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Os números de violência Têm crescido sem parar Pra garantir resistência É preciso não calar Do Cariri pro Brasil Quero me manifestar
Nos quatro cantos do mundo A gente escuta contar Mataram tantas mulheres Outras mandaram matar Estupram até meninas Dentro do seu próprio lar
Este é um problema grave Não podemos consentir A matança de mulheres Ficou comum por aqui Ao invés de lamentar Acho melhor reagir (...)
Lutar contra a violência Da qual é vítima fatal Exigindo o cumprimento Do tal preceito legal Não aceitando o silêncio Como resposta final (...)
Decidir, quando preciso, Se quer ter filhos ou não Cuidar do seu próprio corpo Sem nenhuma imposição Com livre escolha do método De anticoncepção (...) |
E para tanto é preciso Não cochilar, não dormir Pois se a mulher tem juízo Não poderá consentir Que o machismo perdure Enquanto ela existir
É preciso somar forças E lutar contra as mazelas Meninas, velhas e moças Vamos deixar as querelas Vamos fazer um país De Justiça, sem seqüelas
Somos muitas companheiras Por este país imenso Umas laboram na feira Conforme nos disse o censo Algumas são enfermeiras Outras moram no convento
Professora, vendedora Faxineira, advogada Motorista, promotora Cozinheira, operária Camponesa, jogadora Tantas são desempregadas
Mulheres, mães e amantes São companheiras, enfim Sonham com um mundo justo Trabalham pra ser assim Geram os filhos do mundo Pra qu’ este não tenha fim |
Mulheres existem muitas Metade, veja você Do povo de nossa terra Conforme ouvi dizer Tem mulher demais na Pátria Poucas, porém, no poder
É por isso que as leis E as decisões importantes Que na História se fez Deste povo inquietante Poucas delas tem a tez Da mulher no seu semblante (...)
Nós mulheres já cansamos Das manchetes nos jornais Companheiras que amamos Alvo de golpes fatais A impunidade fica Elas não voltam jamais (...)
Não tolere, não transija Não permita a violência Cultive a auto-estima Não aceite a prepotência Ser feliz é ter prazer Do contrário é doença (...)
Publicação
parcial dos cordéis de Salete Maria da Silva, de Juazeiro do Norte/CE. Ela
é professora universitária e realiza trabalho comunitário em prol dos
direitos humanos, principalmente de mulheres e homossexuais. |
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Encontro Nacional da Rede Mulher de Educação: espaço de formação e maior entrelaçamento |
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Nos dias 15 e 16 de novembro passado, foi realizado o Encontro Anual da RME. O primeiro dia foi dedicado a uma oficina sobre gênero e geração de renda, tendo como tema central o III Concurso de Empreendimentos Exitosos Liderados Por Mulheres - Seção Brasil. Esse concurso, realizado por iniciativa da REPEM (Rede de Educação Popular entre Mulheres da América Latina) e organizado no Brasil pela RME, é tema de nosso encarte, nesta edição. Durante o Encontro Nacional, as representantes dos grupos vencedores - Dejanira Einloft, do Morro da Cruz; Hercilia Maria dos Santos e Adelma dos Santos, de Doces Camponesa; e Nelsa Nespolo, da Cooperativa Univens - tiveram a oportunidade de expor a trajetória dos empreendimentos, suas lutas, conquistas e dificuldades, para as 36 participantes: 15 sócias- educadoras da Rede Mulher e 21 convidadas de entidades e ONGs de mulheres. A palestrante, Ruth Nunes, do PACS, discorreu sobre a socioeconomia solidária e o cooperativismo autogestionário no Estado do Rio. Em seguida, foram realizados trabalho em grupo e plenária. O segundo dia constou de duas oficinas: uma sobre Processos de Formação Feminista no Brasil, tendo como tema a dissertação de mestrado de Denise Carreira; a outra sobre Mulheres na Coordenação de ONGs, que teve como base a dissertação de mestrado de Denise Gomide. Na parte da tarde, foi realizado um trabalho sobre trans-formações pessoais, a cargo de Maria Nina Magalhães, e compartilhadas as atividades realizadas pelas sócias-educadoras, além de um retrospecto da trajetória da RME através de um painel de fotos. Durante os dois dias, foram realizadas várias dinâmicas de entrosamento, socialização e avaliação, coordenadas pela Maria José (Zéza) L.Souza, que as preparou antecipadamente, com um enfoque específico para os diferentes momentos do Encontro Nacional, bem como da Assembléia Geral, que ocorreu no dia seguinte.
No dia 17 de novembro foi realizada a Assembléia Geral Ordinária, num clima de perfeita harmonia. Os novos conselhos, para a gestão 2003/2005, ficaram assim constituídos: Conselho de Administração: Presidente: Beatriz Cannabrava; Secretária: Denise Gomide; Tesoureira: Maria José Lopes Souza; Suplentes: Clair Ziebell e Ruth Takahashi. Conselho Fiscal: Hilda Fadiga, Maria do Socorro Lima, Maria Nina Magalhães e Maria Aparecida Segura (Suplente). Para a coordenação-executiva, foi ratificado o nome da atual coordenadora Vera F.Vieira. As novas sócias-educadoras são a Maria da Penha Nascimento, do Grupo Fala Negão, de São Paulo, e Norma H.Barros, que desenvolve atividades educativas junto a escolas e entidades na cidade de Toledo/PR. Na ocasião, foi enaltecido o trabalho realizado pelo Grupo Gestor da entidade, na última gestão, contribuindo para a divisão de responsabilidades e poder. Para o próximo período, o Grupo Gestor conta com um número ampliado de educadoras. Os estatutos vigentes permanecem inalterados. Foram consideradas como prioridades para a nova gestão, a continuidade das atividades de capacitação, com o objetivo de formar novas lideranças para a renovação dos quadros institucionais; a captação de novas fontes de recursos, sempre cuidando que correspondam aos princípios que norteiam as atividades na Rede Mulher. Considerou-se ainda a necessidade de realizar uma reflexão sobre o novo contexto nacional, tratando de ver quais as oportunidades e ameaças que se apresentam para o trabalho das organizações da sociedade civil, buscando formas de aproveitar as oportunidades e evitar ou contornar as ameaças. |
| Campinas: Pré-Conferência de Direitos Humanos enfoca rede de solidariedade entre as mulheres | |
Dentre os temas abordados nos diversos
eventos relativos à Pré-Conferência de Direito Humanos, organizados pela
Prefeitura de Campinas, o das mulheres foi o que reuniu o maior número de
participantes. Aconteceu no dia 23 de novembro, na Câmara Municipal, com
cerca de 50 participantes, que puderam ouvir às palestrantes convidadas,
realizar trabalhos em grupo e discutir em plenário as próprias propostas
para os temas do trabalho, da saúde, educação, organização política e
família. A abertura ficou a cargo da vereadora Maria José Cunha, que
enfatizou a importância de se refletir sobre "o que já conquistamos e o
que falta conquistar". Vera Vieira, da Rede Mulher de Educação, falou da
importância do entrelaçamento das diversas redes de direitos humanos,
enaltecendo os marcos da trajetória de luta das mulheres. Rosângela Rigo,
da Coordenadoria da Mulher, enfatizou a necessidade de "se criar políticas
públicas que levem à autonomia pessoal das mulheres". A mesa foi
coordenada por Vanda Russo, atual presidenta do Conselho Municipal dos
Direitos da Mulher. Maria José (Zéza) Lopes Souza - vice-presidenta do
CMDM e sócia-educadora da Rede Mulher - foi a responsável pela organização
do evento. |
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| Aumenta o número de mulheres eleitas | |
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Agora, são 42 deputadas federais
(representando 8,19% das cadeiras), 8 senadoras (14,81%), 133 deputadas
estaduais (12,56%), 2 governadoras e 6 vice-governadoras. As eleições 2002
apresentaram uma elevação tanto do número de candidatas, como de eleitas.
Isto não significa que as mulheres tenham atingido a cota por sexo de 30%,
determinada pela Lei 9504/97 para candidaturas às eleições proporcionais.
Os partidos políticos - que não priorizam as cotas e, normalmente, não
oferecem apoio às candidaturas femininas -, chegaram a um percentual de
mulheres candidatas que fica abaixo de 15%. Dentre as mulheres eleitas para o Congresso, treze são campeãs de votos, sendo a maioria de partidos de esquerda. Na Câmara, são oito: Denise Frossard (PSDB/RJ), Fátima Bezerra (PT/RN), Francisca Trindade (PT/PI), Janete Capiberibe (PSB/AP), Kátia Abreu (PFL/TO), Maria Helena (PST/RR), Perpétua Almeida (PCdoB/AC) e Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM). No Senado, são cinco, sendo quatro do PT: Marina Silva (PT/AC), Ana Júlia (PT/PA), Fátima Cleide (PT/RO), Ideli Salvatti (PT/SC) e Roseana Sarney (PFL/MA). Outra boa notícia diz respeito à equipe de transição do governo Lula, cuja composição conta com duas grandes feministas: Matilde Ribeiro, de Santo André, e Vera Soares, de São Paulo. |
| Observatório da Cidadania discute globalização, hegemonia e soberania nacional | |
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Nos dias 19 e 20 de novembro, em um
momento pós-eleitoral estratégico, conferencistas brasileiros e
estrangeiros contribuiram "para o debate sobre os constrangimentos
externos, os limites e as possibilidades de inserção internacional não
subordinada e as perspectivas de ampliação das condições de realização,
por via democrática, de um projeto nacional". A mesa "Globalização,
Estados Nacionais e Democracia", coordenada por Jorge Durão (Fase), contou
com exposições de Cândido Grzybowski (Ibase), José Maria Gomez (PUC/RJ) e
Maria Regina Soares (IUPERJ). "Marcos Institucionais da Governança Global"
foi coordenada por Iara Pietricovsky (Inesc), com participação de Martin
Khor (Malásia), John Foster (Canadá) e Sônia Correa (Rede Dawn). A mesa
sobre "Inserção Internacional e Democracia" contou com Antonio Licha
(UFRJ), John Foster e Martin Khor. O enfoque sobre o "Brasil: desafios
nacionais e internacionais" teve a mesa coordenada por Átila Roque (Ibase),
com exposições de Luis Carlos Prado (UFRJ), Gilson Schwartz (ecomista e
articulista da Folha de S.Paulo) e Fernando J.Cardim de Carvalho (UFRJ).
Trata-se de mais um seminário promovido pelo Observatório da Cidadania,
que é parte da rede internacional Social Watch - formada por Ongs
de 60 países, visando monitorar o cumprimento de compromissos assumidos
pelos governos nas conferências da ONU. No Brasil, está sob a coordenação
do Ibase, Inesc, Cedec, Fase e SOS Corpo, com o apoio da Novib.Na ocasião, também aconteceu o lançamento da publicação Relatório 2002 do Observatório da Cidadania. |
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Pesquisa levanta fatores relevantes para a construção de um portal da mulher latino americana |
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Foi realizada, recentemente, no Brasil, Chile, México e Peru, uma pesquisa qualitativa, utilizando a técnica de focus groups,visando levantar informações para a construção de um portal da mulher latino americana, para atender, de fato, aos seus principais temas de interesse. A coordenação geral da pesquisa ficou a cargo de Ximena Charnes, da Isis Internacional, com financiamento da Fundação Ford. No Brasil, a pesquisa foi coordenada por Vera Vieira - da Rede Mulher de Educação - e Regina Festa - da Cátedra Regional Unesco, Mulher, Ciência e Tecnologia na América Latina/Cidade do Conhecimento/Instituto de Estudos Avançados da USP. Foi desenvolvida em quatro Estados, com coordenação técnica local de educadoras da Rede Mulher: Rio Grande do Sul - Clair Ribeiro Ziebell (que teve o apoio de Márcia Bernardes e Silvana Burnier); Mato Grosso - Madalena R. dos Santos Vieira (com o apoio de Marli Barboza); Tocantins - Sandra Regina Monteiro (com o apoio de Isabel Monteiro Botelho); São Paulo - Vera Vieira. No RS, MT e TO, a pesquisa foi aplicada em quatro grupos diferenciados: 28 a 34 anos, com pouca experiência em Internet; 28 a 34 anos, com muita experiência; 35 a 50 anos, com pouca experiência; 35 a 50 anos, com muita experiência. Em São Paulo, houve dois perfis diferenciados: mulheres acadêmicas e misto. A informação recolhida, para fins de análise, foi agrupada em torno dos seguintes temas: a relação com a Internet; barreiras para um maior uso da Internet; experiência de busca de informação e temas de interesse geral; conhecimento e avaliação de sites para mulheres; avaliação sobre a idéia de um portal da mulher latino americana e o caráter do portal. Apesar da divulgação dos resultados finais estar prevista para breve, no momento, pode-se adiantar alguns do Brasil, entre eles: as mulheres das diversas segmentações vivem um processo de esforço contínuo para a inclusão da cultura cibernética, que provoca novas noções de tempo e espaço, um novo modo de agir, pensar e sentir; o acesso à Internet ocorre tanto de maneira instrumental (simples troca ou busca de informações), como, em maior ou menor escala, com um olhar de leitura crítica e de intervenção social; os temas mais consultados demonstram uma expectativa de que o portal supra necessidades profissionais, intelectuais, emocionais, espirituais de de lazer/entretenimento; um maior acesso à Internet esbarra na falta de condições financeiras e tempo disponível, sendo que a ineficácia dos serviços de provedores também é fator limitante; a concretização de um portal da mulher latino americana é aguardada com ansiedade pela maioria, encarando-o como um local da diversidade na unicidade; ressalta-se a relevância do idioma português. |
| Publicações | |
| Cidadãs de Segunda Classe? | |
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Solicitações de exemplares podem ser feitas pelo e-mail fernandamoraes@uol.com.br . |
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Para solicitação de exemplares, contatar a Abong, pelo e-mail: abong@uol.com.br ou pelo fone/fax: 3237-2122. |
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Fanny Tabak tem uma longa e qualificada atuação na luta pela eqüidade de gênero. Já realizou diversas pesquisas sobre a mulher na vida pública. Este livro foi publicado pela Letra Capital Editora - telefax: (21) 2224-7071; e-mail: letracapital@letracapital.com.br . |
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A pobreza não é a mesma e nem igual: relações de poder dentro e fora de casa
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Envolvendo um grupo de pesquisadoras, ambos os estudos voltam-se para a Nicarágua, país considerado o segundo mais pobre do Ocidente, perdendo apenas para o Haiti. O primeiro mostra como também naquele país, há um fracasso dos métodos oficiais adotados para medir e combater a pobreza, no sentido de retratar a multidimensionalidade e a natureza dinâmica da privação e bem-estar. "Os resultados da pesquisa enfatizam a diversidade existente entre - e nas - comunidades e famílias, no sentido de como as pessoas vivenciam pobreza e bem-estar, sugerindo a necessidade de micropolíticas que considerem essas diferenças". Relações perigosas - mulheres, homens e o Mitch: um estudo das relações de poder entre homens e mulheres frente ao Furacão Mitch, na Nicaragua, destaca logo na introdução, uma frase que desnuda seu conteúdo: "Os desastres revelam estruturas de poder em nível nacional, regional e global, além de relações de poder dentro das relações íntimas" (Enarson e Morrow). O livro analisa como as relações de poder de gênero, idade, classe social, etc fazem com que as pessoas vivenciem uma catástrofe de maneira diferenciada. "Na atualidade, se reconhece a importância de gênero em momentos de crise e emergência ocasionadas por situações de desastre, tanto pelo impacto diferenciado que tem em homens e mulheres, como pelas diferentes estratégias que adotam para enfrentar essas situações." Os estudos foram publicados pela Ong Puntos de Encuentro. Solicitação de exemplares através do e-mail: puntos@puntos.org.ni ; fone: (505)268-1227; fax: (505)266-6305; endereço: de la Rotonda de Plaza España, 4c.abajo, 1c. al lago, apartado postal RP-39 - Managua, Nicaragua. |
| Tese | |
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Autor: Losandro Antônio Tedeschi (*) |
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Associação dos Sindicatos de
Trabalhadores Rurais da Regional de Ijuí/RS (ASTRI), participei da
coordenação do projeto "Educação para os Direitos das Mulheres
Trabalhadoras Rurais", que se desenvolveu de setembro de 1997 a outubro de
2000. O Projeto, voltado para a área de gênero e direitos reprodutivos em
comunidades do meio rural de três municípios do interior da região
Noroeste do Rio Grande do Sul, selecionou como público alvo oito grupos de
mulheres trabalhadoras rurais, tendo como objetivo qualificar e capacitar
estes grupos na perspectiva das relações de gênero, identificando os
mecanismos que reforçam a exclusão destas mulheres do espaço público. Se
bem que utilizei fontes diversas, a experiência de conviver e de
entrevistar estas mulheres rurais em suas comunidades me afetou
profundamente. Construímos um processo com 229 trabalhadoras rurais,
distribuídas em 8 grupos em três municípios: Catuipe, Ijui e Augusto
Pestana, situados na região NO do RS. 164 eram mulheres casadas, mães de
família, dentre elas 9 viúvas e 56 solteiras. Se bem que eu optei por
citar testemunhos consignando somente as iniciais das entrevistadas, quero
agradecer a todas essas mulheres que me permitiram usar suas vozes e seus
nomes, envolvendo-as diretamente nesta pesquisa, pois construímos,
coletivamente, uma nova visão sobre sua história, no meio rural. Graças à
colaboração dessas mulheres que freqüentavam os Encontros, que
participaram com os seus depoimentos, foi possível construir esta
dissertação. Ao dar um ponto final neste trabalho envolvente e
apaixonante, meu reconhecimento a todas essas mulheres, pois, juntos,
construímos mais cidadania no meio rural.As mulheres trabalhadoras rurais - que guardam a história, que contam a seus filhos e filhas - mostram uma longa vida em que as mesmas, para não falar de outras dicotomias, tiveram que enfrentar permanentemente a desigualdade, embora nunca tenham se submetido completamente a isso. Submissão e resistência sempre fizeram parte da vida das mulheres. O presente apresenta uma análise histórica e teórica na região Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, voltado à pesquisa e à formação, envolvendo grupos de mulheres trabalhadoras rurais nos temas referentes a gênero e direitos reprodutivos. Neste trabalho, envolvemos mulheres e homens. Criamos diversos espaços para um debate aberto entre os diferentes agentes. Todas as pessoas envolvidas neste processo puderam confrontar suas trajetórias e experiências de vida, refletindo sobre suas condutas, valores e práticas sociais na sua história familiar e comunitária. Histórias de vida, relações de gênero na agricultura familiar, participação das mulheres na construção do sindicalismo, conquista de direitos sociais e da cidadania política, construção de um projeto alternativo de desenvolvimento sustentável para o meio rural, dentre outros aspectos, constituem temas centrais neste trabalho. A atualidade histórica e a complexidade desses assuntos revelam a importância desse debate para os rumos da sociedade brasileira, em especial para os segmentos sociais que buscam, no seu cotidiano, construir novas formas de relacionamento humano, em que se superam as desigualdades sociais e históricas que marcam profundamente o mundo moderno. Analisar a participação da mulher em movimentos sociais implica discutir a temática referente às relações de gênero, na medida em que este modo específico de vida social caracteriza-se por uma íntima relação com os recursos naturais e também por uma forma de organização do trabalho familiar, onde os critérios "sexo" e "idade" são elementos chaves na distribuição das diversas tarefas no âmbito do público e do privado. Na agricultura familiar, as mulheres são parte integrante de uma família e possuem responsabilidades tanto nas atividades econômico-produtivas (espaço onde dividem o conjunto das tarefas com os demais membros da família), como nas doméstico-reprodutivas (espaço onde impera a indivisibilidade sexual do trabalho, ou seja, só as mulheres - adultas, idosas e jovens - executam essas atividades). Em função dessas características, todo o trabalho político-produtivo das agricultoras nos estabelecimentos rurais não é percebido socialmente, tornando-se invisível, inclusive do ponto de vista das estatísticas oficiais, na medida em que as mulheres, historicamente, têm sido discriminadas e marginalizadas, consideradas apenas como "donas de casa" e não como agricultoras. Prevalece o sentido da "ajuda" e não do trabalho propriamente dito. Por isso, o trabalho da mulher agricultora é desvalorizado socialmente, não sendo reconhecido como uma ação produtiva. De outro lado, o que vale, segundo a concepção subjacente às instituições que realizam as estatísticas nacionais, são as atividades que geram dinheiro; aquelas relacionadas à reprodução da família, em geral, são menosprezadas por esses instrumentos. Esse exemplo demonstra a falsa neutralidade ideológica das estatísticas, uma vez que evidencia um tratamento desigual no enquadramento de determinadas funções. Este estudo colocou um desafio nas instituições, movimentos, nas comunidades rurais no sentido de reconstruir, refundamentar as práticas políticas, sociais e reprodutivas no campo das relações de gênero no meio rural. |