais e organizações não-governamentais que atuam em prol de uma sociedade cidadã, democrática, sustentável, comprometida com os direitos humanos.

    (*) Denise Carreira é presidenta do Conselho de Administração da Rede Mulher de Educação, membro do Grupo Gestor e sócia-educadora.

    e.mail: decarreira@plugnet.com.br