Edição Nº 53
Jul./Set./
2003

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- Rede Mulher lança instrumento de apoio às ações de geração de renda e cidadania

- Entidade se fortalece em evento de avaliação e planejamento

- Direitos Humanos e tráfico de pessoas

- Abong tem nova diretoria, com formato colegiado

- Seminário discute referências na relação das ONGs com o Estado

- Marcha das Margaridas pressiona governo federal
- Consulado da Mulher: ação de responsabilidade social com foco na cidadania ativa
- Vozes essenciais na política: a participação das mulheres
 
 

 Publicações

 

- Tese

Rede Mulher lança instrumento de apoio às ações de geração de renda e cidadania


Beatriz Cannabrava e Hilda Fadiga (dir/esq), duas das organizadoras da publicação, durante lançamento na sede da Rede Mulher.

Negócio de Mulher - capacitação em gênero e liderança para geração de trabalho e renda é a mais recente publicação da Rede Mulher, organizada por Beatriz Cannabrava, Hilda Fadiga e Miriam Duailib. Abarcando, em todo seu conteúdo, a perspectiva da cidadania transformadora, a publicação é resultado da sistematização de vários cursos e oficinas realizadas pela entidade, há vários anos.
“Começar um negócio, transformando habilidades e talentos em renda, é um desafio para nós, mulheres, que crescemos ouvindo que ‘negócio não é coisa de mulher’. Mas, neste mundo conturbado pelas crises, ora políticas, ora econômicas, com indefinições sobre que sentido dar à vida, nos encontramos diante de outro desafio: ocupar um espaço no mercado de trabalho, uma forma solidária e democrática de produzir, distribuindo os benefícios com eqüidade”, destacam as organizadoras, na introdução. Os apoios para elaboração e impressão foram de Desenvolvimento e Paz (Canadá), Novib/Holanda, Fase/Saap e recursos próprios.
Este guia prático, destinado a grupos e entidades interessadas em promover cursos e oficinas sobre a temática, custa R$12 (incluindo taxa de correio) e pode ser solicitado pelo e-mail: rdmulher@redemulher.org.br ou pelo telefone (11) 3873-2803.

 

Entidade se fortalece em evento de avaliação e planejamento

O amplo e profundo processo de avaliação e planejamento da Rede Mulher teve início em maio, culminando com um Encontro Nacional realizado em São Paulo, nos dias de julho, envolvendo as 23 sócias-educadoras de diferentes regiões do país, com o apoio da Novib/Holanda. O processo ficou a cargo de Marcos J.Pereira Silva e Jacira Melo, que utilizaram uma metodologia bastante participativa. Foi uma rica oportunidade de reflexão sobre a trajetória da entidade, bem como para o planejamento de ações futuras que levem ao avanço da luta por uma sociedade igualitária, considerando-se os desafios atuais num cenário de restrições financeiras e de necessidade de clareza do papel crítico e propositivo da sociedade civil perante à conjuntura nacional com a chegada do governo popular no poder central.
Ao completar 23 anos de existência, com a convicção da importância da função pública do trabalho da Rede Mulher, as integrantes reafirmaram para o triênio 2004-2006, o Programa Geral intitulado Gênero, Cidadania e Liderança, com três programas: Formação, Educomunicação e Empoderamento Institucional. Pretende-se continuar a investir fortemente na busca de recursos nacionais, com o cuidado de manter a coerência de princípios da entidade.

 

Direitos Humanos e tráfico de pessoas

por Priscila Siqueira - jornalista do Serviço à Mulher Marginalizada-SMM
 

Denúncias de várias organizações internacionais apontam o Brasil como um dos maiores ‘fornecedores’ mundiais para a indústria do sexo.
O Itamaraty reconhece haver na Espanha cerca de 20 mil mulheres brasileiras, sendo que 10 mil delas só na cidade de Bilbao.

A ONU reconhece o desaparecimento de cerca de 4 milhões de pessoas por ano, sendo a grande maioria constituída de jovens mulheres e crianças do sexo feminino. Para termos uma idéia do que representa esse número, é só pensar que se todas as pessoas desaparecidas morassem na Grande São Paulo, esse núcleo urbano sumiria do mapa do Brasil em quatro ou cinco anos.

As rotas do tráfico dessas criaturas obedecem sempre ao mesmo esquema: as regiões pobres do planeta são as grandes ‘fornecedoras’ de gente para o consumo dos habitantes das regiões ricas. No caso das crianças traficadas, o Unicef afirma que a maioria é absorvida pela indústria da prostituição, inclusive a eletrônica. Algumas das crianças mais afortunadas são encaminhadas para a adoção e no limite há o tráfico dos órgãos dessas criaturas para os países ricos.

"Droga e arma a gente só vende uma vez; mulher a gente vende e revende quantas vezes quiser, até ela morrer de Aids, ficar louca ou se matar...". (testemunho de um europeu, traficante de pessoas)

A venda de mulheres e meninas se constitui num negócio extremamente lucrativo que, nesses tempos de globalização neoliberal, obedece às regras de mercado. Acredita-se que o tráfico de seres humanos gera um lucro anual de 12 bilhões de dólares, só perdendo, respectivamente, para o tráfico de armamentos e o das drogas.

Porém, há quem acredite que em breve o tráfico de seres humanos será a atividade criminosa mais lucrativa do mundo. No seminário realizado em Washington, em fevereiro deste ano, o próprio Departamento de Estado Norte Americano admitia que, a continuar no ritmo atual, o tráfico de pessoas será o campeão de lucro ilegal daqui a quatro ou cinco anos. No documento redigido em 2001, pela Cúpula das Congregações Femininas da Igreja Católica - União Internacional de Superioras Gerais-USISG, há o testemunho de um proxeneta europeu que dá uma idéia da dimensão do problema. Segundo o traficante, "droga e arma a gente só vende uma vez; mulher a gente vende e revende quantas vezes quiser, até ela morrer de Aids, ficar louca ou se matar...".

Tráfico e CPI

Apesar de não haver dados oficiais, denúncias de várias organizações internacionais apontam o Brasil como um dos maiores ‘fornecedores’ mundiais para a indústria do sexo. O Itamaraty reconhece haver na Espanha cerca de 20 mil mulheres brasileiras, sendo que 10 mil delas só na cidade de Bilbao. Recentemente, a Polícia Civil do Estado de São Paulo prendeu membros de uma quadrilha coreana que estava levando jovens brasileiras para a Ásia, onde seriam vendidas por US$ 5 mil cada uma.

Em junho do ano passado, o Centro de Referência, Estudos e Ações sobre a Criança e o Adolescente - Cecria -, uma ONG ligada à Universidade de Brasília, apresentou pesquisa feita em território nacional, que detectou 241 rotas terrestres, marítimas e aéreas utilizadas pelo crime organizado, para a exploração sexual de mulheres e crianças.

Baseada nas denúncias feitas por essa pesquisa, foi aberta uma Comissão Parlamentar de Inquérito - CPI, no Congresso Nacional, liderada pela senadora Patrícia Saboya Gomes, do PPS/Ceará. Conforme a senadora, até o final do ano, a CPI deverá apresentar suas conclusões.

Sabemos que o atual Governo Federal assumiu um legado terrível de 52 milhões de brasileiros vivendo com um dólar ou menos por dia. E que 70% desses miseráveis são constituídos por mulheres e seus filhos menores de 14 anos. Essas pessoas nada mais têm para sobreviver que a venda de seus próprios corpos. Por isso o enfren-tamento do tráfico de pessoas passa pelo estabelecimento de políticas públicas que dêem melhores condições de vida a essa população.

Urge a toda sociedade brasileira enfrentar a questão do tráfico de pessoas. A venda de uma mulher ou adolescente, a venda de seus serviços sexuais transforma-a numa ‘coisa’ a ser adquirida no mercado do sexo. E, sem dúvida, esse é o maior desrespeito aos Direitos inalienáveis que todo ser humano merece.

   
  Abong tem nova diretoria, com formato colegiado
A Abong (Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais) tem agora uma direção colegiada, de acordo com resolução da Assembléia Geral realizada nos dias 3 e 4 de setembro, em São Paulo, reunindo representantes de entidades filiadas de todo o Brasil.

Num clima de emoção, Sérgio Haddad - que foi aplaudido de pé pelas pessoas presentes - , presidente por duas gestões, passou o bastão para Jorge Eduardo S.Durão (Fase), que assume o desafio da direção geral até 2006, com uma nova estrutura institucional, adequada às crescentes demandas da Abong. Taciana M.V.Gouveia (SOS Corpo) assume a Diretoria de Desenvolvimento Institucional; José Antonio Moroni (Inesc), a Diretoria de Relações Institucionais; Sérgio Haddad (Ação Educativa), a Diretoria de Relações Internacionais; na suplência estão Nalu Faria Silva (SOF) e Guacira Oliveira (CFEMEA). A Abong continua com oito regionais, com diretorias reeleitas, renovadas e a definir. O Conselho Fiscal conta agora com três representações titulares e duas suplentes.

Nos dias que antecederam à Assembléia - 1, 2 e 3 de setembro - a Abong promoveu o Seminário Internacional "O papel da sociedade civil nas novas pautas políticas", com diversas mesas de debates e conferências, que contou com a presença, dentre outros especialistas, de Boaventura Souza Santos, Francisco de Oliveira, ministro Luiz Dulci, Sueli Carneiro, Leilah Landim e Maria Betania Ávila.

O resultado das exposições e dos debates do evento reafirma a posição da nova diretoria da Abong em sua relação com o Governo atual, muito bem resumida pelo novo Diretor Geral, Jorge Eduardo Durão: "Devemos, mais do que nunca, manter a independência e a autonomia, assumindo um papel crítico das políticas governamentais".

 

Seminário discute referências na relação das ONGs com o Estado

O assunto está longe de se esgotar. Não confundir a agenda do governo com o da sociedade civil, manter a autonomia sem deixar de dialogar, realizar parcerias valorizadas e valoradas desde que haja nossa interferência nos rumos das políticas públicas são algumas das premissas básicas para a ação das Ongs no novo contexto brasileiro, com um governo popular no poder central. Este seminário, que ocorreu no Rio, de 15 a 17 de setembro, faz parte das ações desencadeadas pela Plataforma Novib, evento que reúne entidades financiadas por essa agência de cooperação holandesa. Coordenado por Maria Emília Pacheco (Fase), Maria Betania Ávila (SOS Corpo), Magnólia Said (Esplar) e Renato Roseno (Cedeca), o seminário contou com a participação de representantes das contrapartes Novib e de articulações nacionais. Jorge Durão (Fase) e Maria Betânia falaram sobre as “Referências ético-políticas que orientam a prática das Ongs do campo democrático popular, na sua relação com o Estado e com organizações da sociedade civil”. Cristiane Costa (Pólis), Edmar Gadelha (Consea/MG) e Francisco Menezes (Ibase e Consea/Nac) discorreram sobre a política de Segurança Alimentar/Fome Zero, enfocando as diretrizes, os mecanismos de implantação/monitoramento e controle.


Emir Sader (esq) e Francisco de Oliveira (dir) propiciaram uma reflexão rica e profunda no painel “Uma análise da situação nacional: o Brasil no contexto latino-americano”. Ao centro, Renato Roseno (Cedeca), que coordenou a mesa.

 

 

   

 

Marcha das Margaridas pressiona governo federal
  A Marcha das Margaridas, 2003 razões para marchar aconteceu no dia 26 de agosto, em Brasília, reunindo mais de 50 mil mulheres, na luta por terra, água, salário mínimo e contra todas as formas de violência no campo. Foi organizada pela Contag e Comissão Nacional de Mulheres Trabalhadoras Rurais, cuja coordenadora, Raimunda de Mascena, declarou à Folha de S.Paulo do dia seguinte, que "nosso objetivo não é promover o governo ou derrubar o governo; temos uma pauta de reivindicações". Quatro ministros participaram do ato, que acontece anualmente desde 2001.

 

 

Consulado da Mulher: ação de responsabilidade social com foco na cidadania ativa

Ainda são raras as ações de responsabilidade social de empresas no Brasil que se voltam para o combate às causas estruturais das desigualdades, portanto, com uma visibilidade que se conquista a médio e longo prazos, bem como daquelas que mantêm coerência entre os princípios que defendem e a prática.

A Multibrás Eletrodomésticos (Cônsul e Brastemp) optou, acertadamente, desde o início, por ações com foco na cidadania transformadora e geração de renda, envolvendo pessoal voluntário de suas quatro fábricas e a comunidade de cada uma das localidades. As tratativas para a parceria firmada com a Rede Mulher, que segue critérios éticos para tal, começaram há cerca de dois anos, quando ainda Inês Meneguelli dividia a direção do Consulado da Mulher com Raquel Trajber (hoje, trabalhando no Ministério do Meio Ambiente). O trabalho vem sendo realizado de forma continuada, pela educadora Maria José Lopes Souza, na unidade de Rio Claro, que é coordenada por Alessandra Benati. Há também o envolvimento de outras educadoras da Rede Mulher, como é o caso de Hilda Fadiga, dependendo da demanda.

A sensibilização de gênero das pessoas envolvidas é considerada uma etapa que vai alicerçar toda a ação de responsabilidade social. Significa focar temas como a auto-estima, aspectos históricos da desigualdade de gênero e seus estereótipos, liderança e sinergia, conflitos, etc. Há plena consciência de que é um trabalho com resultados a médio prazo, mas fundamental para se galgar outros passos, mantendo, assim, a coerência com a missão do Consulado da Mulher: "Promover a cidadania e a dignidade da mulher por meio da educação continuada, da participação na comunidade, da melhoria da qualidade de vida e da mudança nas relações de gênero".

Além das atividades presenciais, em espaços físicos próprios, o Consulado da Mulher mantém um site atualizado, com informações organizadas de acordo com os interesses femininos - direito, cultura, educação, saúde, casa: www.consuladodamulher.com.br .

Alessandra Benati e Inês Meneguelli, do Consulado da Mulher, e Vera Vieira e Maria José Lopes Souza, da RME, (esq/dir), durante reunião na sede da Multibrás/SP. Participantes do encontro de avaliação da primeira etapa do projeto de assessoria sobre gênero, em Rio Claro, realizado em agosto.

 

 

Vozes essenciais na política: a participação das mulheres

A presença de mais de 100 mulheres neste evento é um reflexo da vontade de aumentar a representação política feminina nas próximas eleições municipais de 2004. Este II Seminário Internacional aconteceu no período de 22 a 24 de setembro, em São Paulo, numa realização do Consulado Geral dos EUA/SP, Cladem-Brasil (Comitê Latino-Americano e do Caribe para Defesa dos Direitos da Mulher), Elas por Elas na Política e Conselho Estadual da Condição Feminina/SP. Contou com palestras e oficinas coordenadas por feministas que ocupam cargo político, além de lideranças do movimento feminista e outros. Foi uma grande contribuição, aumentando suas possibilidades de concorrerem a mandatos eletivos, apesar da constante falta de recursos e do pouco comprometimento partidário com candidaturas femininas.

Maria José L.Souza (esq), da Rede Mulher, proferiu palestra sobre ‘O papel das redes na formação política das mulheres’. A americana Alyse N.Bloom (dir), da Vital Voices, falou sobre ‘Criação de redes nos EUA’.

 

Publicações
Como falar do aborto provocado manual para uma comunicação bem sucedida
 

O manual é rico em argumentos, através de uma metodologia de perguntas e respostas, na defesa do direito das mulheres no campo da vida sexual e reprodutiva.

Ao lançá-lo, no Brasil, a ONG Católicas pelo Direito de Decidir, por ocasião do aniversário de 10 anos de existência, reafirma a mensagem de "desculpabilizar as mulheres que decidem abortar, como último recurso ante uma gravidez indesejada, com base em argumentos teológicos consistentes". O manual, escrito por Frances Kissling, é fruto da experiência norte americana de Catholics For a Free Choice, com tradução de Lia Zalszupin e revisão de Angela Freitas e Jacira Melo.

As pessoas interessadas neste importante manual podem enviar e-mail para cddbr@uol.com.br ou telefonar para (11) 3107-9038.

 
Dossiê: Reprodução Humana Assistida

A Rede Feminista de Saúde acaba de lançar este Dossiê, com pesquisa e redação de Alejandra Ana Rotania e colaboração de Marilena Corrêa, abordando uma temática complexa, que necessita ser aprofundada e debatida pelo movimento organizado de mulheres da área de saúde e dos direitos reprodutivos. Na apresentação do Dossiê, destaca-se que "a sociedade civil ressente-se desse fato e de maiores informações, sobretudo quanto aos aspectos pouco esclarecidos da operacionalização das tecnologias no universo da medicina. É verdade que, embora faça parte do imaginário social, até por ter sido tema de novelas na televisão brasileira, a popularização do assunto, calcada em bases científicas, ainda mostra um caminho a ser percorrido". O apoio é da Fundação Ford.

Quem tiver interesse pode enviar e-mail para redesaude@uol.com.br ou telefonar para (31) 3213-9097/6940.

 
Gênero, Corpo e Enfermagem

Esta publicação da Cepia (Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação, Ação) procura trazer reflexões sobre saúde, direitos humanos, gênero e sexualidade. Com o apoio da Fundação MacArthur e Fundação Ford, foi organizada por Jacqueline Pitanguy e Ruth Mesquita, abordando algumas das palestras que foram proferidas durante o curso, do mesmo título, realizado em parceria pela Cepia e a Faculdade de Enfermagem da UERJ - Departamento de Enfermagem Materno Infantil da FEURJ. A publicação destaca que "seu objetivo é oferecer aos estudantes e aos profissionais de enfermagem um debate sobre temáticas que transcendem os horizontes das ciências biomédicas, introduzindo questões ligadas à cidadania, gênero, sexualidade, violência, dentre outras, com ênfase particular nos direitos humanos das mulheres. Essas são questões que estão muitas vezes ausentes dos currículos, mas que interpenetram à prática e a forma de apreensão do conhecimento". Mais informações: e-mail: cepia@alternex.com.br , fones (21) 2558-6115 ou (21) 2205-2136.

 
Educação Rural - Sustentabilidade do Campo
O livro contém uma sistematização das experiências de Educação Rural desenvolvidas pelo SERTA (Serviço de Tecnologia Alternativa), em Pernambuco, e pelo MOC (Movimento de Organização Comunitária), com alguns parceiros, na Bahia. Foi organizado por Francisca Maria Carneiro Baptista e Naidison de Quintella Baptista. "Este livro vai a público, como é nosso estilo de ser, como fruto de uma convicção de que devemos dar tudo pela implementação de uma escola adequada para o campo", enfatizam Abdalaziz de Moura Xavier de Moraes (presidente do SERTA) e Naidison de Quintella Baptista (secretário executivo do MOC). O financiamento é do Unicef e do Banco Mundial. Solicitação de exemplares pelo e-mail moc.ba@uol.com.br , fone: (75) 221-1393.
 
Ações das Mulheres contra o Jogo da OMC

A publicação, da SOF (Sempreviva Organização Feminista), com o apoio da Fundação Heinrich Böll, sistematiza aspectos imprescindíveis da "campanha de educação popular e mobilização contra a tirania do livre comércio, que integra o trabalho de duas articulações: a Marcha Mundial de Mulheres e a Rede Economia e Feminismo". A inserção das mulheres nas discussões deste tema é de suma importância. Como ressalta a SOF, na apresentação da publicação, "os debates sobre a OMC (Organização Mundial do Comércio) e os chamados acordos de livre comércio, como a ALCA, são assuntos para refletirmos o que queremos para nossas vidas e para nosso planeta, e construirmos alternativas".

Para solicitação de exemplares, contate a SOF pelo e-mail sof@sof.org.br ou pelo fone (11) 3819-3876.

 

Gênero e Educação caderno de apoio para a educadora e o educador

Lançado pela Coordenadoria Especial da Mulher e pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, o livro visa a colaborar para que o sistema educacional construa "uma educação realmente democrática, em que as diferenças entre meninas e meninos não sejam suporte para desigualdade, nem contribruam para limitar os potenciais, aspirações e projetos de nossos alunos e alunas, e tornem nossas escolas espaços da vivência cotidiana da igualdade". Trata das discussões acumuladas pelo movimento de mulheres, "que insistiu na construção das mulheres como sujeito social, como sujeito político". É um excelente instrumento de apoio para quem educa e se preocupa com a construção da cidadania transformadora.

Quem tiver interesse na publicação pode enviar e-mail para coordenadoriadamulher @prefeitura.sp.gov.br ou ligar para (11)3315-9077-ramal 2290.

 

Nem mais, nem menos: IGUAIS

Trata-se de uma cartilha atraente, com ilustrações, explicações objetivas e com espaço para exercícios, também lançada pela Coordenadoria Especial da Mulher e pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, que aborda aspectos sexistas da educação. Segundo Tatau Godinho, coordenadora da Coordenadoria Especial da Mulher, "entender os modos como a gente, no dia-a-dia, trata a mulher de maneira desigual e preconceituosa e tentar mudar isso é uma maneira de colaborar para que a sociedade seja mais justa, igualitária e feliz para mulheres e homens". O caderno integra os materiais do Projeto Roda Viva (com foco na redução da violência), mas pode ser utilizado separadamente.

Mais informações podem ser obtidas enviando e-mail para coordenadoriadamulher @prefeitura.sp.gov.br ou ligando para (11)3315-9077-ramal 2290.

 

Governo e Sociedade Civil: um debate sobre espaços públicos democráticos

Esta publicação da Abong traz "as reflexões do seminário Democratizar a Democracia, ocorrido durante o FSM 2003, cujo objetivo foi discutir os espaços públicos democráticos entre governo e sociedade civil". Outros lançamentos recentes são: Manual de administração jurídica, contábil e financeira para organizações não-governamentais - "resultado da parceria entre Abong, Afinco e IIEB/Padis, este é um guia prático que visa a colaborar para o desenvolvimento institucional das ONGs brasileiras" -, e Outro diálogo é possível na cooperação Norte-Sul - resultado de seminário do FSM 2003, mostra que "os impactos negativos da globalização e o conseqüente surgimento de um movimento social mundial contra as políticas neoliberais estabelecem enormes desafios à cooperação internacional para o desenvolvimento". Contatos para aquisição destas e de outras publicações, pelo e-mail: abong@uol.com.br ou pelo telefone: (11) 3237-2122.

 

TESE

MULHERES NA COORDENAÇÃO DE ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO (1990-2000): construção de sujeitos coletivos e propostas socioeducativas

Autora: Denise Gomide Carvalho (*)
Mestrado - 2002 - Educação
UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas)

No terreno movediço da atualidade, marcado pela reestruturação capitalista, pelo impacto das políticas globalizantes de cunho neoliberal, pelo choque das novas tecnologias, pela crise das utopias, por entre as forças do Estado e do mercado, passam a ter visibilidade as organizações sem fins lucrativos da sociedade civil, multifacetadas, dinâmicas, voláteis, por vezes paradoxais, e que um neologismo já de uso corrente denomina terceiro setor.

Mas mesmo nesse campo, o recorte de gênero só é pontuado, comumente, pelo trabalho e participação de mulheres em organizações não-governamentais (ONGs). E são elas, apoiando mulheres de outras organizações sem fins lucrativos, de outras áreas de atuação, as responsáveis pela grande parte das articulações e práticas sociais e políticas que se desenrolam no cerne deste heterogêneo setor.

Assim, a pesquisa realizada teve por objetivo estudar a atuação de mulheres coordenadoras e lideranças de organizações atuantes em duas ONGs: a Rede Mulher de Educação (RME) e a Sempreviva Organização Feminista (SOF). Pesquisou-se, também, a formação de uma associação de apoio a inserção de mulheres na política governamental, processo que, contudo, foi descrito somente de forma sintética, pois era necessária outra metodologia para a análise dos dados e dos sujeitos em questão.

Em todos os momentos do estudo, foram consideradas não só as questões sociais de gênero, mas também de classe e raça/etnia, que conformam, conforme Heleieth Saffioti, um nó, as contradições sociais, expressas pelo patriarcado, pelo capitalismo e pelo racismo. Com base nas experiências de vida que propiciaram a inserção dessas coordenadoras de ONGs em seus cargos, bem como na reflexão sobre as relações, intrínsecas e extrínsecas, estabelecidas interna e externamente pelas organizações em pauta, buscou-se verificar os processos envolvidos na construção de sujeitos coletivos voltados para a concretização da igualdade e da eqüidade nas relações de gênero. Da mesma forma, observou-se as bases de suas propostas socioeducativas, suas diretrizes gerais e a cultura política, apropriada e produzida. Neste contexto, essas organizações e suas coordenadoras têm na educação não-formal sua práxis profissional e essas práticas socioeducativas, construídas e realizadas pela RME e pela SOF, em suas diferentes formas, seguem seus projetos políticos transformadores.

A construção dos sujeitos coletivos em pauta se dá, grosso modo, por meio do trabalho de suas dirigentes, cujo significado, acredita-se, vai muito além do ato de trabalhar já significado nas instâncias de produção capitalista. Isso porque as suas práticas englobam principalmente, por um lado, o envolvimento com causas de natureza social – para as quais têm toda uma vocação, ausência de lucros para as ONGs – pela sua própria natureza jurídica –, exígua remuneração, e, ao mesmo tempo, triplas jornadas de trabalho, necessidade de constantes estudos e atualização profissional, adequação das formas de administração e prestação de contas às imposições das agências e organismos financiadores.

Esses fatores, contudo, não eximem outras instâncias do que se concebeu chamar de terceiro setor – que inclui principalmente entidades sociais e fundações empresariais, e não ONGs de fato – da divisão sexual do trabalho ou tampouco de caracterização de trabalho precário, fincado na natureza do mundo sem fins lucrativos. E, tanto para RME quanto para a SOF, a lógica que tem regido o recente processo de construção do terceiro setor – enaltecimento do trabalho voluntário, ênfase nas lógicas administrativo-financeiras para gestão de organizações sem fins lucrativos – não as afeta, provavelmente por já terem boas técnicas de gestão.

Em ambas as ONGs, constatou-se que a luta pela conquista da igualdade e da eqüidade nas relações de gênero tem sido proveitosa para todas as envolvidas: as lideranças, que têm crescido pessoalmente e profissionalmente; as beneficiárias e/ou simpatizantes, que apreendem, obtêm informações, resgatam sua auto-estima, crescem e se valorizam como pessoas e mulheres. E se há um modelo de relação de poder na constituição de sujeitos coletivos femininos, este está em construção e aponta para a mesma face transformadora de um dos movimentos reconhecidos internacionalmente, inclusive por estudiosos marxistas, como o mais revolucionário ou, pelo menos, o mais importante do Século XX: o movimento feminista. Empoderadas em seus cargos e como lideranças, as mulheres sujeitos deste estudo exercem seus micropoderes de forma transformadora.

(*) Denise Gomide é jornalista,
com especialização em Comunicação e Ciências Sociais.
e-mail: dgomide@uol.com.br