| Rede Mulher lança instrumento de apoio às ações de geração de renda e cidadania | ||
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Negócio de Mulher - capacitação em gênero e
liderança para geração de trabalho e renda é a mais recente publicação da
Rede Mulher, organizada por Beatriz Cannabrava, Hilda Fadiga e Miriam
Duailib. Abarcando, em todo seu conteúdo, a perspectiva da cidadania
transformadora, a publicação é resultado da sistematização de vários
cursos e oficinas realizadas pela entidade, há vários anos. “Começar um negócio, transformando habilidades e talentos em renda, é um desafio para nós, mulheres, que crescemos ouvindo que ‘negócio não é coisa de mulher’. Mas, neste mundo conturbado pelas crises, ora políticas, ora econômicas, com indefinições sobre que sentido dar à vida, nos encontramos diante de outro desafio: ocupar um espaço no mercado de trabalho, uma forma solidária e democrática de produzir, distribuindo os benefícios com eqüidade”, destacam as organizadoras, na introdução. Os apoios para elaboração e impressão foram de Desenvolvimento e Paz (Canadá), Novib/Holanda, Fase/Saap e recursos próprios. Este guia prático, destinado a grupos e entidades interessadas em promover cursos e oficinas sobre a temática, custa R$12 (incluindo taxa de correio) e pode ser solicitado pelo e-mail: rdmulher@redemulher.org.br ou pelo telefone (11) 3873-2803.
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| Entidade se fortalece em evento de avaliação e planejamento | ||
O
amplo e profundo processo de avaliação e planejamento da Rede Mulher teve
início em maio, culminando com um Encontro Nacional realizado em São
Paulo, nos dias de julho, envolvendo as 23 sócias-educadoras de diferentes
regiões do país, com o apoio da Novib/Holanda. O processo ficou a cargo de
Marcos J.Pereira Silva e Jacira Melo, que utilizaram uma metodologia
bastante participativa. Foi uma rica oportunidade de reflexão sobre a
trajetória da entidade, bem como para o planejamento de ações futuras que
levem ao avanço da luta por uma sociedade igualitária, considerando-se os
desafios atuais num cenário de restrições financeiras e de necessidade de
clareza do papel crítico e propositivo da sociedade civil perante à
conjuntura nacional com a chegada do governo popular no poder central.Ao completar 23 anos de existência, com a convicção da importância da função pública do trabalho da Rede Mulher, as integrantes reafirmaram para o triênio 2004-2006, o Programa Geral intitulado Gênero, Cidadania e Liderança, com três programas: Formação, Educomunicação e Empoderamento Institucional. Pretende-se continuar a investir fortemente na busca de recursos nacionais, com o cuidado de manter a coerência de princípios da entidade.
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Direitos Humanos e tráfico
de pessoas por Priscila
Siqueira - jornalista do Serviço à Mulher Marginalizada-SMM |
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Denúncias
de várias organizações internacionais apontam o Brasil como um dos maiores
‘fornecedores’ mundiais para a indústria do sexo. O Itamaraty reconhece haver na Espanha cerca de 20 mil mulheres brasileiras, sendo que 10 mil delas só na cidade de Bilbao. A ONU reconhece o desaparecimento de cerca de 4 milhões de pessoas por ano, sendo a grande maioria constituída de jovens mulheres e crianças do sexo feminino. Para termos uma idéia do que representa esse número, é só pensar que se todas as pessoas desaparecidas morassem na Grande São Paulo, esse núcleo urbano sumiria do mapa do Brasil em quatro ou cinco anos. As rotas do tráfico dessas criaturas obedecem sempre ao mesmo esquema: as regiões pobres do planeta são as grandes ‘fornecedoras’ de gente para o consumo dos habitantes das regiões ricas. No caso das crianças traficadas, o Unicef afirma que a maioria é absorvida pela indústria da prostituição, inclusive a eletrônica. Algumas das crianças mais afortunadas são encaminhadas para a adoção e no limite há o tráfico dos órgãos dessas criaturas para os países ricos. "Droga e arma a gente só vende uma vez; mulher a gente vende e revende quantas vezes quiser, até ela morrer de Aids, ficar louca ou se matar...". (testemunho de um europeu, traficante de pessoas) A venda de mulheres e meninas se constitui num negócio extremamente lucrativo que, nesses tempos de globalização neoliberal, obedece às regras de mercado. Acredita-se que o tráfico de seres humanos gera um lucro anual de 12 bilhões de dólares, só perdendo, respectivamente, para o tráfico de armamentos e o das drogas. Porém, há quem acredite que em breve o tráfico de seres humanos será a atividade criminosa mais lucrativa do mundo. No seminário realizado em Washington, em fevereiro deste ano, o próprio Departamento de Estado Norte Americano admitia que, a continuar no ritmo atual, o tráfico de pessoas será o campeão de lucro ilegal daqui a quatro ou cinco anos. No documento redigido em 2001, pela Cúpula das Congregações Femininas da Igreja Católica - União Internacional de Superioras Gerais-USISG, há o testemunho de um proxeneta europeu que dá uma idéia da dimensão do problema. Segundo o traficante, "droga e arma a gente só vende uma vez; mulher a gente vende e revende quantas vezes quiser, até ela morrer de Aids, ficar louca ou se matar...". Tráfico e CPI Apesar de não haver dados oficiais, denúncias de várias organizações internacionais apontam o Brasil como um dos maiores ‘fornecedores’ mundiais para a indústria do sexo. O Itamaraty reconhece haver na Espanha cerca de 20 mil mulheres brasileiras, sendo que 10 mil delas só na cidade de Bilbao. Recentemente, a Polícia Civil do Estado de São Paulo prendeu membros de uma quadrilha coreana que estava levando jovens brasileiras para a Ásia, onde seriam vendidas por US$ 5 mil cada uma. Em junho do ano passado, o Centro de Referência, Estudos e Ações sobre a Criança e o Adolescente - Cecria -, uma ONG ligada à Universidade de Brasília, apresentou pesquisa feita em território nacional, que detectou 241 rotas terrestres, marítimas e aéreas utilizadas pelo crime organizado, para a exploração sexual de mulheres e crianças. Baseada nas denúncias feitas por essa pesquisa, foi aberta uma Comissão Parlamentar de Inquérito - CPI, no Congresso Nacional, liderada pela senadora Patrícia Saboya Gomes, do PPS/Ceará. Conforme a senadora, até o final do ano, a CPI deverá apresentar suas conclusões. Sabemos que o atual Governo Federal assumiu um legado terrível de 52 milhões de brasileiros vivendo com um dólar ou menos por dia. E que 70% desses miseráveis são constituídos por mulheres e seus filhos menores de 14 anos. Essas pessoas nada mais têm para sobreviver que a venda de seus próprios corpos. Por isso o enfren-tamento do tráfico de pessoas passa pelo estabelecimento de políticas públicas que dêem melhores condições de vida a essa população. Urge a toda sociedade brasileira enfrentar a questão do tráfico de pessoas. A venda de uma mulher ou adolescente, a venda de seus serviços sexuais transforma-a numa ‘coisa’ a ser adquirida no mercado do sexo. E, sem dúvida, esse é o maior desrespeito aos Direitos inalienáveis que todo ser humano merece. |
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| Abong tem nova diretoria, com formato colegiado | |||||
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A
Abong (Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais) tem agora
uma direção colegiada, de acordo com resolução da Assembléia Geral
realizada nos dias 3 e 4 de setembro, em São Paulo, reunindo
representantes de entidades filiadas de todo o Brasil.Num clima de emoção, Sérgio Haddad - que foi aplaudido de pé pelas pessoas presentes - , presidente por duas gestões, passou o bastão para Jorge Eduardo S.Durão (Fase), que assume o desafio da direção geral até 2006, com uma nova estrutura institucional, adequada às crescentes demandas da Abong. Taciana M.V.Gouveia (SOS Corpo) assume a Diretoria de Desenvolvimento Institucional; José Antonio Moroni (Inesc), a Diretoria de Relações Institucionais; Sérgio Haddad (Ação Educativa), a Diretoria de Relações Internacionais; na suplência estão Nalu Faria Silva (SOF) e Guacira Oliveira (CFEMEA). A Abong continua com oito regionais, com diretorias reeleitas, renovadas e a definir. O Conselho Fiscal conta agora com três representações titulares e duas suplentes. Nos dias que antecederam à Assembléia - 1, 2 e 3 de setembro - a Abong promoveu o Seminário Internacional "O papel da sociedade civil nas novas pautas políticas", com diversas mesas de debates e conferências, que contou com a presença, dentre outros especialistas, de Boaventura Souza Santos, Francisco de Oliveira, ministro Luiz Dulci, Sueli Carneiro, Leilah Landim e Maria Betania Ávila. O resultado das exposições e dos debates do evento reafirma a posição da nova diretoria da Abong em sua relação com o Governo atual, muito bem resumida pelo novo Diretor Geral, Jorge Eduardo Durão: "Devemos, mais do que nunca, manter a independência e a autonomia, assumindo um papel crítico das políticas governamentais".
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| Seminário discute referências na relação das ONGs com o Estado | |||||
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Marcha das Margaridas pressiona governo federal | ||||
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A Marcha das Margaridas, 2003 razões para
marchar aconteceu no dia 26 de agosto, em Brasília, reunindo mais de
50 mil mulheres, na luta por terra, água, salário mínimo e contra todas as
formas de violência no campo. Foi organizada pela Contag e Comissão
Nacional de Mulheres Trabalhadoras Rurais, cuja coordenadora, Raimunda de
Mascena, declarou à Folha de S.Paulo do dia seguinte, que "nosso objetivo
não é promover o governo ou derrubar o governo; temos uma pauta de
reivindicações". Quatro ministros participaram do ato, que acontece
anualmente desde 2001.
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Consulado da Mulher: ação de responsabilidade social com foco na cidadania ativa |
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Ainda são raras as ações de responsabilidade
social de empresas no Brasil que se voltam para o combate às causas
estruturais das desigualdades, portanto, com uma visibilidade que se
conquista a médio e longo prazos, bem como daquelas que mantêm coerência
entre os princípios que defendem e a prática. A Multibrás Eletrodomésticos (Cônsul e Brastemp) optou, acertadamente, desde o início, por ações com foco na cidadania transformadora e geração de renda, envolvendo pessoal voluntário de suas quatro fábricas e a comunidade de cada uma das localidades. As tratativas para a parceria firmada com a Rede Mulher, que segue critérios éticos para tal, começaram há cerca de dois anos, quando ainda Inês Meneguelli dividia a direção do Consulado da Mulher com Raquel Trajber (hoje, trabalhando no Ministério do Meio Ambiente). O trabalho vem sendo realizado de forma continuada, pela educadora Maria José Lopes Souza, na unidade de Rio Claro, que é coordenada por Alessandra Benati. Há também o envolvimento de outras educadoras da Rede Mulher, como é o caso de Hilda Fadiga, dependendo da demanda. A sensibilização de gênero das pessoas envolvidas é considerada uma etapa que vai alicerçar toda a ação de responsabilidade social. Significa focar temas como a auto-estima, aspectos históricos da desigualdade de gênero e seus estereótipos, liderança e sinergia, conflitos, etc. Há plena consciência de que é um trabalho com resultados a médio prazo, mas fundamental para se galgar outros passos, mantendo, assim, a coerência com a missão do Consulado da Mulher: "Promover a cidadania e a dignidade da mulher por meio da educação continuada, da participação na comunidade, da melhoria da qualidade de vida e da mudança nas relações de gênero". Além das atividades presenciais, em espaços físicos próprios, o Consulado da Mulher mantém um site atualizado, com informações organizadas de acordo com os interesses femininos - direito, cultura, educação, saúde, casa: www.consuladodamulher.com.br .
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Vozes essenciais na política: a participação das mulheres | ||||
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| Publicações | |||||
| Como falar do aborto provocado manual para uma comunicação bem sucedida | |||||
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O manual é rico em argumentos, através de uma metodologia de perguntas e respostas, na defesa do direito das mulheres no campo da vida sexual e reprodutiva. Ao lançá-lo, no Brasil, a ONG Católicas pelo Direito de Decidir, por ocasião do aniversário de 10 anos de existência, reafirma a mensagem de "desculpabilizar as mulheres que decidem abortar, como último recurso ante uma gravidez indesejada, com base em argumentos teológicos consistentes". O manual, escrito por Frances Kissling, é fruto da experiência norte americana de Catholics For a Free Choice, com tradução de Lia Zalszupin e revisão de Angela Freitas e Jacira Melo. As pessoas interessadas neste importante manual podem enviar e-mail para cddbr@uol.com.br ou telefonar para (11) 3107-9038. |
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| Dossiê: Reprodução Humana Assistida | |||||
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Quem tiver interesse pode enviar e-mail para redesaude@uol.com.br ou telefonar para (31) 3213-9097/6940. |
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| Gênero, Corpo e Enfermagem | |||||
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| Educação Rural - Sustentabilidade do Campo | |||||
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O
livro contém uma sistematização das experiências de Educação Rural
desenvolvidas pelo SERTA (Serviço de Tecnologia Alternativa), em
Pernambuco, e pelo MOC (Movimento de Organização Comunitária), com alguns
parceiros, na Bahia. Foi organizado por Francisca Maria Carneiro Baptista
e Naidison de Quintella Baptista. "Este livro vai a público, como é nosso
estilo de ser, como fruto de uma convicção de que devemos dar tudo pela
implementação de uma escola adequada para o campo", enfatizam Abdalaziz de
Moura Xavier de Moraes (presidente do SERTA) e Naidison de Quintella
Baptista (secretário executivo do MOC). O financiamento é do Unicef e do
Banco Mundial. Solicitação de exemplares pelo e-mail moc.ba@uol.com.br ,
fone: (75) 221-1393. |
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| Ações das Mulheres contra o Jogo da OMC | |||||
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Para solicitação de exemplares, contate a SOF pelo e-mail sof@sof.org.br ou pelo fone (11) 3819-3876. |
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Gênero e Educação caderno de apoio para a educadora e o educador |
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Quem tiver interesse na publicação pode enviar e-mail para coordenadoriadamulher @prefeitura.sp.gov.br ou ligar para (11)3315-9077-ramal 2290. |
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Mais informações podem ser obtidas enviando e-mail para coordenadoriadamulher @prefeitura.sp.gov.br ou ligando para (11)3315-9077-ramal 2290. |
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Governo e Sociedade Civil: um debate sobre espaços públicos democráticos |
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Autora: Denise
Gomide Carvalho (*) |
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No terreno movediço da atualidade, marcado pela
reestruturação capitalista, pelo impacto das políticas globalizantes de
cunho neoliberal, pelo choque das novas tecnologias, pela crise das
utopias, por entre as forças do Estado e do mercado, passam a ter
visibilidade as organizações sem fins lucrativos da sociedade civil,
multifacetadas, dinâmicas, voláteis, por vezes paradoxais, e que um
neologismo já de uso corrente denomina terceiro setor. Mas mesmo nesse campo, o recorte de
gênero só é pontuado, comumente, pelo trabalho e participação de mulheres
em organizações não-governamentais (ONGs). E são elas, apoiando mulheres
de outras organizações sem fins lucrativos, de outras áreas de atuação, as
responsáveis pela grande parte das articulações e práticas sociais e
políticas que se desenrolam no cerne deste heterogêneo setor. Assim, a pesquisa realizada teve por
objetivo estudar a atuação de mulheres coordenadoras e lideranças de
organizações atuantes em duas ONGs: a Rede Mulher de Educação (RME) e a
Sempreviva Organização Feminista (SOF). Pesquisou-se, também, a formação
de uma associação de apoio a inserção de mulheres na política
governamental, processo que, contudo, foi descrito somente de forma
sintética, pois era necessária outra metodologia para a análise dos dados
e dos sujeitos em questão. Em todos os momentos do estudo, foram
consideradas não só as questões sociais de gênero, mas também de
classe e raça/etnia, que conformam, conforme Heleieth Saffioti,
um nó, as contradições sociais, expressas pelo patriarcado, pelo
capitalismo e pelo racismo. Com base nas experiências de vida que
propiciaram a inserção dessas coordenadoras de ONGs em seus cargos, bem
como na reflexão sobre as relações, intrínsecas e extrínsecas,
estabelecidas interna e externamente pelas organizações em pauta,
buscou-se verificar os processos envolvidos na construção de sujeitos
coletivos voltados para a concretização da igualdade e da eqüidade nas
relações de gênero. Da mesma forma, observou-se as bases de suas propostas
socioeducativas, suas diretrizes gerais e a cultura política, apropriada e
produzida. Neste contexto, essas organizações e suas coordenadoras têm na
educação não-formal sua práxis profissional e essas práticas
socioeducativas, construídas e realizadas pela RME e pela SOF, em suas
diferentes formas, seguem seus projetos políticos transformadores.
A construção dos sujeitos coletivos
em pauta se dá, grosso modo, por meio do trabalho de suas
dirigentes, cujo significado, acredita-se, vai muito além do ato de
trabalhar já significado nas instâncias de produção capitalista. Isso
porque as suas práticas englobam principalmente, por um lado, o
envolvimento com causas de natureza social – para as quais têm toda uma
vocação, ausência de lucros para as ONGs – pela sua própria natureza
jurídica –, exígua remuneração, e, ao mesmo tempo, triplas jornadas de
trabalho, necessidade de constantes estudos e atualização profissional,
adequação das formas de administração e prestação de contas às imposições
das agências e organismos financiadores. Esses fatores, contudo, não eximem
outras instâncias do que se concebeu chamar de terceiro setor – que
inclui principalmente entidades sociais e fundações empresariais, e não
ONGs de fato – da divisão sexual do trabalho ou tampouco de
caracterização de trabalho precário, fincado na natureza do mundo sem
fins lucrativos. E, tanto para RME quanto para a SOF, a lógica que tem
regido o recente processo de construção do terceiro setor – enaltecimento
do trabalho voluntário, ênfase nas lógicas administrativo-financeiras para
gestão de organizações sem fins lucrativos – não as afeta, provavelmente
por já terem boas técnicas de gestão. Em ambas as ONGs, constatou-se que a
luta pela conquista da igualdade e da eqüidade nas relações de gênero tem
sido proveitosa para todas as envolvidas: as lideranças, que têm crescido
pessoalmente e profissionalmente; as beneficiárias e/ou simpatizantes, que
apreendem, obtêm informações, resgatam sua auto-estima, crescem e se
valorizam como pessoas e mulheres. E se há um modelo de relação de poder
na constituição de sujeitos coletivos femininos, este está em construção e
aponta para a mesma face transformadora de um dos movimentos reconhecidos
internacionalmente, inclusive por estudiosos marxistas, como o mais
revolucionário ou, pelo menos, o mais importante do Século XX: o movimento
feminista. Empoderadas em seus cargos e como lideranças, as mulheres
sujeitos deste estudo exercem seus micropoderes de forma transformadora. (*) Denise Gomide é jornalista, |
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