Edição Nº 56
Abr./Jun./
2004

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- Tese

1000 Mulheres para o Prêmio Nobel da Paz 2005
Indicações brasileiras superam expectativas

No Brasil, um país com dimensões continentais e enorme diversidade, o Projeto encerrou as inscrições com a indicação de 230 mulheres, abarcando todos os Estados e variadas categorias de atuação. Segundo Clara Charf, coordenadora brasileira, “será uma tarefa difícil para o Comitê de Seleção definir os 31 nomes que representarão o Brasil, já que é enorme o número de indicadas com um histórico de atuação maravilhoso”. A divulgação dos nomes das 31 brasileiras será feita no final do ano. O Projeto nasceu na Europa, encabeçada pela Fundação Suiça pela Paz e a Associação 1000 Mulheres, criada para esse fim. A iniciativa de uma candidatura coletiva de mulheres ao mais relevante dos prêmios é endossada por 225 países. Tem como principal objetivo dar visibilidade ao papel da mulher na promoção da paz e da segurança humana, desafiando preconceitos, discriminações, ideologias e fundamentalismos - desde a criação do Prêmio Nobel, em 1901, apenas 11 mulheres ganharam o Nobel da Paz. Caso vença a candidatura coletiva, três representantes serão sorteadas para representar as 1000 mulheres na entrega do prêmio. O dinheiro será direcionado para um fundo em prol de mulheres que lutam pela paz.

Algumas das integrantes do Comitê-Executivo e do Comitê de Apoio do Brasil

Marta Suplicy, prefeita de São Paulo, ao apoiar a iniciativa, enalteceu sua importância no sentido de valorizar e visibilizar o trabalho das mulheres.

 

 

 

Nanne Annan se reúne com lideranças brasileiras

Nanne Annan, em missão oficial a São Paulo, fez questão de conhecer melhor a situação da mulher brasileira, reunindo-se, em 14/6, com representantes governamentais - ministra Nilcéa Freire (Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres); ministra Matilde Ribeiro (Secretaria da Igualdade Racial), e Tatau Godinho (Coordenadoria da Mulher de S.Paulo); representantes de ONGs, como Sueli Carneiro e Nilza Iraci (Geledés), Sílvia Pimentel (Cladem) e Vera Vieira (Rede Mulher de Educação). O encontro foi organizado pelo Unifem, que esteve representado por Mónica Muñoz e Junia Puglia.

Os arredores da sede do Geledés, no centro de São Paulo, onde se deu o encontro, foram cercados por um forte esquema policial, para a chegada da sueca Nane Annan. O panorama externo contrastava com a figura discreta, informal e simpática da mulher de Kofi Annan, Secretário-Geral da ONU. Com o propósito de ouvir o que as lideranças governamentais e não-governamentais tinham a dizer sobre os avanços e desafios relacionados à condição da mulher brasileira, Nane Annan enfatizou que “é um privilégio viajar com o marido e conhecer os esforços da base, com representantes que são fundamentais para sinalizar caminhos para outras mulheres do mundo”. Apesar do reconhecimento da limitação das políticas governamentais, as participantes ressaltaram o avanço com o processo envolvendo fortemente a sociedade civil organizada, para a Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres em 2004 e para a Conferência Nacional pela Igualdade Racial em 2005.

 

 

 

A Mulher e a Mídia A Mulher e o Fato - A Mulher é o Fato Re-Formando a Opinião

Um diálogo maduro e consistente entre mulheres líderes que atuam na chamada grande mídia e aquelas do movimento feminista/de mulheres: assim pode ser resumido o evento organizado pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, realizado no Rio, nos dias 26 e 27 de junho. Pairava no ar a mensagem, de ambos os lados, que embutia o desejo de aprender umas com as outras, com o objetivo único de avançar pela eqüidade de gênero e raça. Na mesa de abertura, Beth Costa, da Federação Nacional de Jornalistas, contou que, nas redações, “não há sequer a consciência das desigualdades de gênero, pois em uma pesquisa recente a maioria negou o problema, que só foi revelado quando se entrou nos detalhes”. A senadora Serys Slhessarenko (MT), coordenadora da Bancada Feminina, disse que “a Câmara [com 8% de mulheres] e o Senado [com 10%] vêm atuando em conjunto sobre as questões das discriminações contra a mulher”. Laura Greenhalgh (O Estado de S.Paulo) mostrou o paradoxo entre, de um lado, a grande atuação da mulher na produção e consumo de mídia, e, de outro, o fato de ela estar na base. “A Mulher precisa subir para operar o centro das decisões, e não só ficar no lugar em que faz a máquina operar”, frisou Laura, mostrando tratar-se de uma realidade que não é exclusiva da mídia. Em sua opinião, o avanço pode se dar pela facilidade que as mulheres têm de trabalhar em rede, portanto, conectadas. Mariza Tavares, do Sistema Globo de Rádio, declarou que, durante sua carreira, sentiu-se tentada a adotar o padrão masculino de poder: “depois, vi que a capacidade de ‘costurar’ das mulheres é muito melhor”. Mariza reproduziu um trecho gravado do programa da CBN, em que Myriam Leitão tentava esclarecer com o comentarista Carlos Sardenberg, o que ele queria dizer com “dar um corte de macho nos juros”. “Quer dizer que o corte fêmeo não é pra valer?”, retrucava Myriam. Na época, a repercussão foi tão grande que o comentarista recebeu mais de 200 e-mails. “Certamente, o Sardenberg, meu grande amigo, nunca mais vai fazer uma análise usando o sexismo”, disse Myriam, que fez uma exposição brilhante com dados estatísticos das desigualdades de gênero e raça, as quais chamou de ‘desigualdades duráveis’, concluindo que “a mulher que trabalha na mídia deve incluir essa preocupação, pois dizer que o problema está superado é contribuir para manter as desigualdades”. “Há resistências de ordem editorial no que diz respeito a gênero e outros preconceitos”, afirmou Fátima Jordão (Instituto Patrícia Galvão). Por outro lado, Fátima Bernardes (TV Globo) disse que, no Jornal Nacional, “cresce a preocupação de prestação de serviços, quer dizer, de que forma a notícia vai ajudar a vida de quem assiste”. Daniela Chiaretti, da Revista Marie Claire, assumiu que “as revistas femininas têm dificuldades em quebrar preconceitos e tabus”. Uma notícia que sinaliza positivamente é que “as revistas femininas estão falindo, pois as mulheres estão indo buscar informações em outros lugares”. A constatação é de Laura Capriglione, atualmente na Folha de S.Paulo, mas que já dirigiu revistas femininas por um bom tempo. “A transformação não vai se dar a partir dos grandes conglomerados; temos que aproveitar que o mundo da comunicação não está mais restrito a eles, utilizando as brechas proporcionadas pelas novas tecnologias da informação e comunicação”, sugere Laura. Jacira Melo, do Instituto Patrícia Galvão, lembrou que “precisamos exercer uma pressão maior sobre a mídia, já que, como público consumidor, somos uma preocupação estratégica dos meios de comunicação” (as mulheres representam 53% da audiência de TV e rádio; 55%, de leitores de revistas e 49% de jornais). Os resultados do evento servirão de base para um plano de ação a ser elaborado pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres.



A ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, abriu o evento ressaltando tratar-se de "um diálogo que deve ser permanente". Na mesa, Beth Costa (Federação Nacional de Jornalistas), Marcos de Flora (Secretaria de Comunicação Federal), senadora Serys Slhessarenko (PT/MT) e Maurício Azêdo (Associação Brasileira de Imprensa).



O painel "A Mulher e o Fato" discutiu a mulher como produtora de notícia - a percepção e o reconhecimento de seu papel como definidora de conteúdo de informação.
Contou com Myriam Leitão (O Globo), Mônica Waldvogel (GNT/SBT), Mariza Tavares (Sistema Globo de Rádio) e Laura Greenhalgh (O Estado de S.Paulo).



O painel "A Mulher é o Fato" abordou a representação que a mídia e a publicidade imprimem à imagem da mulher - a urgência em romper preconceitos e estereótipos. Participaram Fátima Jordão (Instituto Patrícia Galvão), Angélica Basthi (Sind.Jornalistas do Munic. do Rio), Fátima Bernardes (TV Globo) e Daniela Chiaretti (Revista Marie Claire).



O painel "Re-Formando a Opinião" enfocou a qualidade da informação e a construção de uma abordagem com pluralidade de gênero - a mídia e a sociedade civil,com Laura Capriglione (Folha de S.Paulo), Nilza Iraci (Geledés), Márcia Flausino (Universidade de Brasília) e Rosane Borges (Geledés).



O painel "Agenda Mulher" discorreu sobre a qualidade da informação e a construção de uma abordagem com pluralidade de gênero - a mídia e a sociedade civil. Contou com Daniela Falcão (RevistaTPM), Joseti Marques (ABI), Jacira Melo (Instituto Patrícia Galvão) e Alzira Rufino (Revista Eparrêi).

 

 

 

Próxima parada: Beijing+10

 

“...Somos as feministas. Somos trabalhadoras rurais e acadêmicas, somos as negras e as lésbicas, somos indígenas e mestiças, as jovens e as velhas... Somos as feministas. Somos as que têm fé na vida, nos corações e na inteligência das pessoas. Somos as organizações e as redes que, a partir da autonomia de qualquer partido político, qualquer governo, de qualquer igreja, qualquer financiamento, construímos movimentos que nos têm feito melhores homens e mulheres. Somos as que junto a outras companheiras, a partir das oficinas, marchas, manifestações, seminários, revistas e pinturas nos muros, levamos às ruas, às conversas e às camas, o discurso e a prática de uma vida diferente, mais livre, mais igualitária, mais querida...” (Trecho da Declaração das Organizações da Sociedade Civil na 9a Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e Caribe, cuja íntegra pode ser encontrada no site www.eclac.cl )

 

Trinta anos depois de realizada a primeira Conferência Mundial sobre a Mulher, no México, e no contexto de Beijing+10, velhos temas com novas roupagens voltaram a ser discutidos. Outra vez no México, dessa vez na 9a.Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e Caribe, realizada de 10 a 12 de junho de 2004. A Conferência reuniu mais de 400 pessoas de 46 países, entre representantes de governos e membros associados da CEPAL e sociedade civil, com o objetivo de examinar a aplicação dos compromissos internacionais assumidos no Programa de Ação Regional para as Mulheres da América Latina e Caribe. A Conferência teve como marco referencial os compromissos internacionais relacionados com os avanços da mulher adotados pelas conferências mundiais dos anos 90 e o Programa de Ação Regional para as Mulheres, adotado pela 6a Conferência Regional sobre a Mulher (Mar Del Plata, 1994) e ratificado em 2000 pelo Consenso de Lima. Durante os dias que antecederam à Conferência da CEPAL, as organizações da sociedade civil - formadas por Redes, Articulações e Campanhas regionais e sub-regionais - realizaram o Fórum Latino-americano e Caribenho de Mulheres “Novos Tempos e Novos Desafios a uma Década de Beijing+10”. O Fórum constituiu-se em um espaço para debater e refletir sobre os avanços, obstáculos e desafios que devemos enfrentar como movimento de mulheres e feministas que compartilhamos um objetivo comum: a defesa de todos os nossos direitos, em um contexto global e regional político adverso para o cumprimento dos acordos internacionais alcançados. Os temas abordados nos painéis foram: ‘Globalização, pobreza eqüidade e igualdade de gênero’; ‘Democracia, governabilidade e institucionalização’ e ‘Os desafios da diversidade na luta contra a exclusão’. Houve, ainda, debate sobre o papel da ONU no contexto atual e seu impacto na agenda das mulheres. Os processos da 9a Conferência da CEPAL foram marcados por uma série de conflitos envolvendo grupos mexicanos de extrema-direita, ligados à Igreja Católica, e a delegação dos Estados Unidos, que liderou uma verdadeira cruzada contra os direitos sexuais, inclusive através de chantagem aos governos da América Central, ameaçando negar-lhes recursos de uma bolsa de US$2.5 bilhões para programas que permitam a esses países alcançar as Metas do Milênio, entre elas, reduzir para a metade da pobreza de suas populações para 2015. Essa estratégia foi considerada como uma tentativa de violentar a soberania das nações latino-americanas. O Brasil teve uma destacada participação na Conferência, assumindo um papel de liderança entre os países da América Latina e Caribe, em defesa das posições historicamente defendidas pelos movimentos de mulheres e feminista, e estabelecendo um permanente diálogo com as representantes da sociedade civil, inclusive com a inclusão de várias mulheres de ONGs na delegação oficial. O documento final aprovado na Conferência, incorporou as propostas apresentadas pela sociedade civil, onde se ressaltam a reafirmação dos direitos sexuais e reprodutivos, a transversalização da dimensão racial/étnica e uma maior ênfase à questão da pobreza. O Consenso do México2, como ficou denominado o documento - também disponível no site www.eclac.cl -, foi assinado por todas/os as/os participantes, com reservas dos EUA, Nicarágua e El Salvador, nas questões relacionadas a direitos sexuais e reprodutivos. Houve também um destaque dos EUA sobre a reafirmação dos compromissos assumidos na Conferência de Durban, sob o argumento de que não foi signatário da Declaração e do Programa de Ação Contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Formas de Intolerância Correlatas. Ficou evidente no México que o processo de preparação para Beijing+10, até março de 2005, será marcado por grandes desafios, como a necessidade de enfrentar uma conjuntura mundial marcada pelas guerras, ajustes estruturais, globalização, que determinam hoje a nova ordem mundial, com grande impacto para a vida das mulheres. As Conferências dos anos 90 se destacaram pelo surgimento e visibilidade de novos atores que trouxeram à tona a diversidade e desigualdade entre mulheres e o respeito às diferenças. Se é fato que houve avanços, também é verdade que eles não têm sido suficientes para alterar substancialmente a situação de desigualdade e opressão a que são submetidas milhões de mulheres em todo o mundo. Em reação à dimensão alcançada por esses avanços, assistimos ao recrudescimento das minorias conservadoras, marcadas pelos fanatismos, fundamentalismos e racismos. É o momento, portanto, de fortalecer as alianças rumo a Beijing+10, pelo “direito de exigir a igualdade quando a desigualdade nos inferioriza e pelo direito de reivindicar as diferenças, quando a igualdade nos descaracteriza, nos oculta e nos desconhece”.

 

 

 

São Paulo vai sediar o 10o. Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe



A Comissão Organizadora vem se reunindo regularmente desde o início do ano (3a.foto). No dia 22/6, houve um encontro entre essas integrantes e as do Comitê Consultivo Nacional São Paulo, ocasião em que se discutiu as expectativas, os temas e as questões a serem contempladas (1a./2a. fotos).

A partir de vários ângulos de avaliação, as feministas brasileiras que estiveram no 9º Encontro, realizado na Costa Rica, em 2002, indicaram São Paulo como local para sediar o 10º Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe. O 10º Encontro acontecerá em São Paulo, em outubro de 2005. Vinte anos depois do 3º Encontro, promovido em 1985, em Bertioga, litoral de São Paulo. A Comissão Organizadora está buscando o local mais adequado para receber de 1.500 a 2.000 participantes. Já há uma certeza: será realizado no litoral do Estado. São Paulo, como maior cidade brasileira, concentra em seu aeroporto internacional 90% dos vôos vindos da América Latina e do Caribe. A chegada em São Paulo facilitará o deslocamento das participantes, reduzindo os custos com transporte. A Comissão Organizadora é composta por 17 feministas com perfil diverso. São mulheres que atuam em diferentes campos feministas: movimento de mulheres negras, movimento lésbico, movimento de jovens, movimento de saúde e direitos sexuais e reprodutivos, movimento de educação popular, movimento pelos direitos humanos, entre outros. São mulheres que contam com trajetórias feministas múltiplas, têm larga experiência de militância nos movimentos feministas e capacidade de articulação política nos níveis nacional e internacional. A Comissão Organizadora acredita que o 10º Encontro precisa ser concebido como um processo coletivo e que deve contar com a contribuição de feministas brasileiras e do Cone Sul para a formulação da linha política e de uma proposta de conteúdo, metodologia e dinâmica para o Encontro. O Comitê Consultivo do 10º Encontro reúne feministas das cinco regiões do Brasil e de países do Cone Sul - Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile, que têm dado importantes contribuições para a construção e o fortalecimento dos movimentos feministas. Está agendada para o dia 14 de julho, em Brasília, a primeira reunião da Comissão Organizadora com os Comitês Consultivos Nacional e do Cone Sul. Estará em pauta a discussão sobre conteúdo, formato e metodologia do 10º Encontro. Esta reunião de julho acontecerá um dia antes da Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres. A idéia é aproveitar esse momento de mobilização feminista em Brasília, do qual participará uma boa parte das integrantes do Comitê Consultivo Nacional do 10º Encontro, para garantir a presença do maior número possível de integrantes. O 10º Encontro deve ter como marca a revitalização da articulação feminista na região, dando destaque para debates cruciais em torno do eixo Feminismo e Radicalização da Democracia na América Latina e Caribe.

 

 

 

 

 

Oriashé forma primeira turma de Promotoras Legais

 

Foi em clima de emoção e alegria que aconteceu a cerimônia de formatura da primeira turma de Promotoras Legais da Cidade Tiradentes (Zona Leste de São Paulo), em 13/3. A capacitação foi realizada pelo grupo Oriashé, contando com o apoio do Fundo NOVIB de Pequenos Projetos, (admistrado pela FASE/SAAP). Na ocasião, Kika de Bessen agradeceu ao apoio recebido pela Rede Mulher de Educação, através de Denise Gomide e Vera Vieira, na elaboração e apresentação do projeto. Na cerimônia de formatura, Maria José L. Souza representou a RME.

 

 

 

Pelos caminhos do empoderamento das mulheres



Maria França (ASCRON-CE, projeto vencedor do Brasil) expõe a belíssima produção em crochê.



A antiga diretoria da REPEM (acima) passa o bastão para a nova (abaixo)



As educadoras da RME aproveitaram para participar do evento Protagonismo, Educação e Gênero, na Unisinos, a convite de Clair Ribeiro, com a participação de diversas lideranças comunitárias locais e muitas atividades.

 




 

Este foi o tema central do Seminário Internacional da REPEM (Rede de Educação Popular entre Mulheres da América Latina e do Caribe), que aconteceu na cidade de Porto Alegre, no período de 27/3 a 2/4, reunindo grandes feministas, convidadas e todas as vencedoras do IV Concurso de Empreendimentos Produtivos. Foi uma ocasião ímpar para aprofundar o debate sobre os desafios do empoderamento frente à conjuntura econômica, política e social. O apoio local ficou a cargo da Themis e da ACMUN (Associação Cultural de Mulheres Negras). Os painéis e debates abordaram a educação para o empoderamento; o conceito de interlinkage (vinculação) como eixo estratégico na formação de novas lideranças; o movimento de mulheres: um ator político; 10 anos do Grupo de Trabalho Latino-Americano: educação, gênero e economia; comemoração dos 20 anos de Dawn; educação para a inclusão; o aborto e as perspectivas jurídicas. Na ocasião, também foi feita a apresentação das ganhadoras do IV Concurso Latino-Americano de Empreendimentos Produtivos Liderados por Mulheres, com entrega de prêmios e do livro “Así se Hace IV”, contendo a sistematização das experiências. No Brasil, o Concurso foi coordenado pela Rede Mulher de Educação. O 1o.lugar ficou com a ASCRON (Associação das Crocheteiras Novarussenses, de Nova Russas/Ceará), representada no evento por Maria França.
Pela Rede Mulher, participaram Beatriz Cannabrava - que integrava a diretoria anterior da Repem-, Moema Viezzer - que proferiu palestra sobre a Campanha para uma Educação Não Sexista -, Vera Vieira - que integrou o Comitê Eleitoral -, Clair Ribeiro Ziebell - que falou sobre Mulheres Gerando Ativos em Nível Local (e a estagiária Célia Maria Teixeira Severo, que coordenou a visita à Grife Morro da Cruz). A Assembléia Geral ocorreu no dia 2 de abril, elegendo a nova coordenadora-executiva e as integrantes do Comitê de Direção, numa demonstração exemplar de democracia e cidadania, com ampla representação de ONGs filiadas à Repem, de toda a América Latina e Caribe: - Coordenadora-Executiva: Ximena Machicao (Bolívia - Cidem) - Comitê de Direção: Fanny Gómez (Colômbia - Repem); Blanca Fernández (Peru - Flora Tristan); Eliane Cavalleiro (Brasil - Geledés); Malu Valenzuela (México - GEM.); Carmen Zabalaga (Bolívia - IFFI). Suplentes: Imelda Arana (Colômbia - Repem) e Celia Eccher (Uruguai - Repem).

 

 

 

Mães empoderadas

 

Para celebrar o Dia das Mães, a FURP (Fundação para o Remédio Popular) promoveu um ciclo de palestras para as 300 mulheres que possuem filhos/as, em 7 de maio. A cargo de Hilda Fadiga, educadora da Rede Mulher de Educação, os eventos foram um rica oportunidade para discorrer sobre o conceito de gênero, o papel de mãe e a tripla jornada de trabalho, a questão da violência e o papel da mulher como protagonista na construção de uma sociedade mais justa e sustentável. “Foi uma ocasião estratégica para que as mulheres discutissem seus problemas, em um clima bastante descontraído e participativo”, avalia Hilda.

 

 

 

Publicações

 

Remoto Controle

O livro Remoto Controle - Linguagem, Conteúdo e Participação nos Programas de Televisão para Adolescentes parte da análise de dez programas dirigidos a esse público, enfa-tizando uma abordagem abrangente, que busca abrir interfaces com a educação, a cultura, a participação democrática. Tudo isso sob a ótica dos direitos da infância e da adolescência. A publicação integra a Série Mídia e Mobilização Social, que tem como objetivo instrumentalizar profissionais da mídia, fontes de informação e estudantes universitários para a prática de uma comunicação socialmente responsável. Trata-se de um instrumento de apoio para aprimorar a qualidade da programação da televisão brasileira. A obra é uma realização da ANDI (Agência de Notícias dos Direitos da Infância), Unicef e Cortez Editora, podendo ser encontrada nas livrarias de todo o país.

 

 

 

Desigualdade de gênero no Brasil - reflexões e experiências

 

Publicado pelo Grupo Transas do Corpo, com organização de Eliane Gonçalves, o livro é resultado de um seminário realizado em 2001, intitulado Gênero, Educação e Pobreza, mesclando as discussões teóricas apresentadas: “A política e o conflito na tessitura dos movimentos feministas no Brasil e na América Latina” (Sônia E. Alvarez - Universidade de Califórnia); “Os gêneros do corpo: para começar a entender” (Joana Plaza Pinto - Grupo Transas do Corpo); “Nas encruzilhadas da democracia: um olhar sobre as desigualdades raciais no Brasil” (Marcelo Paixão - UFRJ); “Uma escola que educa cidadãs e cidadãos” (Shuma Schumaher - Redeh); “Gênero, geração de renda e educação: uma experiência rumo à auto-sustentabilidade” (Cristina Schroeter Simião - Aditepp); e “Gênero e geração de renda: a experiência da associação regional de mulheres” (Sandra R.Monteiro - Rede Mulher de Educação). Os contatos para solicitação de exemplares podem ser feitos pelo e-mail: comunica@transasdocorpo.com.br ; telefax: (62) 248-2365 - 248-1484.

 

 

 

Entre linhas para ler e escrever sobre sexo, prazer e poder

Trata-se de mais uma publicação do Grupo Transas do Corpo, com organização de Joana Plaza Pinto. A cartilha é resultado do projeto “Lendo, pensando, fazendo: acesso a produções escritas sobre saúde e sexualidade para estudantes”, no contexto de uma bolsa do Programa Gênero, Reprodução, Ação, Liderança, da Fundação Carlos Chagas e SOS Corpo. Trata-se da sistematização do desenvolvimento de metodologia feminista para o letramento, de forma que as/os participantes do projeto pudessem tomar para si as tecnologias de escrita como exercício de poder, com enfoque especial nas reflexões sobre gênero e sexualidade.

 

 

 

Tese

Relações de Gênero nas Práticas Escolares:

da escola mista ao ideal de co-educação

Autora: Daniela Auad (*)
Orientadora:
Profa.Dra. Maria Victoria Benevides
Doutorado - 2004 Faculdade de Educação - USP

O problema principal da investigação con sistiu em saber como é possível, a partir de pesquisas, enfrentar (e vencer) o desafio colocado pelo tradicional sistema educacional no que se refere ao fomento das desigualdades de gênero. Estas desigualdades ferem os princípios básicos de uma sociedade que se deseja democrática. A partir desse problema, o objetivo principal da tese foi conhecer e analisar as relações de gênero nas práticas escolares, de modo a fornecer subsídios para a construção de políticas educacionais promotoras da igual valorização do feminino e do masculino, em nossa sociedade. O objeto do estudo — as relações de gênero nas práticas escolares — desdobrou-se em analisar e discutir as relações de gênero na escola pública brasileira, visando aprofundar o conhecimento sobre o tema e propor uma nova percepção sobre escola mista e sobre co-educação. Tal percepção inovadora baseou-se na distinção, inédita em nosso país, entre os termos escola mista e co-educação. A referida distinção possibilitou notar, como um dos resultados da pesquisa, que a maneira pela qual a ‘mistura’ entre meninos e meninas se impõe na realidade escolar, sem objetivos definidos e sem reflexão pedagógica, pode influenciar na construção e no reforço de diferenças hierarquizadas entre o masculino e o feminino. Concluiu-se, desta forma, que a escola mista, ou a simples coexistência de meninas e meninos no ambiente escolar, não equivaleria à co-educação. Esta corresponderia à política pública propositiva, indutora de práticas explicitamente guiadas para o fim das desigualdades de gênero na escola. No tocante aos métodos adotados, o estudo se inscreve no campo das investigações qualitativas. Foram feitas 120 horas de observação, nos pátios e nas salas de aula, de uma escola pública de Ensino Fundamental, na cidade de São Paulo. O alvo da observação foram turmas de segunda, terceira e quarta série do Ensino Fundamental. Foi realizada também pesquisa de bibliografia anglo-saxã, latino-americana e francófona sobre os temas “Educação Escolar e Relações de Gênero”, “Co-educação” e “Mixité”. Ainda como uma das conclusões, pude notar certa conjuntura no sistema de ensino brasileiro na qual alunas, alunos, professoras, agentes escolares e diretoras podem estar na fronteira entre, de um lado, as práticas escolares desiguais e, de outro, a possibilidade de construção de um projeto de co-educação. O desenrolar desse debate depende de claro desejo de atribuir igual valor ao feminino e ao masculino, vistos como elementos a serem problematizados e não necessariamente opostos ou essenciais. Se professoras, feministas e pesquisadoras não assumirem essa igual valorização como prática, bandeira de luta e tema de estudo, talvez os aligeirados textos jornalísticos e os best-sellers sobre “como devemos educar, diferentemente, meninas e meninos” cuidem disso por nós. (*) Daniela Auad é Doutora em Sociologia da Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP). Professora universitária e pesquisadora da temática Educação e Relações de Gênero, Daniela também é autora do livro Feminismo: que história é essa? (DP&A, Rio de Janeiro, 2003). Além de suas atividades de docência e pesquisa, é co-fundadora e participante do NEFE (Núcleo de Estudos Feministas, de Educação e Cidadania) que conta com pesquisadoras e professoras de várias Universidades. E-mail: daniauad@terra.com.br e daniauad28@hotmail.com .