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1000 Mulheres para o Prêmio Nobel da Paz 2005
Indicações brasileiras superam expectativas
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No Brasil, um país com dimensões continentais e enorme diversidade, o
Projeto encerrou as inscrições com a indicação de 230 mulheres,
abarcando todos os Estados e variadas categorias de atuação. Segundo
Clara Charf, coordenadora brasileira, “será uma tarefa difícil para o
Comitê de Seleção definir os 31 nomes que representarão o Brasil, já
que é enorme o número de indicadas com um histórico de atuação
maravilhoso”. A divulgação dos nomes das 31 brasileiras será feita no
final do ano. O Projeto nasceu na Europa, encabeçada pela Fundação
Suiça pela Paz e a Associação 1000 Mulheres, criada para esse fim. A
iniciativa de uma candidatura coletiva de mulheres ao mais relevante
dos prêmios é endossada por 225 países. Tem como principal objetivo
dar visibilidade ao papel da mulher na promoção da paz e da segurança
humana, desafiando preconceitos, discriminações, ideologias e
fundamentalismos - desde a criação do Prêmio Nobel, em 1901, apenas 11
mulheres ganharam o Nobel da Paz. Caso vença a candidatura coletiva,
três representantes serão sorteadas para representar as 1000 mulheres
na entrega do prêmio. O dinheiro será direcionado para um fundo em
prol de mulheres que lutam pela paz. |
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Algumas das integrantes do Comitê-Executivo e
do Comitê de Apoio do Brasil |
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Marta
Suplicy, prefeita de São Paulo, ao apoiar a iniciativa, enalteceu sua
importância no sentido de valorizar e visibilizar o trabalho das
mulheres. |
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Nanne Annan se
reúne com lideranças brasileiras |
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Nanne Annan, em missão oficial a São
Paulo, fez questão de conhecer melhor a situação da mulher brasileira,
reunindo-se, em 14/6, com representantes governamentais - ministra Nilcéa
Freire (Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres); ministra Matilde
Ribeiro (Secretaria da Igualdade Racial), e Tatau Godinho (Coordenadoria da
Mulher de S.Paulo); representantes de ONGs, como Sueli Carneiro e Nilza
Iraci (Geledés), Sílvia Pimentel (Cladem) e Vera Vieira (Rede Mulher de
Educação). O encontro foi organizado pelo Unifem, que esteve representado
por Mónica Muñoz e Junia Puglia.
Os arredores da sede do Geledés, no centro de São Paulo, onde se deu o
encontro, foram cercados por um forte esquema policial, para a chegada da
sueca Nane Annan. O panorama externo contrastava com a figura discreta,
informal e simpática da mulher de Kofi Annan, Secretário-Geral da ONU. Com o
propósito de ouvir o que as lideranças governamentais e não-governamentais
tinham a dizer sobre os avanços e desafios relacionados à condição da mulher
brasileira, Nane Annan enfatizou que “é um privilégio viajar com o marido e
conhecer os esforços da base, com representantes que são fundamentais para
sinalizar caminhos para outras mulheres do mundo”. Apesar do reconhecimento
da limitação das políticas governamentais, as participantes ressaltaram o
avanço com o processo envolvendo fortemente a sociedade civil organizada,
para a Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres em 2004 e para a
Conferência Nacional pela Igualdade Racial em 2005. |
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A Mulher e a Mídia A Mulher e o Fato - A Mulher é o Fato Re-Formando a
Opinião |
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Um diálogo maduro e consistente entre mulheres líderes que atuam na
chamada grande mídia e aquelas do movimento feminista/de mulheres:
assim pode ser resumido o evento organizado pela Secretaria Especial
de Políticas para as Mulheres, realizado no Rio, nos dias 26 e 27 de
junho. Pairava no ar a mensagem, de ambos os lados, que embutia o
desejo de aprender umas com as outras, com o objetivo único de avançar
pela eqüidade de gênero e raça. Na mesa de abertura, Beth Costa, da
Federação Nacional de Jornalistas, contou que, nas redações, “não há
sequer a consciência das desigualdades de gênero, pois em uma pesquisa
recente a maioria negou o problema, que só foi revelado quando se
entrou nos detalhes”. A senadora Serys Slhessarenko (MT), coordenadora
da Bancada Feminina, disse que “a Câmara [com 8% de mulheres] e o
Senado [com 10%] vêm atuando em conjunto sobre as questões das
discriminações contra a mulher”. Laura Greenhalgh (O Estado de
S.Paulo) mostrou o paradoxo entre, de um lado, a grande atuação da
mulher na produção e consumo de mídia, e, de outro, o fato de ela
estar na base. “A Mulher precisa subir para operar o centro das
decisões, e não só ficar no lugar em que faz a máquina operar”, frisou
Laura, mostrando tratar-se de uma realidade que não é exclusiva da
mídia. Em sua opinião, o avanço pode se dar pela facilidade que as
mulheres têm de trabalhar em rede, portanto, conectadas. Mariza
Tavares, do Sistema Globo de Rádio, declarou que, durante sua
carreira, sentiu-se tentada a adotar o padrão masculino de poder:
“depois, vi que a capacidade de ‘costurar’ das mulheres é muito
melhor”. Mariza reproduziu um trecho gravado do programa da CBN, em
que Myriam Leitão tentava esclarecer com o comentarista Carlos
Sardenberg, o que ele queria dizer com “dar um corte de macho nos
juros”. “Quer dizer que o corte fêmeo não é pra valer?”, retrucava
Myriam. Na época, a repercussão foi tão grande que o comentarista
recebeu mais de 200 e-mails. “Certamente, o Sardenberg, meu grande
amigo, nunca mais vai fazer uma análise usando o sexismo”, disse
Myriam, que fez uma exposição brilhante com dados estatísticos das
desigualdades de gênero e raça, as quais chamou de ‘desigualdades
duráveis’, concluindo que “a mulher que trabalha na mídia deve incluir
essa preocupação, pois dizer que o problema está superado é contribuir
para manter as desigualdades”. “Há resistências de ordem editorial no
que diz respeito a gênero e outros preconceitos”, afirmou Fátima
Jordão (Instituto Patrícia Galvão). Por outro lado, Fátima Bernardes
(TV Globo) disse que, no Jornal Nacional, “cresce a preocupação de
prestação de serviços, quer dizer, de que forma a notícia vai ajudar a
vida de quem assiste”. Daniela Chiaretti, da Revista Marie Claire,
assumiu que “as revistas femininas têm dificuldades em quebrar
preconceitos e tabus”. Uma notícia que sinaliza positivamente é que
“as revistas femininas estão falindo, pois as mulheres estão indo
buscar informações em outros lugares”. A constatação é de Laura
Capriglione, atualmente na Folha de S.Paulo, mas que já dirigiu
revistas femininas por um bom tempo. “A transformação não vai se dar a
partir dos grandes conglomerados; temos que aproveitar que o mundo da
comunicação não está mais restrito a eles, utilizando as brechas
proporcionadas pelas novas tecnologias da informação e comunicação”,
sugere Laura. Jacira Melo, do Instituto Patrícia Galvão, lembrou que
“precisamos exercer uma pressão maior sobre a mídia, já que, como
público consumidor, somos uma preocupação estratégica dos meios de
comunicação” (as mulheres representam 53% da audiência de TV e rádio;
55%, de leitores de revistas e 49% de jornais). Os resultados do
evento servirão de base para um plano de ação a ser elaborado pela
Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. |

A ministra Nilcéa Freire, da Secretaria
Especial de Políticas para as Mulheres, abriu o evento ressaltando
tratar-se de "um diálogo que deve ser permanente". Na mesa, Beth Costa
(Federação Nacional de Jornalistas), Marcos de Flora (Secretaria de
Comunicação Federal), senadora Serys Slhessarenko (PT/MT) e Maurício
Azêdo (Associação Brasileira de Imprensa). |
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O painel "A Mulher e o Fato" discutiu a mulher
como produtora de notícia - a percepção e o reconhecimento de seu
papel como definidora de conteúdo de informação.
Contou com Myriam Leitão (O Globo), Mônica Waldvogel (GNT/SBT), Mariza
Tavares (Sistema Globo de Rádio) e Laura Greenhalgh (O Estado de
S.Paulo). |
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O painel "A Mulher é o Fato" abordou a representação que a mídia
e a publicidade imprimem à imagem da mulher - a urgência em romper
preconceitos e estereótipos. Participaram Fátima Jordão (Instituto
Patrícia Galvão), Angélica Basthi (Sind.Jornalistas do Munic. do Rio),
Fátima Bernardes (TV Globo) e Daniela Chiaretti (Revista Marie Claire). |
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O painel "Re-Formando a Opinião" enfocou a
qualidade da informação e a construção de uma abordagem com
pluralidade de gênero - a mídia e a sociedade civil,com Laura
Capriglione (Folha de S.Paulo), Nilza Iraci (Geledés), Márcia Flausino
(Universidade de Brasília) e Rosane Borges (Geledés). |
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O painel "Agenda Mulher" discorreu sobre a
qualidade da informação e a construção de uma abordagem com
pluralidade de gênero - a mídia e a sociedade civil. Contou com
Daniela Falcão (RevistaTPM), Joseti Marques (ABI), Jacira Melo
(Instituto Patrícia Galvão) e Alzira Rufino (Revista Eparrêi). |
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Próxima parada: Beijing+10 |
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“...Somos
as feministas. Somos trabalhadoras rurais e acadêmicas, somos as negras e as
lésbicas, somos indígenas e mestiças, as jovens e as velhas... Somos as
feministas. Somos as que têm fé na vida, nos corações e na inteligência das
pessoas. Somos as organizações e as redes que, a partir da autonomia de
qualquer partido político, qualquer governo, de qualquer igreja, qualquer
financiamento, construímos movimentos que nos têm feito melhores homens e
mulheres. Somos as que junto a outras companheiras, a partir das oficinas,
marchas, manifestações, seminários, revistas e pinturas nos muros, levamos
às ruas, às conversas e às camas, o discurso e a prática de uma vida
diferente, mais livre, mais igualitária, mais querida...” (Trecho da
Declaração das Organizações da Sociedade Civil na 9a Conferência Regional
sobre a Mulher da América Latina e Caribe, cuja íntegra pode ser encontrada
no site www.eclac.cl ) |
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Trinta anos depois de realizada a primeira Conferência Mundial sobre a
Mulher, no México, e no contexto de Beijing+10, velhos temas com novas
roupagens voltaram a ser discutidos. Outra vez no México, dessa vez na
9a.Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e Caribe, realizada
de 10 a 12 de junho de 2004. A Conferência reuniu mais de 400 pessoas de 46
países, entre representantes de governos e membros associados da CEPAL e
sociedade civil, com o objetivo de examinar a aplicação dos compromissos
internacionais assumidos no Programa de Ação Regional para as Mulheres da
América Latina e Caribe. A Conferência teve como marco referencial os
compromissos internacionais relacionados com os avanços da mulher adotados
pelas conferências mundiais dos anos 90 e o Programa de Ação Regional para
as Mulheres, adotado pela 6a Conferência Regional sobre a Mulher (Mar Del
Plata, 1994) e ratificado em 2000 pelo Consenso de Lima. Durante os dias que
antecederam à Conferência da CEPAL, as organizações da sociedade civil -
formadas por Redes, Articulações e Campanhas regionais e sub-regionais -
realizaram o Fórum Latino-americano e Caribenho de Mulheres “Novos Tempos e
Novos Desafios a uma Década de Beijing+10”. O Fórum constituiu-se em um
espaço para debater e refletir sobre os avanços, obstáculos e desafios que
devemos enfrentar como movimento de mulheres e feministas que compartilhamos
um objetivo comum: a defesa de todos os nossos direitos, em um contexto
global e regional político adverso para o cumprimento dos acordos
internacionais alcançados. Os temas abordados nos painéis foram:
‘Globalização, pobreza eqüidade e igualdade de gênero’; ‘Democracia,
governabilidade e institucionalização’ e ‘Os desafios da diversidade na luta
contra a exclusão’. Houve, ainda, debate sobre o papel da ONU no contexto
atual e seu impacto na agenda das mulheres. Os processos da 9a Conferência
da CEPAL foram marcados por uma série de conflitos envolvendo grupos
mexicanos de extrema-direita, ligados à Igreja Católica, e a delegação dos
Estados Unidos, que liderou uma verdadeira cruzada contra os direitos
sexuais, inclusive através de chantagem aos governos da América Central,
ameaçando negar-lhes recursos de uma bolsa de US$2.5 bilhões para programas
que permitam a esses países alcançar as Metas do Milênio, entre elas,
reduzir para a metade da pobreza de suas populações para 2015. Essa
estratégia foi considerada como uma tentativa de violentar a soberania das
nações latino-americanas. O Brasil teve uma destacada participação na
Conferência, assumindo um papel de liderança entre os países da América
Latina e Caribe, em defesa das posições historicamente defendidas pelos
movimentos de mulheres e feminista, e estabelecendo um permanente diálogo
com as representantes da sociedade civil, inclusive com a inclusão de várias
mulheres de ONGs na delegação oficial. O documento final aprovado na
Conferência, incorporou as propostas apresentadas pela sociedade civil, onde
se ressaltam a reafirmação dos direitos sexuais e reprodutivos, a
transversalização da dimensão racial/étnica e uma maior ênfase à questão da
pobreza. O Consenso do México2, como ficou denominado o documento - também
disponível no site www.eclac.cl -, foi assinado por todas/os as/os
participantes, com reservas dos EUA, Nicarágua e El Salvador, nas questões
relacionadas a direitos sexuais e reprodutivos. Houve também um destaque dos
EUA sobre a reafirmação dos compromissos assumidos na Conferência de Durban,
sob o argumento de que não foi signatário da Declaração e do Programa de
Ação Contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Formas de
Intolerância Correlatas. Ficou evidente no México que o processo de
preparação para Beijing+10, até março de 2005, será marcado por grandes
desafios, como a necessidade de enfrentar uma conjuntura mundial marcada
pelas guerras, ajustes estruturais, globalização, que determinam hoje a nova
ordem mundial, com grande impacto para a vida das mulheres. As Conferências
dos anos 90 se destacaram pelo surgimento e visibilidade de novos atores que
trouxeram à tona a diversidade e desigualdade entre mulheres e o respeito às
diferenças. Se é fato que houve avanços, também é verdade que eles não têm
sido suficientes para alterar substancialmente a situação de desigualdade e
opressão a que são submetidas milhões de mulheres em todo o mundo. Em reação
à dimensão alcançada por esses avanços, assistimos ao recrudescimento das
minorias conservadoras, marcadas pelos fanatismos, fundamentalismos e
racismos. É o momento, portanto, de fortalecer as alianças rumo a Beijing+10,
pelo “direito de exigir a igualdade quando a desigualdade nos inferioriza e
pelo direito de reivindicar as diferenças, quando a igualdade nos
descaracteriza, nos oculta e nos desconhece”. |
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São Paulo vai sediar o 10o. Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe |
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A Comissão
Organizadora vem se reunindo regularmente desde o início do ano
(3a.foto). No dia 22/6, houve um encontro entre essas integrantes e as
do Comitê Consultivo Nacional São Paulo, ocasião em que se discutiu as
expectativas, os temas e as questões a serem contempladas (1a./2a.
fotos). |
A partir de vários ângulos de avaliação, as feministas brasileiras que
estiveram no 9º Encontro, realizado na Costa Rica, em 2002, indicaram
São Paulo como local para sediar o 10º Encontro Feminista
Latino-Americano e do Caribe. O 10º Encontro acontecerá em São Paulo,
em outubro de 2005. Vinte anos depois do 3º Encontro, promovido em
1985, em Bertioga, litoral de São Paulo. A Comissão Organizadora está
buscando o local mais adequado para receber de 1.500 a 2.000
participantes. Já há uma certeza: será realizado no litoral do Estado.
São Paulo, como maior cidade brasileira, concentra em seu aeroporto
internacional 90% dos vôos vindos da América Latina e do Caribe. A
chegada em São Paulo facilitará o deslocamento das participantes,
reduzindo os custos com transporte. A Comissão Organizadora é composta
por 17 feministas com perfil diverso. São mulheres que atuam em
diferentes campos feministas: movimento de mulheres negras, movimento
lésbico, movimento de jovens, movimento de saúde e direitos sexuais e
reprodutivos, movimento de educação popular, movimento pelos direitos
humanos, entre outros. São mulheres que contam com trajetórias
feministas múltiplas, têm larga experiência de militância nos
movimentos feministas e capacidade de articulação política nos níveis
nacional e internacional. A Comissão Organizadora acredita que o 10º
Encontro precisa ser concebido como um processo coletivo e que deve
contar com a contribuição de feministas brasileiras e do Cone Sul para
a formulação da linha política e de uma proposta de conteúdo,
metodologia e dinâmica para o Encontro. O Comitê Consultivo do 10º
Encontro reúne feministas das cinco regiões do Brasil e de países do
Cone Sul - Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile, que têm dado
importantes contribuições para a construção e o fortalecimento dos
movimentos feministas. Está agendada para o dia 14 de julho, em
Brasília, a primeira reunião da Comissão Organizadora com os Comitês
Consultivos Nacional e do Cone Sul. Estará em pauta a discussão sobre
conteúdo, formato e metodologia do 10º Encontro. Esta reunião de julho
acontecerá um dia antes da Conferência Nacional de Políticas para as
Mulheres. A idéia é aproveitar esse momento de mobilização feminista
em Brasília, do qual participará uma boa parte das integrantes do
Comitê Consultivo Nacional do 10º Encontro, para garantir a presença
do maior número possível de integrantes. O 10º Encontro deve ter como
marca a revitalização da articulação feminista na região, dando
destaque para debates cruciais em torno do eixo Feminismo e
Radicalização da Democracia na América Latina e Caribe. |
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Oriashé forma
primeira turma de Promotoras Legais |
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Foi
em clima de emoção e alegria que aconteceu a cerimônia de formatura da
primeira turma de Promotoras Legais da Cidade Tiradentes (Zona Leste de São
Paulo), em 13/3. A capacitação foi realizada pelo grupo Oriashé, contando
com o apoio do Fundo NOVIB de Pequenos Projetos, (admistrado pela FASE/SAAP).
Na ocasião, Kika de Bessen agradeceu ao apoio recebido pela Rede Mulher de
Educação, através de Denise Gomide e Vera Vieira, na elaboração e
apresentação do projeto. Na cerimônia de formatura, Maria José L. Souza
representou a RME. |
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Pelos caminhos do
empoderamento das mulheres |
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Maria França (ASCRON-CE,
projeto vencedor do Brasil) expõe a belíssima produção em crochê. |

A antiga diretoria
da REPEM (acima) passa o bastão para a nova (abaixo) |
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As educadoras da RME aproveitaram para participar do evento
Protagonismo, Educação e Gênero, na Unisinos, a convite de Clair
Ribeiro, com a participação de diversas lideranças comunitárias locais
e muitas atividades.
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Este foi o tema central do Seminário Internacional da REPEM (Rede de
Educação Popular entre Mulheres da América Latina e do Caribe), que
aconteceu na cidade de Porto Alegre, no período de 27/3 a 2/4,
reunindo grandes feministas, convidadas e todas as vencedoras do IV
Concurso de Empreendimentos Produtivos. Foi uma ocasião ímpar para
aprofundar o debate sobre os desafios do empoderamento frente à
conjuntura econômica, política e social. O apoio local ficou a cargo
da Themis e da ACMUN (Associação Cultural de Mulheres Negras). Os
painéis e debates abordaram a educação para o empoderamento; o
conceito de interlinkage (vinculação) como eixo estratégico na
formação de novas lideranças; o movimento de mulheres: um ator
político; 10 anos do Grupo de Trabalho Latino-Americano: educação,
gênero e economia; comemoração dos 20 anos de Dawn; educação para a
inclusão; o aborto e as perspectivas jurídicas. Na ocasião, também foi
feita a apresentação das ganhadoras do IV Concurso Latino-Americano de
Empreendimentos Produtivos Liderados por Mulheres, com entrega de
prêmios e do livro “Así se Hace IV”, contendo a sistematização das
experiências. No Brasil, o Concurso foi coordenado pela Rede Mulher de
Educação. O 1o.lugar ficou com a ASCRON (Associação das Crocheteiras
Novarussenses, de Nova
Russas/Ceará), representada no evento por Maria França.
Pela Rede Mulher, participaram Beatriz Cannabrava - que integrava a
diretoria anterior da Repem-, Moema Viezzer - que proferiu palestra
sobre a Campanha para uma Educação Não Sexista -, Vera Vieira - que
integrou o Comitê Eleitoral -, Clair Ribeiro Ziebell - que falou sobre
Mulheres Gerando Ativos em Nível Local (e a estagiária Célia Maria
Teixeira Severo, que coordenou a visita à Grife Morro da Cruz). A
Assembléia Geral ocorreu no dia 2 de abril, elegendo a nova
coordenadora-executiva e as integrantes do Comitê de Direção, numa
demonstração exemplar de democracia e cidadania, com ampla
representação de ONGs filiadas à Repem, de toda a América Latina e
Caribe: - Coordenadora-Executiva: Ximena Machicao (Bolívia - Cidem) -
Comitê de Direção: Fanny Gómez (Colômbia - Repem); Blanca Fernández
(Peru - Flora Tristan); Eliane Cavalleiro (Brasil - Geledés); Malu
Valenzuela (México - GEM.); Carmen Zabalaga (Bolívia - IFFI).
Suplentes: Imelda Arana (Colômbia - Repem) e Celia Eccher (Uruguai -
Repem). |
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Mães empoderadas |
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Para
celebrar o Dia das Mães, a FURP (Fundação para o Remédio Popular) promoveu
um ciclo de palestras para as 300 mulheres que possuem filhos/as, em 7 de
maio. A cargo de Hilda Fadiga, educadora da Rede Mulher de Educação, os
eventos foram um rica oportunidade para discorrer sobre o conceito de
gênero, o papel de mãe e a tripla jornada de trabalho, a questão da
violência e o papel da mulher como protagonista na construção de uma
sociedade mais justa e sustentável. “Foi uma ocasião estratégica para que as
mulheres discutissem seus problemas, em um clima bastante descontraído e
participativo”, avalia Hilda. |
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Publicações |
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Remoto Controle |
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O
livro Remoto Controle - Linguagem, Conteúdo e Participação nos Programas de
Televisão para Adolescentes parte da análise de dez programas dirigidos a
esse público, enfa-tizando uma abordagem abrangente, que busca abrir
interfaces com a educação, a cultura, a participação democrática. Tudo isso
sob a ótica dos direitos da infância e da adolescência. A publicação integra
a Série Mídia e Mobilização Social, que tem como objetivo instrumentalizar
profissionais da mídia, fontes de informação e estudantes universitários
para a prática de uma comunicação socialmente responsável. Trata-se de um
instrumento de apoio para aprimorar a qualidade da programação da televisão
brasileira. A obra é uma realização da ANDI (Agência de Notícias dos
Direitos da Infância), Unicef e Cortez Editora, podendo ser encontrada nas
livrarias de todo o país. |
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Desigualdade de gênero no Brasil - reflexões e experiências |
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Publicado
pelo Grupo Transas do Corpo, com organização de Eliane Gonçalves, o livro é
resultado de um seminário realizado em 2001, intitulado Gênero, Educação e
Pobreza, mesclando as discussões teóricas apresentadas: “A política e o
conflito na tessitura dos movimentos feministas no Brasil e na América
Latina” (Sônia E. Alvarez - Universidade de Califórnia); “Os gêneros do
corpo: para começar a entender” (Joana Plaza Pinto - Grupo Transas do
Corpo); “Nas encruzilhadas da democracia: um olhar sobre as desigualdades
raciais no Brasil” (Marcelo Paixão - UFRJ); “Uma escola que educa cidadãs e
cidadãos” (Shuma Schumaher - Redeh); “Gênero, geração de renda e educação:
uma experiência rumo à auto-sustentabilidade” (Cristina Schroeter Simião -
Aditepp); e “Gênero e geração de renda: a experiência da associação regional
de mulheres” (Sandra R.Monteiro - Rede Mulher de Educação). Os contatos para
solicitação de exemplares podem ser feitos pelo e-mail: comunica@transasdocorpo.com.br
; telefax: (62) 248-2365 - 248-1484. |
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Entre
linhas para ler e escrever sobre sexo, prazer e poder |
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Trata-se
de mais uma publicação do Grupo Transas do Corpo, com organização de Joana
Plaza Pinto. A cartilha é resultado do projeto “Lendo, pensando, fazendo:
acesso a produções escritas sobre saúde e sexualidade para estudantes”, no
contexto de uma bolsa do Programa Gênero, Reprodução, Ação, Liderança, da
Fundação Carlos Chagas e SOS Corpo. Trata-se da sistematização do
desenvolvimento de metodologia feminista para o letramento, de forma que
as/os participantes do projeto pudessem tomar para si as tecnologias de
escrita como exercício de poder, com enfoque especial nas reflexões sobre
gênero e sexualidade. |
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Tese |
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Relações de Gênero nas
Práticas Escolares:
da escola mista ao ideal de co-educação
Autora: Daniela Auad (*)
Orientadora: Profa.Dra. Maria Victoria Benevides
Doutorado - 2004 Faculdade de Educação - USP
O
problema principal da investigação con sistiu em saber como é possível, a
partir de pesquisas, enfrentar (e vencer) o desafio colocado pelo
tradicional sistema educacional no que se refere ao fomento das
desigualdades de gênero. Estas desigualdades ferem os princípios básicos de
uma sociedade que se deseja democrática. A partir desse problema, o objetivo
principal da tese foi conhecer e analisar as relações de gênero nas práticas
escolares, de modo a fornecer subsídios para a construção de políticas
educacionais promotoras da igual valorização do feminino e do masculino, em
nossa sociedade. O objeto do estudo — as relações de gênero nas práticas
escolares — desdobrou-se em analisar e discutir as relações de gênero na
escola pública brasileira, visando aprofundar o conhecimento sobre o tema e
propor uma nova percepção sobre escola mista e sobre co-educação. Tal
percepção inovadora baseou-se na distinção, inédita em nosso país, entre os
termos escola mista e co-educação. A referida distinção possibilitou notar,
como um dos resultados da pesquisa, que a maneira pela qual a ‘mistura’
entre meninos e meninas se impõe na realidade escolar, sem objetivos
definidos e sem reflexão pedagógica, pode influenciar na construção e no
reforço de diferenças hierarquizadas entre o masculino e o feminino.
Concluiu-se, desta forma, que a escola mista, ou a simples coexistência de
meninas e meninos no ambiente escolar, não equivaleria à co-educação. Esta
corresponderia à política pública propositiva, indutora de práticas
explicitamente guiadas para o fim das desigualdades de gênero na escola. No
tocante aos métodos adotados, o estudo se inscreve no campo das
investigações qualitativas. Foram feitas 120 horas de observação, nos pátios
e nas salas de aula, de uma escola pública de Ensino Fundamental, na cidade
de São Paulo. O alvo da observação foram turmas de segunda, terceira e
quarta série do Ensino Fundamental. Foi realizada também pesquisa de
bibliografia anglo-saxã, latino-americana e francófona sobre os temas
“Educação Escolar e Relações de Gênero”, “Co-educação” e “Mixité”. Ainda
como uma das conclusões, pude notar certa conjuntura no sistema de ensino
brasileiro na qual alunas, alunos, professoras, agentes escolares e
diretoras podem estar na fronteira entre, de um lado, as práticas escolares
desiguais e, de outro, a possibilidade de construção de um projeto de
co-educação. O desenrolar desse debate depende de claro desejo de atribuir
igual valor ao feminino e ao masculino, vistos como elementos a serem
problematizados e não necessariamente opostos ou essenciais. Se professoras,
feministas e pesquisadoras não assumirem essa igual valorização como
prática, bandeira de luta e tema de estudo, talvez os aligeirados textos
jornalísticos e os best-sellers sobre “como devemos educar, diferentemente,
meninas e meninos” cuidem disso por nós. (*) Daniela Auad é Doutora em
Sociologia da Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São
Paulo (FEUSP). Professora universitária e pesquisadora da temática Educação
e Relações de Gênero, Daniela também é autora do livro Feminismo: que
história é essa? (DP&A, Rio de Janeiro, 2003). Além de suas atividades de
docência e pesquisa, é co-fundadora e participante do NEFE (Núcleo de
Estudos Feministas, de Educação e Cidadania) que conta com pesquisadoras e
professoras de várias Universidades. E-mail: daniauad@terra.com.br e
daniauad28@hotmail.com .
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