Relatório Fotográfico do Curso para Mulheres Jovens

O curso foi realizado
num cenário privilegiado
pela natureza: a cidade do
Rio de Janeiro/Brasil,
no Mirador Rio Hotel,
em Copacabana.

Leia nesta página a
reportagem completa

Na foto abaixo as participantes

Argentina: Carolina Ruggero, Verónica Baracat, Marcela F.Espíndola e Luz Mariela Avruj.

Brasil: Eliane N.Peres (Porto Alegre), Marylucia Mesquita Palmeira (Recife), Suzana C.R.A.Pontes (Macapá), Jocienne S.Gomes (S. Luís), Maria Ap.Cotti Silva (Cuiabá), Fernanda Grigolin Moraes (S.Paulo), Moara P.Zanetti (Rio), Raquel Melo (Rio) e Angelita Garcia (Brasília).

Chile: Ingrid P. Melipillan Muñoz, Natalia A. Flores Gonzalez, Nora Reyes Campos, Elizabeth C. Huatay Alvarez e Loreto Ossandón Núñes.

Paraguai: Susana B.Sciscioli, Lílian E.Alfonso e Gloria Mariela Centurión.

Uruguai: Leticia A.Benedet Barceló, Maria Lúcia Scuro Somma e Victoria Bugallo Romano.
 

Curso para mulheres jovens líderes do Cone Sul sobre governabilidade democrática
Democracia como estilo de vida e liderança como ação


Soy loco por ti América, soy loco por ti de amores / Sorriso de quase nuvem, os rios, canções, o medo / O corpo cheio de estrelas (...) Esse povo, dizei-me, arde o fogo de conhecê-la. A mescla do português e do espanhol, da música contagiante interpretada por Caetano Veloso, marcou o momento final do Curso realizado no Rio, no período de 8 a 13/11, com a participação de 24 jovens, entre 18 e 35 anos, dos países do Cone Sul - Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. Elas retratam a diversidade de lideranças efetivas que atuam em diferenças áreas com o objetivo comum de multiplicar o trabalho de cidadania transforma-dora nos processos democráticos.

Para concretização do evento, houve um processo que durou quase um ano, com o empenho das organizações envolvidas - busca de recursos, convocação, divulgação, seleção das candidatas (de um total de 149), metodologia, conteúdo, infra-estrutura, etc. O Curso foi organizado pelo Programa de Liderança da Mulher (Prolid), da Unidade da Mulher para o Desenvolvimento e o Instituto Interamericano para o Desenvolvimento Social (INDES) do Banco Interamerica-no de Desenvolvimento (BID); pela Organização dos Países Baixos para a Cooperação do De-senvolvimento Internacional (NOVIB), junto com a Unidade para a Promoção da Democracia (UPD) e a Comissão Interame-ricana de Mulheres (CIM) da Organização dos Estados Americanos (OEA), bem como pelo Fundo das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM - Região Cone Sul). A organização no Brasil ficou a cargo da Rede Mulher de Educação (Vera Vieira, Walkíria Ferraz, Edna S.Santana e traduções de Beatriz Cannabrava). O Comitê de Seleção foi composto por representantes do BID, da OEA, do UNIFEM e da ONG Agende. Registre-se, também, o apoio específico oferecido pelo Unicef, que propiciou o pagamento de um transporte aéreo.

O Curso foi idealizado cuidadosamente, procurando mesclar dinâmicas interativas com trabalhos em grupos, além de incluir expositoras e professores/as que expressassem a competência regional e os diversos focos da temática da Governabilidade Democrática. Nos debates, as jovens propiciaram um melhor entendimento sobre a realidade específica de cada país, além de contribuir com sugestões e com a troca de experiências concretas. A representação teatral com a temática de gênero foi feita com muita criatividade e humor.

Ao lançar um olhar analítico sobre a democracia na região, Lilian Celiberti, do Uruguai, reconheceu que “há um crescimento do controle cidadão, entretanto, há um jogo permanente de perigos e ameaças, daí a necessidade de ampliação de sujeitos políticos para não colocar em risco a própria democracia. Para tanto, é preciso buscar novas linguagens que façam com que as pessoas se apaixonem por nossas causas”.

Pablo Zúñiga (OEA-Washington) ao ministrar o conteúdo relativo aos Elementos da Democracia, abordou os 12 princípios da Teoria Política Democrática de Javier Sanín: 1) uma metodologia de resolução de conflitos políticos; 2) um somatório de mecanismos de participação cidadã; 3) um sistema de maiorias e minorias, de Governo e oposição; 4) uma balança de separação de poderes; 5) um sistema para limitar o exercício do poder, no tempo, no espaço e nas camadas sociais; 6) um sistema para evitar a perturbação no poder e promover a renovação ou a mudança das elites; 7) um sistema que depende da existência de partidos políticos; 8) um sistema de representação indireta; 9) um sistema de empregados públicos de carreira; 10) um sistema onde o Estado tem hegemonia das armas, da violência legítima e da justiça; 11) a democracia não coincide com o livre mercado, nem a segurança; 12) um sistema Interamericano.

No trabalho em grupos, a discussão foi em torno do estabelecimento das prioridades desses princípios. Finalizou com uma definição de democracia, de autoria de Abrahan Lincoln: Do povo, pelo povo e para o povo.

Durante a conferência Cultura Política Democrática e Eqüidade de Gênero, Delia Ferreira, da Argentina, salientou que “o princípio da igualdade como aspecto regulador da democracia já está consagrado, mas ainda é grande a distância com a realidade. Para que se avance na eqüidade de gênero no campo da participação política, é preciso criar condições que estejam além do reconhecimento jurídico, através de um processo educativo”.

Segundo Line Bareiro, do Paraguai, que discorreu sobre Incidência das Mulheres nas Poíticas Públicas, “houve, gradualmente, uma incorporação parcial das mulheres e de seus interesses na institucionalidade e nas políticas. Isso passou a acontecer nos anos 70, graças à luta das mulheres. Exemplo disso é este Curso, pois se existe um programa de formação de jovens líderes é porque outras mulheres que trabalham nesses órgãos incidiram para sua criação”. Encerrou sua fala com uma pergunta-desafio: como fazer governáveis as políticas de igualdade de gênero?”.

"Se o título deste Curso é a governabilidade democrática, imagino que o melhor a fazer na minha apresentação hoje é a gente se propor a seguinte questão: a diversidade cultural e a igualdade das mulheres e dos povos de diferentes ‘raças’ ou etnias é a melhor maneira de se promover a governabilidade democrática no Cone Sul”, constatou a brasileira Diva Moreira, ao iniciar a conferência Diversidade Cultural, Gênero, Raça e Governabilidade. Foi muito rico o resultado do trabalho em grupo proposto por ela.

Na mesa redonda intitulada Gênero, Democracia e Bom Governo, Vivian Roza (Prolid-BID) apresentou estatísticas e análises baseadas no artigo “Mulher, Política e o Futuro Democrático da América Latina”, elaborado por ela e Mayra Buvinic. Entre os fatores que poderiam diminuir o impacto do trabalho de liderança política das mulheres estão: a exclusão social, a desunião entre as mulheres, as barreiras para alcançar o poder (tripla jornada, modelo masculino de poder, temas tradicionais nos ministérios, barreiras ideológicas e psicológicas, estereótipos com relação à eficiência e honestidade, regras e estruturas dos partidos políticos) e falta de compromisso por parte do Governo.

Ana Trujillo, da UN-Habitat, órgão que tem como foco os assentamentos urbanos e o desenvolvimento, ressaltou que “a questão da moradia é um problema sério, e é um direito da mulher que não pode ser separado dos outros direitos”.

“Os princípios básicos do feminismo já estão impregnados nas jovens, que levam em suas mochilas o resultado de muita luta das mulheres no século passado”, destacou Ana Falú (Unifem). Ao constatar que não há luta mais trans-formadora do que a das mulheres, Ana enfatizou a necessidade de “interrogar-nos sobre o que construímos até agora e quais os nossos passos futuros”.

Foi com muitas dinâmicas e técnicas provocativas que José Jorge Saavredra (INDES-BID) encarregou-se de ministrar o módulo Liderança e Estratégia para a Gerência Política e Social. Seu propósito foi fazer primeiro uma salada con-ceitual sobre o que singfica liderança. Em suma, o que Jorge transmite é que “o poder é a capacidade de influenciar a outras pessoas, a partir da escuta (colocando-se no lugar de quem fala) e que a credi-bilidade está diretamente ligada à legimitidade. A autoridade formal é bem exercida, quando se tem a legitimidade da autoridade informal”.

Janine Perfilt (SGC-BID), na conferência descrita na legenda acima, salientou que “onde há Estado de direito e exercício de liberdade, há maior crescimento econômico, e isso é fato comprovado”.

O material completo do Curso, com textos e exposições, estará disponível, brevemente, no site www.redemulher.org.br .
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Expediente: Fotos e Edição: Vera Vieira - Rede Mulher - Dezembro/2004 - Web by Nova Sociedade Comunicação
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