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Cunhary Informa no 54 - Outubro-Dezembro/2003

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1o. lugar
ASCRON
- Associação de Crocheteiras Novarussenses (Nova Russas/CE)

 

2o. lugar
Associação de Mulheres Palhaças
As Marias da Graça (Rio)


3o. lugar
Grupo de Mulheres Caprinocultoras do Assentamento Conquista do Morgado (Massapê/CE)

IV CONCURSO DE EMPREENDIMENTOS EXITOSOS LIDERADOS POR MULHERES

por Beatriz Cannabrava

Mulheres buscam um outro jeito de produzir e gerar renda, com a perspectiva da cidadania ativa

Desde 1988, a REPEM (Rede de Educação Popular entre Mulheres da América Latina e do Caribe) tem como um dos seus eixos centrais o Programa de Gênero, Economia e Educação. Nos últimos anos, a abordagem múltipla da vida econômica das mulheres amplia sua área de ação dando uma nova característica ao Programa que atualmente se denomina Educação Permanente para a Micro e Macro Economia. Uma das principais atividades do programa é o Concurso Latino-Americano de Empreendimentos Exitosos Liderados por Mulheres, convocado pela primeira vez em 1998, com o objetivo de identificar e premiar experiências que se destacaram por seu sucesso econômico, gestão eficiente e contribuíram para a equidade de gênero.

O Brasil tem participado em todos os Concursos. No primeiro, foram premiadas a Coopa-Roca, cooperativa de produção artesanal da Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro; e a ASMUBIP (Associação Regional das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Bico do Papagaio), que processam e comercializam o óleo de babaçu. O segundo, realizado em 2001, premiou a Cooperativa Abayomi de artesãs, que confecciona bonecas negras com retalhos e tem sede no Rio de Janeiro.

A Rede Mulher de Educação foi a responsável pela organização e realização no Brasil do III Concurso que, em 2002, premiou a Griffe Morro da Cruz Comércio de Confecção, de Porto Alegre/RS; a Indústria e Comércio de Doces Camponesa, de Birigui-SP; e a Univens (Coo-perativa de Costureiras Unidas Venceremos), de Porto Alegre/RS. E também do IV Concurso, que contou com o apoio da Novib, agência holandesa de cooperação internacional, e do Consulado da Mulher, ação de responsabilidade social da empresa Multibrás.



Beatriz Cannabrava (3a./dir), da Rede Mulher, coordenou todo o processo do Concurso. O juri foi composto por Vera Vieira (1a./dir), Inês Meneguelli (2a./dir), do Consulado da Mulher/Multibrás e Célia Sanda, do Cenpec, que não pode comparecer ao evento, sendo susbstituída por Madalena Rodrigues, educadora de Cuiabá, na cerimônia de premiação.

O júri do IV Concurso composto por Vera Vieira, coordenadora executiva da Rede Mulher de Educação; Inês Meneghelli, coordenadora do Consulado da Mulher e Célia Sanda, assistente social, integrante do Cenpec, decidiu, entre os 24 empreendimentos inscritos, conceder o primeiro lugar à ASCRON (Associação de Crocheteiras Novarussenses), da cidade de Nova Russas, no Ceará; o segundo lugar à Associação de Mulheres Palhaças "As Marias da Graça", do Rio de Janeiro, e o terceiro lugar ao Grupo de Mulheres Caprinocultoras do Assenta-mento Conquista do Morgado, da cidade de Massapê, no Ceará. As vencedoras receberam prêmio em dinheiro (R$ 1mil; R$ 500 e R$ 300, respectivamente), participaram do Encontro Nacional de Formação da Rede Mulher, com todas as despesas pagas, e ainda um eletrodoméstico cada, como prêmio extra oferecido pela Multibrás.

Três menções honrosas foram concedidas para: Grupo Teatral Angra das Rainhas, do Rio de Janeiro; Fábrica de Laticínios e Doces Bemacla, de Promissão/SP; e Secretaria das Mulheres Extrativistas de Rondônia, que também receberam o prêmio extra da Multibrás. As menções especiais foram para o Centro Comunitário União, de Araguaína/TO; e a Editora Ibiá Ltda., de Montenegro/RS. Na última página deste encarte, relacionamos todos os empreendimentos inscritos, os quais merecem reconhecimento e incentivo para participação nas próximas edições do Concurso.

CROCHETEIRAS DO CEARÁ

A ASCRON, com 20 anos de uma história de luta e resistência, conta hoje com 103 associadas que trabalham com o artesanato de crochê de alta qualidade para comercializar e garantir um complemento da renda familiar. A Associação é a entidade que apóia, organiza a produção e facilita a participação das mulheres no mercado, além de incentivar as crocheteiras a estudar e exercer uma profissão. A questão de gênero tem sido trabalhada em oficinas de sensibilização e em debates sobre as políticas específicas para mulheres.

AS MARIAS DA GRAÇA

A Associação de Mulheres Palhaças busca gerar renda e cidadania trabalhando com a graça e o riso. Usa a linguagem de um jeito próprio e tem como objetivo trabalhar a comicidade com um olhar de mulher para as questões do cotidiano. O único grupo de palhaças brasileiras de que se tem notícia ocupou um território que era exclusivo dos homens, trazendo para essa função o feminino: vestidos, maquiagem, bolsas, batom, e se apresenta nas ruas, parques e praças de todo o país em espetáculos gratuitos ou a preços populares "fazendo rir e rindo de si mesmas".



Representantes dos empreendimentos vencedores recebem os prêmios durante Encontro Nacional de Formação da Rede Mulher: Terezinha Lima, da Ascron (esq), 1o.lugar; Geni Viegas, do grupo As Marias da Graça (dir), 2o.lugar; e Antônia Aguiar (centro), 3o.lugar, do Grupo de Caprinocultoras. Houve exposição e debate sobre a trajetória dos projetos, além de muita risada provocada pela palhaça Mafalda.

CAPRINOCULTORAS DE MASSAPÊ

Um grupo de mulheres existente desde 1992, no Assentamento Conquista do Morgado, iniciou a partir de 2002, a criação de caprinos com o apoio do Coletivo de Mulheres Trabalhadoras Rurais da FETRAECE e financiamento e assessoria de entidades nacionais e internacionais. O ESPLAR, organização com sede em Fortaleza, por exemplo, realiza diversas acões para o empoderamento do grupo.

As educadoras e as convidadas participantes do Encontro Nacional de Formação da Rede Mulher. O detalhamento do conteúdo será abordado no próximo Cunhary.

 

São onze mulheres associadas que criam e vendem diretamente ao consumidor, evitando a exploração dos atravessadores. "Desde o início, o objetivo foi mostrar que somos capazes de produzir e administrar nosso próprio negócio e de gerar renda para as mulheres", enfatizam.

 

Os ativos das mulheres


Como parte integrante das atividades do IV Concurso foram também realizadas oficinas de acompanhamento dos empreendimentos classificados em concursos anteriores. O tema trabalhado foi "Os Ativos das Mulheres", utilizando um material de apoio preparado por Beatriz Cannabrava, baseado no texto da antropóloga Jeanine Anderson "Activos Políticos y Sociales de las Mujeres", que trabalha essa questão dos ativos como verdadeiros indicadores de empoderamento das mulheres e seus grupos. Segundo Anderson, "ativo é um bem, um direito, um dote intangível ou capacidade que permite que a pessoa atue em prol de seus interesses". Significa que as mulheres são possuidoras de uma "pasta de ativos", que ela denomina de "porta-fólio". Todas querem e necessitam ampliar e diversificar seus ativos - econômicos, legais, educativos, políticos, sociais, culturais, etc. Assim sendo, demandariam das políticas públicas, algo mais do que um conjunto de serviços: organização, participação, informação e conhecimento. E também querem ser ouvidas em momentos críticos.

No dia 23/09, em Porto Alegre/RS, coordenada por Clair Ribeiro Ziebell, sócia-educadora da RME e responsável pelo projeto de extensão universitária da UNISINOS (Universidade do Vale dos Sinos), que presta assessoria a movimentos de mulheres, a oficina contou com participantes da Griffe Morro da Cruz e da Univens, bem como alunas vinculadas ao projeto coordenado por Clair (foto acima).

No dia 27/09, na cidade de São Miguel do Tocantins, foi realizada a oficina com as integrantes da ASMUBIP. Foi coordenada por Sandra Monteiro, advogada e sócia-educadora da Rede Mulher de Educação com o apoio de Maria do Socorro Teixeira Lima, sócia-educadora da RME e também coordenadora da ASMUBIP, que contribuiu convocando suas colegas.

Em 06 de novembro, na cidade do Rio, teve lugar a oficina com o Grupo Abayomi, que foi coordenada pela sócia-educadora da RME Felícia M.Soares, com o apoio da educadora Maria América Pires.

Coloboraram com o conteúdo deste box: Clair Ribeiro Ziebell, Felícia de Morais Soares e Sandra Regina Monteiro.

IV CONCURSO DE EMPREENDIMENTOS EXITOSOS LIDERADOS POR MULHERES

Foram inscritos 24 empreendimentos de diversas regiões brasileiras