Edição Nº 48
Abr./jun./
2002

 

 

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Cartas

- Mensagens:

- Participe do III Concurso de Empreendimentos Exitosos liderados por Mulheres

- Mudando o Mundo com as Mulheres no Poder

- Campinas capacita lideranças populares

- Escritora italiana fala sobre a simbologia das sereias

- Consulado da Mulher: uma experiência de afirmação da cidadania feminina

- Mais 120 mulheres são capacitadas no Amapá

- Publicações

- Tese:

 

Mensagens

Se liga, Brasil ! ! !

É contagiante observar a lição de cidadania e democracia que está sendo veiculada pelos meios de comunicação, quero dizer, pela Rede Globo, num ano de tantas motivações. A campanha ‘Se liga, Brasil!’ incentiva você a gastar R$ 0,27 + impostos para escolher se quem deve permanecer na casa do Big Brother Brasil é o Thyrso ou o Fernando. A campanha ‘Se liga, Brasil!’ incentiva você a gastar R$ 0,27 + impostos para escolher se a seleção Brasileira está psicologicamente preparada para enfrentar o próximo adversário ou não. A campanha ‘Se liga, Brasi!’ incentiva você a gastar R$ 0,27 + impostos para escolher se....
Por que será que a campanha ‘Se liga, Brasil!’ não incentiva você a gastar R$ 0,27 + impostos para escolher:
  • se a CPMF deve ou não continuar?
  • se o país deve ter um imposto único ou não?
  • se o imposto de renda está alto ou não?
  • se você quer receber o seu FGTS, roubado há doze anos, em uma única parcela ou não?
  • se a Companhia Vale do Rio Doce deveria ser privatizada ou não?
  • se a CESP deveria ser privatizada ou não?
  • se a TELESP deveria ser privatizada ou não?
  • se o Banestado deveria ser privatizado ou não?
  • se a CPFL deveria ser privatizada ou não?
  • se Sérgio Naya deveria ir para a cadeia ou não?
  • se Eurico Miranda deveria ir para a cadeia ou não?
  • se o Banespa deveria sair do poder do Estado de S. Paulo ou não?
  • para saber por que será que os especuladores internacionais estão com tanto medo das próximas eleições?


Por que será outros tantos porquês?
É PORQUÊ VOCÊ NÃO SE LIGA, BRASIL !

Faça estas perguntas a todos que você conhece e comece a mudar a história do país, assim os seus netos poderão, no futuro, responder que
este é um país democrático porque você ajudou a mudá-lo!

Você que transmite tantas correntes de amizade, orações, sonhos e anjos, então, por favor, não pare esta corrente, que mais é um ato de indignação e conscientização do que propriamente uma corrente!

Jane Maria Vilas Boas

e-mail: jane@senado.gov.br

 

Violência no BBB

Resolvi me comunicar com vocês para relatar fato que me indignou muito e para tentar uma medida representativa contra a Rede Globo de Televisão. Como deve ser do conhecimento de todos, a Globo realiza um reality show chamado Big Brother Brasil, que vai ao ar diariamente por volta das 23h. No dia 26/5 ,domingo passado, uma participante chamada Tina resolveu provocar a todos os outros participantes (os motivos não importam), e recusou-se a realizar uma prova onde o prêmio seria a alimentação do grupo para a semana.Os participantes ficaram muito bravos com tal atitude, e mais ainda com as provocações verbais de Tina. Em dado momento, o participante chamado Jefferson partiu para cima dela numa atitude de agressão (coisa que ele disse que nunca faria). A questão é que, o apresentador Pedro Bial (que exerce a função de mediador) ao comentar com todos o ocorrido, disse, textualmente, ao vivo, que se "o Jefferson viesse a agredi-la, a mais prejudicada seria a própria Tina, pois ele estaria agindo em legítima defesa, diante das provocações verbais dela". Como pode um jornalista de credibilidade como Pedro Bial defender tamanha violência? Em tempos como o que estamos vivendo, tentando fazer campanhas a favor da paz e de maior tolerância, como pode um jornalista usar deste sórdido argumento de intimidação? Em qual dicionário jurídico ele aprendeu que isto é legítima defesa? Quer dizer que a agressão física pode ser justificada mediante a provocação verbal? Será que este jornalista desconhece o número enorme de mulheres que sofrem violência? Pedro Bial não somente desrespeitou a participante Tina, mas também a todas as mulheres do Brasil. e isto tem que dito. Há alguma forma de apresentar um manifesto de repúdio à emissora e ao apresentador?

Márcia de Paula e Silva marcia.depaula@terra.com.br

N.E.: Leitoras/es do Cunhary também podem se manifestar, enviando e-mail para a Rede Globo:

criticas@globo.com

 

Participe do III Concurso de Empreendimentos Exitosos liderados por Mulheres

O prazo para entrega das fichas e da documentação se encerra, impreterivelmente, em 30/07/2002.

A REPEM – Rede de Educação Popular entre Mulheres da América Latina e o Caribe e a Rede Mulher de Educação - sob coordenação de Beatriz Cannabrava - convocam e organizam, para o Brasil, o III Concurso de Empreendimentos Exitosos Liderados por Mulheres, com o objetivo de aprofundar o conhecimento da diversidade e as razões do êxito desse tipo de empreendimento.

Dos concursos anteriores participaram 280 empreendimentos de 9 países latino-americanos.

As premiadas brasileiras dos concursos anteriores foram: no I Concurso, a Cooperativa Cooparoca, do Rio de Janeiro, e a Associação das Mulheres do Bico do Papagaio – ASMUBIP, do Tocantins; e do II Concurso, a Cooperativa Abayomi, do Rio de Janeiro

A ficha de inscrição pode ser obtida acessando o site da Rede Mulher de Educação: www.redemulher.org.br , e também solicitada pelo telefone: (11) 3873-2803, fax: (11) 3862-7050 ou e-mail: rdmulher@ redemulher.org.br .

Toda documentação e as fichas devem ser enviadas para a sede da Rede Mulher de Educação: Rua Coriolano, 28 - São Paulo/SP – CEP: 05047-000, impreterivelmente, até o dia 30 de julho de 2002.

REQUISITOS

  1. A direção e a gestão do empreendimento devem estar a cargo de mulheres.

  2. O empreendimento deve estar organizado em forma de grupo, associação, cooperativa, empresa familiar, micro ou pequena empresa, nos setores rural ou urbano.

  3. Ter uma existência mínima de três anos.

  4. Preencher a ficha de inscrição

  5. Anexar documentação que permita um melhor conhecimento da experiência e sua trajetória: fotos, publicações, fotocópia dos estatutos, balanços, contratos, convênios, etc.

PREMIAÇÃO

  1. O empreendimento vencedor no Brasil terá sua experiência sistematizada e publicada juntamente com as das vencedoras dos outros países participantes.

  2. Uma representante escolhida pelo grupo vencedor participará do Terceiro Encontro de Mulheres Premiadas, que será realizado no mês de novembro de 2002, na cidade de Cuenca, no Equador.

 
Mudando o Mundo com as Mulheres no Poder

Mulheres do Amapá se fortalecem para o poder político

Com o título ‘Mudando o Mundo com as Mulheres no Poder’, aconteceu, em Macapá, o curso de capacitação de lideranças femininas na política sob a ótica de gênero, no dias 30/05 e 01/06, promovido pela AGEMP (Agência de Promoção da Cidadania do Governo do Amapá) e executado pela Rede Mulher de Educação, através das educadoras, Maria José (Zéza) Lopes Souza e Valéria Barreto.

Voltado para lideranças que desenvolvem políticas de intervenção social em nível regional e nacional, o curso objetivou o incentivo e a promoção da participação das mulheres que estão inseridas nas diversas esferas do poder,
instrumentalizando-as com as ferramentas da educação popular feminista, no que diz respeito à transversalidade das questões de gênero em suas áreas de atuação. Relacionando conceitos de ética, poder, cidadania e a importância do trabalho em rede, procurou-se promover alguns aspetos da mulher como pessoa para uma estratégia de empoderamento desta como liderança, incentivando
o auto - conhecimento, a auto- estima e o auto-poder, aliando recursos como assertividade, comunicação e negociação de conflitos, como instrumentos fundamentais para o real exercício do poder da mulher que se encontra como
dirigente de políticas no âmbito social, partidário, econômico, estrutural e ambiental.

O curso, destinado a vinte lideranças, teve a participação de mulheres que ocupam cargos estratégicos para a inserção do tema no Estado, tais como a Assembléia Legislativa, com a presença da deputada estadual Janete Capiberibe, a Secretaria de Educação, a Secretaria do Trabalho e Ação Comunitária, a Secretaria de Planejamento, o Programa de Assentamento - TERRAP, e a primeira dama, Lucenira Pimentel, representando os anseios da plataforma de governo da atual gestão municipal. Participaram, também, representações das mulheres em organizações civis, tais como Maria Joaquina Lino, presidente da FEMEA (Federação de Mulheres do Estado do Amapá), da Associação Folclórica, da Associação de Artesãos/ãs, do Programa Família Cidadã, da REPARTA (Rede Estadual das Parteiras) e a diretoria da Fortaleza São José , que promove toda uma redescoberta do processo histórico/cultural do Amapá. Houve a participação de filiadas-representantes do PSB, Secretaria da Mulher, Comitê Central, suplência e algumas candidatas concorrendo ao cargo de deputada e senadora nas próximas eleições.
Os conceitos que foram trabalhados no curso trouxeram, na avaliação das participantes, "uma nova dimensão do processo histórico da representação da mulher no exercício do poder, o quanto o patriarcado impediu que ocupássemos, por direito, nossas posições, trazendo prejuízo à humanidade como um todo." Foi salientada a importância de se realizar encontros como este, para ampliar o número de mulheres nessa ótica de gênero, liderança e empoderamento, para sair do isolamento e se tornarem líderes da transformação.

 

Campinas capacita lideranças populares

O curso de Capacitação de Lideranças Populares Femininas na Perspectiva de Gênero, que contou com a participação de 16 mulheres de vários bairros de Campinas e uma da cidade de Paulínia, aconteceu nos dias 11, 18 e 25 de maio, ministrado por Maria José (Zéza) Lopes Souza, educadora da Rede Mulher de Educação, como parte das atividades do mandato da vereadora Maria José da Cunha, que é altamente comprometida com o empoderamento feminino e as questões sociais.

O objetivo principal do curso foi o de contribuir na formação de lideranças populares, para que atuem como agentes multiplicadoras, através de ferramentas da metodologia de educação popular feminista, fortalecendo a auto-estima e o processo de organização na perspectiva de gênero.

O conteúdo ministrado foi dividido em três blocos: 1) Gênero - identidade e auto-estima (compreender como historicamente fomos aprendendo a ser homem/mulher e que fatores têm comprometido a auto-estima e promovido o conflito entre os sexos); 2) Violência e relações de poder (o que é violência e como se dão as relações de poder, considerando a condição de classe , sexo e raça, do ponto de vista sociológico e psicológico, tendo em vista contribuir para a construção de novas relações sociais, pautadas na justiça e na igualdade); 3) Ética, cidadania e a importância do trabalho em rede (que valores são norteadores do processo de trans-formação social, na comunidade, e como atuar em forma de rede).

"O processo de mudança depende do trabalho de parceria entre homens e mulheres, para a construção de novas relações de gênero, baseadas na justiça social". Foi com este lema que o grupo encerrou a série de três encontros, com muita alegria e entusiasmo para atuar como agentes multiplicadoras.

 

Escritora italiana fala sobre a simbologia das sereias

Meri Lao esteve recentemente na sede da Rede Mulher de Educação, para um bate-papo muito descontraído e interessante sobre seu premiado livro Il libro delle Sirene, Basta!, que traz um estudo profundo sobre as sereias, permitindo um entendimento sobre essa simbologia no inconsciente coletivo. Foi um diálogo que enriqueceu a visão sobre o poder de influência dos símbolos na perpetuação dos estereótipos de gênero.

Meri Lao nasceu em Milão e cresceu entre a Argentina e Uruguai, fixando residência em Roma, após uma breve mas fértil estada em Cuba, no final da década de 60. Incansável embaixadora da cultura latino-americana na Europa, sobre a qual tem realizado programas de rádio e TV, recopilado e divulgado canções de compositores e intérpretes. Suas pesquisas sobre o tango são das mais completas já realizadas e publicadas em cinco ensaios, desde 1975, com Tempo di Tango, editado por Umberto Eco, até o mais recente T come Tango, em 2000. Vem realizando conferências e recitais sobre o tema em vários países do mundo. Entre os livros publicados, estão: Il libro delle Sirene, Basta!, Hasta Siempre, Cubaride, Donna Canzonata, Música Bruja e El Vecino de Abajo. No ano passado, lançou um CD reproduzindo antigas gravações com uma seleção de seus tangos prediletos, entre os quais um arranjo de Janelas Abertas no.2 que compôs em parceria com Caetano Veloso.

Fundou e coordena em Roma a Academia Científica do Tango e do Bolero.

Ganhou, no ano passado, o prêmio literário La Cultura del Mare, pelo último livro sobre as sereias e também o Prêmio Tenco, pelo trabalho realizado em prol da canção latino-americana na Europa.

 

Consulado da Mulher: uma experiência de afirmação da cidadania feminina

"Investir na capacitação de mulheres e na sua valorização como cidadãs, a partir de seus talentos e habilidades, contribuindo para o seu protagonismo social, por meio de atividades de geração de trabalho e renda, artes e inclusão digital, na perspectiva de ver crescer sua auto-estima e participação na construção de uma sociedade mais fraterna, solidária e sustentável". São estes os principais objetivos do Consulado da Mulher, sob coordenação de Inês Menegueli, um Programa de Responsabilidade Social da Multibrás, fabricante das marcas Consul e Brastemp, lançado em 18/03, inicialmente em Rio Claro, onde se localiza uma de suas fábricas.

O Programa conta com a assessoria da Imagens e teve a participação da Rede Mulher de Educação no processo de formação de voluntárias/os, que trabalham na empresa, com o curso intitulado Geração de Trabalho e Renda com enfoque de Gênero, durante um mês, com uma carga-horária de 40 horas, sob responsabilidade da educadora Hilda Fadiga, que enfatiza: "o objetivo principal é que os/as voluntárias desempenhem o papel de facilitadores/as do processo de formação de grupos de mulheres, visando implantar e gerir projetos de geração de trabalho e renda com sustentabilidade, além de fazer uma leitura crítica e criativa da condição do ser, identificando fatores que podem facilitar e/ou dificultar o sucesso de um empreendimento gerador de trabalho e renda." A experiência estará centrada em dois bairros de Rio Claro: Assistência, que reúne um grupo de mulheres artesãs, e Araucária, que reúne um grupo de mulheres em torno de um brechó, como primeiro passo para formarem uma cooperativa de costura.

A importância de se investir em projetos com mulheres é muito clara para a coordenadora do Programa, Inês Menegueli, que enfatiza: "no início, pensamos em trabalhar com crianças, mas depois de muito refletir chegamos à conclusão que, ao trabalharmos com a mulher, estaríamos de uma forma muito mais efetiva contribuindo para o bem-estar das crianças, pois são as mulheres as principais responsáveis pela manutenção e reprodução da vida, pela educação das gerações futuras e pelo cuidado com as gerações passadas."

 

Mais 120 mulheres são capacitadas no Amapá

Dando prosseguimento a uma parceria muito bem sucedida entre a Rede Mulher de Educação, Sebrae-AP e Agemp (Agência de Promoção da Cidadania do Governo do Amapá), quatro turmas de mulheres participaram do ciclo de oficinas ‘Como Montar um Negócio transformando Trabalho em Renda’, no período de 22/04 a 03/05, na cidade de Macapá, sob coordenação das educadoras Maria José (Zéza) Lopes Souza e Hilda Fadiga. Utilizando ferramentas da metodologia de educação popular feminista, as educadoras, num processo participativo - antes, durante e depois - potencializam a auto-estima e as habilidades das participantes para o exercício da cidadania plena e da tão necessária autonomia financeira.
"O trabalho foi realizado com sucesso, pois contamos com o empenho e a criatividade das participantes, que saíram informadas e motivadas para colocar a mão na massa", avaliam as educadoras da Rede Mulher.

 

Publicações:

Direitos Sexuais: um debate necessário

A edição no.24, do Jornal da Rede Saúde, "é dedicada ao debate sobre os direitos sexuais como uma questão de direitos humanos, que vem apresentando novos desafios ao movimento de mulheres na definição de sua pauta e de suas estratégias de advocacy. (...) A proposta deste número é apresentar um leque amplo de discussões sobre os direitos sexuais, que incluem, além dos direitos de gays e lésbicas, e dos/as heterossexuais, outros temas polêmicos e atuais, como a violência sexual, a mutilação genital e a prostituição forçada. Esse debate aponta para a necessidade do reconhecimento dos direitos sexuais como direitos humanos nas legislações nacionais e tratados internacionais e para o desafio de definir direitos sem impor amarras que restrinjam as diversas formas de expressão da sexualidade." A edição traz, também, um encarte sobre a Campanha Nacional de Prevenção do Câncer de Colo do Útero, apresentando uma bem fundamentada visão crítica e propositiva. Solicitação de exemplares podem ser feitas pelo e-mail redesaude@uol.com.br , fax: (11) 3813-8578, fone: (11) 3813-9767.

 

A Face Oculta de Eva as mulheres do mundo árabe

A autora egípcia, Nawal El Saadawl, mostra a dura realidade da mulher árabe, que contrasta com a imagem exótica disseminada pela literatura e pela mídia. O prefácio à 2a.edição brasileira é assinada por Moema Viezzer, que salienta: "Quando conheci Nawal, durante o primeiro seminário internacional sobre Relações Sociais de Gênero, realizado na Inglaterra, em 1978, fiquei muito marcada por suas idéias, que, além de brilhantes, contundentes, firmes e serenas, tinham o mérito de nos colocar em contato com um outro jeito de ser e de analisar a relação entre mulheres e homens, especialmente, para nós, mulheres do ocidente, que não experimentávamos em nossas vidas, situações do cotidiano das mulheres árabes, como: ‘ser oficialmente, 1/4 de esposa de um homem polígamo’, ou ‘passar pela experiência da circuncisão de meninas’, além de pretendermos ‘ter inventado o feminismo’ enquanto perspectiva teórica e prática política, sendo que, historicamente, as mulheres árabes têm uma trajetória própria a respeito."

Pedidos de exemplares podem ser feitos na Global Editora, e-mail: global@globaleditora.com.br , fax: (11)3277-8141, fone: (11)3277-7999.

 

O laboratório de Pandora estudos sobre a ciência no feminino

A publicação de Fanny Tabak mostra que "apesar do enorme avanço tecnológico e científico que se verificou no Brasil nas últimas décadas do século XX, ao lado das profundas transformações do status jurídico da mulher e de sua condição social - em grande medida, resultados da revisão crítica introduzida pelo movimento feminista -, as carreiras científicas e tecnológicas não constituem ainda uma prioridade para as estudantes que concluem o segundo grau. Com relação aos cursos de pós-graduação, como vemos neste livro, as disparidades de gênero são ainda mais marcantes. Uma das conseqüências disso é que certamente o esforço por desenvolver o país em rítmos mais acelerados e superar o atraso ainda presente em muitas áreas sociais deixa de contar com a contribuição da inteligência e da competência de milhares de mulheres. O laboratório de Pandora procura entender as principais razões de tal situação e indicar caminhos possíveis para sua superação."

Para solicitação de exemplares, contatar a Editora Garamond Ltda, pelo e-mail: garamond@garamond.com.br , telefax: (21) 2224-9088.

 

Tese:

Práticas Educativas dos Assentados no Sudoeste Paulista: um olhar sobre o Pronera (Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária)

Autora: Edvaneide Barbosa da Silva (*)
Mestrado - 2001
UNICAMP - Faculdade de Educação
Orientadora:
Maria da Glória M. Gohn

O presente trabalho trata das experiências educativas desenvolvidas pelos assentados do sudoeste paulista, organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Entre as mais diversas formas de educação encontradas no assentamento em Itapeva, destacamos a educação escolar de jovens e adultos. De um modo geral, a luta pela escolarização dos assentados pode ser caracterizada como parte constitutiva do processo de reconstrução da vida no assentamento.

Ao longo da década de 1990, a educação de jovens e adultos, no assenta-mento em Itapeva, é marcada por uma atuação voluntária dos educadores do MST da região, efetivando um conjunto de experiências no campo da educação não formal. Em 1988, os militantes do MST implementaram o Pronera em todas as agrovilas do assentamento de Itapeva. Selecionamos a agrovila V para nossas análises sobre o processo complexo da reconstrução da vida no assentamento em Itapeva.

No Estado de São Paulo, o Pronera contou com a parceria do MST/SP, Unesp/Marília e Incra/SP. A efetivação do Programa no assentamento em Itapeva foi marcada por momentos conflitivos entre os parceiros, bem como suscitaram questões referentes à própria prática pedagógica dos educadores do MST.

(...) A pesquisa empírica mostrou que a complexidade do assunto não nos possibilita apresentar afirmações categóricas sobre o tema em pauta. (...) Ao longo da dissertação, no entanto, pontuamos alguns questionamentos a respeito das práticas educativas dos assentados em Itapeva, bem como problematizamos algumas concepções da proposta de educação do MST.

Neste sentido, destacamos aqui uma proposta que vem sendo gestada a partir da Conferência Nacional por uma Educação Básica do Campo, a qual ocorreu em julho de 1998. Nos últimos anos, após o evento citado, o MST vem apresentando uma proposta de educação acoplada ao projeto popular para o Brasil, de acordo com as formulações da Consulta Popular.

(...) No que diz respeito à proposta exclusivamente rural para a educação do camponês, também pontuamos algumas críticas, pois o desenvolvimento do capitalismo no Brasil vem impulsionando uma unidade contraditória entre cidade e campo. (...) Assim, compreendemos que a luta pela reforma agrária depende de uma articulação entre o campo e a cidade.

Desse modo, uma proposta de educação exclusivamente no campo não contemplaria a complexidade da vida camponesa em reconstrução no assentamento em Itapeva (...).

(*) Edvaneide Barbosa da Silva é professora de História da Rede Municipal de SP. Atualmente, trabalha no NAE 1 com formação de educadores/as.

e.mail: edvaneide@cti.com.br