| Repensando
alguns conceitos: Sujeito, Representação Social e Identidade Coletiva Dissertação de Mestrado - Sociologia - 1993 |
| Universidade Federal de Pernambuco |
| Taciana Gouveia (*) |
Escrita no começo dos anos 90, esta dissertação está inserida no
contexto dos estudos, análises e debates sobre os novos movimentos sociais e
toma os conceitos de Sujeito, Representação Social e Identidade Coletiva como
instrumentos analíticos para compreensão e interpretação
dos mesmos.
A
motivação básica para a realização deste estudo partiu de três fontes: a
presença e importância dos chamados “novos movimentos sociais” na
restruturação da socie-dade civil brasileira e conseqüentemente da dinâmica
política; a difi-culdade dos estudos so-ciológicos
em analisar e definir estes movimentos; e por fim a crise dos para-digmas
explicativos das ciências sociais - que teve seu auge nos anos 90 - e que
parecia oferecer, na-quele momento, uma cla-ra tendência em substituir os
modelos macroestru-turais para análise socio-lógica, pelos modelos que
trabalham com os micro - fundamentos da dinâmica social.
É uma dissertação de base teórica, cujo foco central
é a análise conceitual. Assim sendo, a questão que permeou de ponta a
ponta a escrita dessa dissertação foi a preocupação com a construção de
conceitos que permitam uma análise mais precisa da dinâmica social, sem que se
fique oscilando entre as várias formas de explicação, mas ao mesmo tempo sem
que se aprisione um dado processo social, retirando-lhes as peculiaridades em
nome de uma pretensa fidelidade conceitual.
Foi exatamente o ( re)surgimento dos movimentos sociais, trazendo com
eles as questões da pluralidade do social e a especialização ou fragmentação
das experiências e lutas, que levou a proposição de se resgatar os conceitos
de Sujeito, Representação Social e Identidade Coletiva. As revisões
conceituais efetuadas neste estudo refletem, em certo sentido, as questões
referentes à oscilação entre fragmentação e totalização, como também,
por serem fatos interligados o dilema entre macro e microteorias.
Isto ocorre na medida em que há a postulação de um retorno analítico
de uma macrocategoria como Sujeito, ao mesmo tempo em que neste trabalho ele está
desvinculado dos atribu-tos “da história” ou “re-volucionário”. O que
de-fine, nesta dissertação, o sujeito, é a presença de um projeto e a existência
da autonomia, no sentido do poder de criar e enun-ciar o próprio discurso, e não
ficar na eterna repe-tição do já dito.
Já
o conceito de Repre-sentação Social remete-se aos indivíduos e grupos e dá
conta da (re)constru-ção do real feita por estes a partir de suas vivências
cotidianas. Mesmo não sendo uma reprodução exata e idêntica dos
signi-ficados socialmente instituídos - há necessariamente o elemento de criação
(ou recriação) - não é possível pensá-la desligada de processos mais
amplos, como a simbolização e a produção de ideologias.
A Identidade Coletiva não é um conceito macro, já que se refere aos
diversos movimentos e organizações
sociais. Contudo, sua construção e consolidação dependem diretamente da
existência de um projeto coletivo e do reconhecimento do “outro” que, em
certo sentido, o legitima. No caso dos movimentos sociais esse “outro” é,
na maioria dos casos, a sociedade política, demonstrando assim que a identidade
coletiva se instaura na esfera do político, e, conseqüentemente, reflete e
influencia os elementos macroestruturais.
(*) Taciana Gouveia integra a equipe do SOS Corpo/Recife-PE