| GELEDÉS: 15 anos de ousadia | |||||||||||||
No
dia 29 de abril, o Geledés - Instituto da Mulher Negra completou 15 anos
de atuação e inaugurou a nova sede no centro de São Paulo. A festa contou
com a participação de lideranças dos movimentos negro e de mulheres e da
Secretária de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro. O Geledés
iniciou suas atividades por constatar que a problemática específica das
mulheres negras era subestimada nas agendas dos Movimentos Negro e
Feminista e havia a necessidade de construir instrumentos políticos
próprios. Desta forma, a missão do Instituto é combater o racismo, o
sexismo e promover a valorização social das mulheres negras, em especial,
e da população negra no geral. Acompanhe entrevista feita com a
coordenadora de Comunicação da ONG, Nilza Iraci.
Cunhary: Quais as dificuldades encontradas e superadas pelo Geledés, nesses 15 anos? Nilza Iraci: O grande desafio para uma organização feminista de mulheres negras, 15 anos atrás, era se consolidar como força política na sociedade, mas principalmente diante dos movimentos negro e feminista. Tínhamos o desafio de criar um movimento com cara própria, sem copiar os modelos existentes. Feminizar o movimento negro e enegrecer o feminismo não podia ser apenas figura de retórica, mas uma prática que apontasse para a eliminação das desigualdades existentes, inclusive entre esses dois movimentos. Outro grande desafio era vencer a resistência desses movimentos, que nos viam como parte de suas ações ou através de uma suposta irmandade. Somos todas mulheres, portanto, estamos todas no mesmo barco ou somos todos negros. Éramos acusadas de fragmentar os dois movimentos. Foi preciso um trabalho efetivo para que reconhecessem nossas especificidades. O desafio, hoje, é dar conta da enorme demanda que nossa ação tem provocado. Cunhary: Quando vocês falam do aniversário o denominam como 15 anos de Ousadia. Qual o motivo? Nilza: Não pedimos licença a ninguém para existir. Nossa principal estratégia foi sempre a de atuarmos nos diferentes espaços, nacionais e internacionais, de debates colocados pela sociedade, reafirmando nossa condição (intersecção) de gênero e raça com o objetivo de promover a capilaridade desses temas. Por essa razão, atuamos e incidimos em todas as conferências da ONU da última década, de maneira a incluir o recorte racial nos documentos que propõem políticas para as populações em todo o mundo. Outra marca dessa ousadia foi ter investido, desde o primeiro momento, na questão da Comunicação como uma política efetiva institucional e na formação e capacitação de mulheres negras para essa área, como exercício de empoderamento, nem sempre levada em conta pelas organizações do movimento social. Cunhary: Qual a principal diferença entre o Brasil de 1988 e o de hoje? Nilza: Do ponto de vista da questão racial, a grande mudança foi o reconhecimento do racismo como fator de exclusão de cerca da metade da população brasileira. Esse reconhecimento formal, internacionalmente, se deu durante a Conferência Mundial da Mulher de Beijing, em 95, quando o então presidente FHC declarou, no documento do governo brasileiro para a ONU, que não seria possível desenvolvimento sustentável sem o fim do racismo. Essa declaração colocou por terra a tão propagada democracia racial defendida por governo e sociedade, que impedia o reconhecimento do racismo e, conseqüentemente, da produção de políticas que dessem conta da eliminação dessas desigualdades. Outra diferença marcante foi o surgimento de muitas organizações específicas de mulheres negras. O movimento passa da fase da denúncia para outra propositiva, de ocupação de espaços em igualdade de condições com os movimentos sociais onde atuam. Acabou o racismo? Claro que não. Tampouco os movimentos sociais absorveram essa questão como uma das suas prioridades, mas já é possível verificar significativos avanços, e as mulheres negras, ao lado do movimento negro, têm tido papel fundamental na inclusão dessa temática nos diferentes fóruns onde se decide a vida política do país. SP Cep- 01221-010.Tel.: 3333 3444 / fax: 3331 1592. e-mail - geledes@geledes.com.br |
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| Notícia triste: morre Cida, grande liderança da luta pela terra e pela cidadania feminina | |||||||||||||
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É com muita tristeza que a Rede Mulher
comunica a morte da educadora e grande líder Cida (Maria Aparecida
Segura), do Grupo de Mulheres da Terra, do Assentamento II/MST, de Sumaré.
Cida, 46 anos, foi vítima de um aneurisma, no dia 27 de junho, durante aula de curso pré-vestibular (ela iria concretizar mais um sonho: o de ingressar no curso de Direito). Chegou ao hospital em estado de coma e morreu horas depois. Deixou marido - Antônio Segura Filho, que vem suportando a dor da perda, com a mensagem de um poeta polonês que diz: "Quando você sentir saudade de mim, abrace uma árvore que eu plantei" -, dois filhos (Daniel, 16, e Augusto, 12) a filha (Domitila, 14), a sobrinha Luciana, 27, que é agente de saúde e foi educada pela Cida desde criança, além de um grande número de amigas e amigos, que continuarão se inspirando em sua trajetória de luta pela terra e cidadania feminina, repleta de ações alicerçadas nos princípios da ética, da justiça e da eqüidade. O Grupo de Mulheres da Terra tornou-se ponto focal da Rede Mulher em 1998, mas a relação de proximidade vinha desde os anos 80, através da educadora Maria José (Zéza) Lopes Souza, que realizava trabalhos de empoderamento das mulheres quando elas ainda estavam acampadas em uma área pertencente à Fepasa, no bairro de Padre Anchieta, em Campinas, aguardando o resultado das negociações com o governo do Estado de São Paulo, para ocupação das terras do Horto de Sumaré. Cida já despontava como uma grande liderança junto às Comunidades Eclesiais de Base. A luta da educadora Cida, do ponto focal e da Rede Mulher focavam (e continuarão focando), principalmente, as discussões sobre as relações sociais de gênero na comunidade rural e a manutenção das mulheres - em particular, adolescentes – no trabalho do campo. Cida também vinha ocupando o cargo de vice-tesoureira da Organização de Mulheres Assentadas e Quilombolas do Estado de São Paulo. Já havia ocupado a vice-presidência do Sindicato dos/as Trabalhadores/as Rurais de Sumaré, cuja bandeira envolveu seu caixão. O conjunto de educadoras da Rede Mulher está muito triste com a morte da Cida. A coerência que Cida mantinha entre os princípios e a prática continuará inspirando nossa luta por uma sociedade mais igualitária.
A simplicidade, |
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VEM PRA RODA! VEM PRA REDE! Guia de apoio à construção de redes de serviços para o enfrentamento da violência contra a mulher |
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| Casa Eliane de Grammont recebe cerca de 40 participantes para discutir o tema da violência | |||||||
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No dia 25 de maio, numa promoção do Fórum Paulista contra a Violência e da Rede Mulher de Educação, realizou-se mais um lançamento do livro Vem pra Roda! Vem pra Rede!, com apresentação e discussão do conteúdo coordenadas pelas autoras Denise Carreira e Valéria Pandjarjian, além de dinâmicas de sensibilização a cargo da educadora Maria José (Zeza) Lopes Souza. Também foi uma oportunidade de refletir, a partir de cada realidade, sobre os primeiros passos para a criação de uma rede de serviços e parcerias, para avançar na prevenção e combate à violência contra a mulher. Na ocasião, foram distribuídos, gratuitamente, 80 exemplares do guia. O encerramento aconteceu com um descontraído coquetel. A Casa Eliane de Grammont, mantida pela prefeitura de São Paulo, foi fundada em 1991, tendo como finalidade orientar e encaminhar mulheres vítimas da violência para serviços de apoio psicológico e social. O nome homenageia Eliane de Grammont que foi assassinada em 1981 pelo marido, o cantor Lindomar Castilho. O caso foi um marco na história de luta do movimento de mulheres: a pressão resultou no efetivo cumprimento da pena de doze anos de prisão. |
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| Mulheres populares buscam empoderamento individual e de grupo | |||||||
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| O Movimento de Mulheres e o Governo Lula: o desafio das reformas | |||||||
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Este foi tema em torno do qual girou o
debate realizado, no sábado, dia 25/5, no auditório da Ação Educativa
(gentilmente cedido), numa iniciativa da Articulação de Mulheres de São
Paulo, com a presença de cerca de vinte pessoas. A exposição ficou a cargo
de Sueli Carneiro - diretora do Geledés e integrante do Conselho de
Desenvolvimento Econômico e Social -, tendo como debatedora Heleieth
Saffioti, socióloga, feminista e professora da PUC/SP. O objetivo central
foi o de propiciar um espaço coletivo de reflexão sobre os desafios
atuais, tendo como foco a reforma da Previdência e a proposta de
concertação social.
Foi de importância ímpar o panorama traçado por Sueli Carneiro sobre o funcionamento do Conselho de Desenvolvimento Social - instância consultiva, com o objetivo de discutir questões estruturais da sociedade brasileira - , com impressões realistas sobre as limitações da atuação dos poucos representantes da sociedade civil (ela própria, Sérgio Haddad/Abong e José Moroni/Inesc). Destacou três aspectos que vêm pesando nesse jogo de forças: 1) caráter minonitário (são 90 integrantes, sendo 41 empresários, 13 sindicalistas, 6 representantes de movimentos sociais e "o resto, um monte de personalidades..."), 2) distância entre o que historicamente vem se constituindo na agenda dos movimentos (expansão dos direitos) e a atual agenda nacional; 3) a ameça aos direitos conquistados, principalmente pelas mulheres, no sentido da exclusão social, na agenda que vem sendo discutida. Heleieth Safffioti qualificou brilhantemente as questões colocadas, oferecendo uma retrospectiva do modo de produção capitalista e suas conseqüências, principalmente o grande número de pessoas no mercado informal, que também estão excluídas do sistema previdenciário. Dentre outros aspectos, frisou que "o núcleo duro da família é constituído por mulheres e crianças, portanto, gozar de proteção não é privilégio, é uma medida compensatória". O Articulando Eletronicamente da AMB, de 17/06, ressalta a divulgação das Propostas das Mulheres para a Re- forma da Previdência, feita junto a movimentos sociais, parlamentares, imprensa e sociedade em geral. |
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| Em memória de Regina Stella | |||||||
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Regina Stella, uma feminista cuja causa mais
apaixonante foi a humanidade, faleceu no dia 28 de abril. Nascida em
Santos, em 30/11/43, foi uma guerreira que, com seu temperamento
libertário e seu olhar crítico para o mundo, ajudou a transformar para
melhor o nosso cotidiano. Perseverante, amiga, companheira. Muito generosa
e solidária, mexeu com as pessoas, instigando-as para esta transformação;
e assim teceu uma rede de informação, trabalho, amizade e amor. Seu
domínio da palavra, escrita ou falada, deu suporte a idéias e ações
pioneiras, fazendo de Regina uma liderança de todas as causas que abraçou:
da atuação política à luta feminista. Atuou no Movimento de Luta por
Creche, deu aulas e palestras em favelas sobre sexualidade e saúde,
organizou e coordenou Encontros e Congressos de Mulheres, participou do
Comitê Brasileiro pela Anistia. Foi fundadora do PT e da Comissão de
Mulheres do PT. Esteve na coordenação das históricas greves no ABC
paulista e coordenou a organização do Comício de 120 mil pessoas na praça
Charles Miller. Militou no CIM (Centro de Informação Mulher), onde criou o Café Feminista - um encontro semanal de mulheres. Cada Café, um tema feminista que nos instigava entre conversas e cervejas... e, também, cafés. E foi como decorrência de nossos encontros no Café Feminista que o CIM foi o local escolhido para que as paulistas tecessem a famosa e corajosa decisão de rejeitar o financiamento da USAID para as preparatórias do IV Conferência Mundial sobre a Mulher (Beijing/95)... Regina Stella, de todas, era a mais contundente e convenceu-nos a manter a ética e a coerência política, o que nos levou à recusa de chegar à Beijing pelos braços da USAID... A decisão das paulistas foi apoiada pelo conjunto do movimento feminista brasileiro, reconhecendo-lhe o acerto. Como militante do Movimento Feminista, esteve apoiando a Rede Mulher de Educação em momento importantes de sua trajetória. São fragmentos de lembranças memoráveis de nosso convívio com Regina Stella. Sua vida pessoal transcendeu os limites e as barreiras impostas pela sociedade. Amou homens e mulheres, de diferentes raças, níveis culturais e econômicos. Seu olhar sobre o mundo e para as pessoas foi sempre pautado pela solidariedade e pelo amor. Fundou a Associação dos Moradores do bairro da Lagoa (Araçariguama/SP), visando à melhoria do bairro, tendo sido a ecologia sua última e "mais apaixonada" bandeira. Lutou e arrancou mais três anos de vida ao câncer que a afligia, até que reconheceu: "Nem todas as batalhas são ganhas...". Mas, a semente que ela plantou em nossos corações, as cores com que ela pintou o mundo e as relações que ela costurou, estas não morrerão. Essa batalha, ela ganhou. Na bandeira lilás-feminista que cobria seu caixão, as amigas inscreveram os dizeres: VOCÊ É A CELEBRAÇÃO DA AMIZADE! |
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| Publicações | |||||||
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Manual de Capacitação do BID Enfoque de Gênero em Programas e Projetos de Desenvolvimento |
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Trata-se de um excelente instrumento de trabalho, que pode ser utilizado por organizações não-governamentais, órgãos públicos, agências financiadoras. Mas, toda utilização deve ser adaptada para cada realidade dos países em desenvolvimento. Para obtenção de exemplares, enviar e-mail para sds/wid@iadb.org . |
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As mulheres latino-americanas são maioria entre as pessoas desempregadas e subempregadas. No Brasil, a população feminina se apropria de apenas 32% da renda produzida e ainda acumula as tarefas dentro e fora de casa. Quem se interessar pela publicação, pode contatar a Coordenadoria da Mulher, enviando e-mail para coordenadoriadamulher@prefeitura.sp.gov.br ou fax para o número (11) 3326-3765. |
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De acordo com as organizadoras, Sílvia Lúcia Ferreira e Enilda Rosendo do Nascimento, o objetivo do livro é atender às diversas faces das mulheres trazidas nos estudos produzidos na Bahia. Por exemplo, no texto da doutora em saúde coletiva, Maria do Carmo Soares de Freitas, "Mulher Light: Corpo, Dieta e Repressão", são discutidos o desejo das mulheres de possuírem um corpo "nivelado por padrões idealizados de beleza" e a construção de uma sociedade narcisista e "globalizada". Os textos foram selecionados dentre aqueles apresentados durante o VI Simpósio Baiano de Pesquisadoras/es sobre a Mulher e Relações de Gênero, realizado pelo NEIM, no período de 4 a 6/12/2000. "As imagens da mulher na cultura contemporânea, tema central do simpósio, acham-se, pois, refletidas nas diversas experiências de pesquisa apresentadas", enfatizam as organizadoras. Solicitações de exemplares podem ser feitas pelo fone/fax: (71) 237-8239 ou e-mail neim@ufba.br . |
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| Feminismo, Ciência e Tecnologia | |||||||
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Organizado por Ana Alice Alcântara Costa e Cecília Maria Bacellar Sardenberg, o livro discute a participação das mulheres (e a contribuição delas) para a área de ciência e tecnologia no Brasil. As desbravadoras de um campo tão masculinizado merecem o destaque da dedicatória da obra: Às mulheres cientistas brasileiras e a todas nós, feministas: pela conquista do direito de sermos, também, sujeitos cognoscentes". No artigo, "Crítica feminista à ciência", Diana Maffia investiga os motivos que levam as mulheres estarem "sub-representadas" nos níveis de pesquisadoras, diretoras, nos comitês de decisão e comitês de governo e nas instituições de pesquisa. As explicações apontadas por Maffia variam de argumentos pseudocientíficos, como "as mulheres são dominadas pelos hormônios" até discriminações. |
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| Vocabulário referido a gênero | |||||||
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O trabalho foi originalmente publicado em espanhol pelo governo da Guatemala, com financiamento da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação). Foi traduzido para o português pela Secretaria Municipal da Mulher da Prefeitura de Londrina/PR. Maria José Barbosa, Secretária Municipal da Mulher, destaca a importância da publicação no sentido de oferecer "subsídios aos técnicos e às técnicas que atuam em áreas de planejamento de políticas públicas, bem como para difundir a linguagem e a abordagem das análises sobre relações de gênero, o que pode ser de uso geral". Para verificar possibilidade de obter a publicação, envie e-mail para mulher@londrina.pr.gov.br , ou mensagem via fax: (43) 3372-4166. |
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MULHERES IDOSAS E QUALIDADE DE VIDA: |
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Orientadora: Prof.Dra. Nair Heloísa Bicalho de Sousa Mestrado - 2001 - Política Social} Instituto de Ciências Humanas - Dep. Serviço Social Universidade de Brasília |
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No Brasil, do contingente de população envelhecida, o grupo feminino se sobressai, apresentando um índice elevado de mulheres idosas, que nasceram no início do século XX. As mulheres idosas, de hoje, da cidade de Cuiabá, capital do estado de Mato Grosso, pertenceram a uma sociedade patriarcal, situando-se em uma faixa etária entre 60 e 85 anos de idade, segundo dados do IBGE, de 1996. Em face da presença crescente desse grupo social nas décadas de 1970 e 1980, as unidades de atendimento e apoio, públicas e privadas, incluindo as de Mato Grosso, abriram seus espaços para homens e mulheres idosos. Do contingente da população envelhecida, são as mulheres que predominam nestes espaços das escolas abertas; universidades para a terceira idade; núcleos de ensino, pesquisa e extensão; centros e grupos de convivência. Nestes espaços de convivência, são desenvolvidos programas que buscam a auto-expressão, a auto-imagem e a autopromoção das mulheres no contexto brasileiro e mato-grossense. Por esta razão e devido à escassez de produção de conhecimento a respeito das mulheres idosas no Brasil, propusemos desenvolver um projeto de pesquisa que contemplasse esta realidade. A pesquisa teve por objetivo analisar a qualidade de vida das mulheres idosas do Grupo de Convivência do NOETI/UFMT, de modo a compreender o processo de ressocialização destas, no período de 1995-1999. A metodologia utilizada está baseada no estudo de caso, que orientou o levantamento de dados de natureza quantitativa e qualitativa, seguindo as orientações da autora Minayo, através de uma visão crítica da realidade social onde estão inseridas as mulheres idosas. Os dados demonstram que, a partir do processo de ressocialização, as mulheres idosas vivem hoje um envelhecimento produtivo e relativamente satisfatório, com um mínimo de qualidade de vida. Estas viveram um processo profundo de desigualdades sociais, de submissão, autoridade familiar masculina e desenvolvendo um trabalho doméstico reprodutivo, sem serem incluídas no mercado formal. A partir da participação nas atividades desenvolvidas pelo NOETI/UFMT, as idosas tiveram uma mudança na postura diante de si mesmas, de suas famílias e da sociedade, passando a ganhar qualidade de vida através do processo de ressocialização alcançado por meio desta experiência. (*) Iva Ferreira Gonçalves é professora do |
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