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Cunhary Informa no 50 - Outubro-Dezembro/2002 |
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III
Concurso de Empreendimentos Exitosos liderados por Mulheres
confirma ações voltadas para a geração de renda e a transformação
cidadã
DOCES CAMPONESA Iniciativa de mulheres assentadas, de Birigui/SP
III CONCURSO DE EMPREENDIMENTOS EXITOSOS LIDERADOS POR MULHERES Mulheres geram renda e cidadania
A Comissão Julgadora, no Brasil: Mônica Lúcia
Rique Fernanes, Célia Terumi Sanda e Vera Vieira (dir/esq) Desde 1994, a REPEM (Rede de Educação Popular
entre Mulheres da América Latina e do Caribe) vem realizando uma
série de atividades, através do Grupo de Trabalho Latino-americano
(GTL) Educação, Gênero e Economia, para pesquisar e avaliar quais
são as características que definem a identidade dos
empreendimentos econômicos liderados por mulheres, particularmente
nos setores populares. A necessidade de compreender o sentido e a natureza desses
projetos - suas fortalezas e fraquezas - motivou uma série de
instâncias de análise e sistematização, em parceria com educadoras
e promotoras de diversos países da América Latina. Uma dessas
instâncias é o Concurso de Empreendimentos Exitosos Liderados por
Mulheres. O I Concurso, realizado em 1998, permitiu constatar uma
série de pontos comuns: são empreendimentos econômicos, mas, ao
mesmo tempo, organizações de mulheres que promovem o
desenvolvimento pessoal de suas participantes e contribuem para
uma maior justiça social nas relações de gênero, bem como para o
reconhecimento social e o desenvolvimento de suas comunidades. No
II Concurso, realizado em 2001, os empreendimentos concorrentes
apresentaram uma grande diversidade: microempresas, tanto urbanas
como rurais, empresas familiares, cooperativas e associações,
todos buscando uma maior inserção das mulheres na economia e
reforçando as características já observadas no projeto anterior.
O III Concurso, realizado em 2002, confirma essa diversidade e
mostra alguns outros aspectos relevantes, como é o caso da
importância que tem o apoio do poder local a esse tipo de
empreendimento, não apenas com recursos financeiros - o que, na
maioria dos casos, não se dá -, mas com capacitação, divulgação e
acompanhamento. O Concurso no Brasil Na etapa brasileira do I Concurso, em 1998, foram premiados os
grupos "Cooparoca", do Rio de Janeiro, uma cooperativa de mulheres
que produz roupas de alta qualidade a partir de retalhos de
tecido, com técnicas artesanais; e a ASMUBIP (Associação de
Mulheres do Bico do Papagaio), formada por quebradeiras de coco,
que elaboram vários produtos derivados do babaçu. No II Concurso,
em 2001, o grupo premiado foi a Cooperativa "Abayomi", do Rio de
Janeiro, que confecciona bonecas negras sem costura ou cola, a
partir de retalhos de tecido. Todos esses grupos, além de ter
importante trajetória no movimento social e popular, realizam um
importante trabalho comunitário e de valorização da mulher.
As vencedoras receberam prêmio e certificado:
(dir/esq) Dejanira Rosa Einloft, da Griffe Morro da Cruz; Nelsa
Nespolo, da Univens; Adelma dos Santos e Hercília Maria dos
Santos, da Indústria de Doces Camponesa. No III Concurso, neste ano, convocado e organizado pela Rede
Mulher de Educação e coordenado pela sócia-educadora
Beatriz Cannabrava, inscreveram-se 24 grupos de várias regiões do
País, com importantes realizações, o que tornou bastante árduo o
trabalho da Comissão Julgadora, que foi integrada por: Vera
Vieira, jornalista, coordenadora-executiva da Rede Mulher de
Educação e mestra em comunicação/educação; Mônica Lúcia Rique
Fernandes, geografia, membro da Coordenação Executiva de Cooperação
Universitária e Atividades Especiais da Universidade de São Paulo;
e Celia Terumi Sanda, assistente social, especializada em
observação e coordenação de grupos operativos, membro do Cenpec -
Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação
Comunitária. Foram concedidos três prêmios e três menções
honrosas. O empreendimento classificado em primeiro lugar foi a
Griffe Morro da Cruz, de Porto Alegre/RS, cuja representante,
Dejanira Einloft, viajou para Cuenca, no Equador e participou do
evento de premiação latino-americano que reuniu as vencedoras dos
oito países participantes. Essa experiência será sistematizada e
publicada, juntamente com as demais premiadas do continente, no
livro "Asi se Hace III" , que será editado pela REPEM, em 2003. O
segundo lugar foi da Indústria e Comércio de Doces "Camponesa", de
Birigui/SP e o terceiro da Cooperativa Univens, de Porto
Alegre/RS. A Rede Mulher de Educação concedeu prêmios em dinheiro para os
três primeiros lugares, sendo R$ 1mil para o primeiro e R$ 500,00
para cada um dos empreendimentos classificados respectivamente em
segundo e terceiro lugar. Dejanira Einloft, Hercilia dos Santos e
Nelsa Nespolo representaram seus grupos na entrega de prêmios que
foi realizada no marco do Encontro Anual da Rede Mulher, no último
dia 15 de novembro, ocasião em que tiveram a oportunidade de
relatar as experiências e participar de uma capacitação
aprofundada sobre Gênero e Geração de Renda. Todos os grupos
inscritos receberam certificados de premiação ou participação,
conforme o caso. Morro da Cruz: projeto vencedor A Griffe Morro da Cruz Comércio de Confecção Ltda. ME foi
fundada em janeiro de 1995. Surgiu da organização de mulheres da
Vila São José, popularmente conhecida como Morro da Cruz, onde uma
das participantes, em uma pesquisa na comunidade, constatou a
necessidade de gerar trabalho e renda para as mulheres em um
espaço onde elas pudessem levar seus filhos e produzir conforme
suas aptidões. Reuniram-se dez mulheres e uma delas repassou às
outras seus conhecimentos na arte do corte e costura. Após esse
treinamento, passaram a produzir peças criativas e originais, a
partir da reciclagem de roupas velhas, retalhos de malhas e
tecidos, Pouco a pouco, foram conquistando uma grande clientela. É
um grupo auto-gestionário. Todas as associadas são proprietárias
da Griffe e se organizam de forma democrática para a tomada de
decisões, no que se refere tanto à produção como à comercialização
e distribuição de ganhos. Atualmente, o grupo está composto por
oito mulheres entre 20 e 64 anos, unidas por objetivos que definem
como "possibilitar a formação de mais grupos de mulheres para o
trabalho cooperativo e mostrar para a sociedade que a mulher pobre
é capaz". Produzem em um espaço cedido pela Paróquia S. José de
Murialdo, onde também possuem uma pequena loja. Têm ainda outros
quatro espaços de comercialização, dois em butiques e dois nas
Lojas da Etiqueta Popular, uma iniciativa da Secretaria Municipal
de Ind. e Com. da Prefeitura de Porto Alegre. Comercializam seus
produtos também em feiras e eventos. Así se Hace A publicação Así se Hace, elaborada e distribuída pela
REPEM conta já com duas edições. A primeira, editada em 1998,
sistematiza nove empreendimentos de oito países: Bolívia, Brasil,
Equador, México, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.
Essa edição contém ainda um Manual de Lobby Propositivo concebido
como uma "ferramenta de fácil acesso, compreensão e uso para as
mulheres envolvidas nos projetos de Economia Popular". Essa
publicação teve o apoio de K.U.L.U. Women and Development. A
segunda edição, de 2002, sistematiza oito empreendimentos, de oito
países: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Peru, México, Uruguai
e Venezuela e foi editada com o apoio do Instituto de Cooperação
Inter-nacional da Associação Alemã para Educação de Adultos – IIZ/DVV.
A terceira edição deverá ser publicada em 2003, com a
sistematização das experiências vence-doras do III Concurso. Mais
informações sobre estas e outras publicações da REPEM podem ser
encontradas no site
www.repem.org.uy
Os outros empreendimentos vencedores e as
menções honrosas Doces Camponesa A Indústria e Comércio de Doces Camponesa Ltda-ME tem origem em 1997, no Assentamento São José I – Birigui/Brejo Alegre, no Estado de São Paulo, por iniciativa de 12 mulheres. Com o passar do tempo as participantes foram se reduzindo. Hoje, são quatro que produzem doce de leite puro, adquirindo a matéria-prima de outras famílias assentadas. A Camponesa é pioneira no Estado, pois além da produção para venda, promove ainda capacitação para operacionalização de outros grupos de assentadas e pequenas produtoras rurais. Recebe freqüentemente a visita de grupos de mulheres e de alunos da rede pública de Birigui, Brejo Alegre e outras cidades vizinhas, ocasião em que são oferecidas visitas guiadas e palestra sobre a experiência de trabalho do grupo. O empreendimento tem recebido assessoria da Fundação ITESP (Instituto de Terras de São Paulo), nas áreas de produção e comercialização. Os doces, produzidos sem aditivos químicos, são vendidos nas residências e supermercados locais, além de feiras e entrepostos ligados a projetos de sócioeconomia solidária e comércio justo.
Univens A Cooperativa de Costureiras Unidas Venceremos (Univens) foi criada em 1996, respondendo a uma necessidade de incluir mulheres com dificuldades de inserir-se no marcado de trabalho formal. Após um longo processo de discussão, 35 mulheres de 18 a 70 anos entraram com três quotas de R$1 (um real) cada para a formação da cooperativa. Um grande esforço fez com que o grupo superasse as dificuldades iniciais, conseguindo produzir, em um curto prazo, uma encomenda de 500 camisetas. A divulgação feita em sindicatos, entidades e escolas resultou em mais encomendas de camisetas com estampas em serigrafia, sacolas e outros produtos. Posteriormente algumas das cooperadas começaram a produzir o complemento alimentar denominado multimistura, o que deu origem à produção de bolachas, salgados, lanches e bolos, para eventos e coquetéis. Em 2000, em parceria com a artista plástica gaúcha Cristiane, foi criada uma coleção de camisetas da cidade de Porto Alegre, que vem sendo produzida e vendida em vários eventos, particularmente no Fórum Social Mundial. Este ano, a cooperativa foi encarregada também de elaborar as camisetas e bolsas para o Fórum Mundial de Educação, que será realizado em janeiro, em Porto Alegre. Através do Orçamento Participativo, a cooperativa conquistou um espaço na incubadora popular, onde está há mais de um ano. Suas integrantes também participam do Fórum Metropolitano de Economia Solidária e têm parceria com a Prefeitura Municipal, ONGs, sindicatos e associações.
As menções honrosas Receberam menções honrosas no III Concurso de Empreendimentos Exitosos Liderados por Mulheres:
Grupo de Produção Arte Brazil Asevirsa - Associação Fábrica do Agricultor de
Senhoras(es) da Vila Rural
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